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terça-feira, 12 de julho de 2016

Minhas lembranças de Cajazeiras

por Liduina Araujo de Oliveira
Quem não se lembra dos bons tempos do início da adolescência, meia menina, meia moça. As lembranças dos antigos cinemas trazem muitas saudades.

 Recordo quando saía do Colégio Nossa Senhora de Lourdes cantando toda orgulhosa no Coral e quando saía do colégio no início da Praça João Pessoavia logo o cartaz do Cine Éden encostado no primeiro poste da avenida.
Ah, como era bom! Ver a meninada na maioria gritaria e assovios que doíam os ouvidos, levantando e baixando de vez o assento da cadeira para aumentar o barulho, bom demais, jamais vou esquecer estes momentos.
Também tinha o Cine Pax e o Apolo no prédio da Rádio Alto Piranhas. Lá no Pax a meninada começando a namorar ficava nas cadeiras lá atrás para ninguém olhar. Quem chegasse primeiro guardava a cadeira para o outro, assim também no Apolo nas cadeiras do primeiro andar.
Pena que papai não deixava ir muito ao cinema. Outra coisa, eu nunca deixei algum namorado pagar minha entrada, eu achava feio, papai sempre me dava o dinheiro para pagar. 
 Ah, sim quem não se lembra na porta do Cine Éden, várias banquinhas vendendo juquinhas, pipocas, rolete de cana, a gente fazia a festa. Seu Tinino com a sua caroça, também vendendo. Seu Carlos Paulino bem na porta, sério acompanhando o movimento.
São tempos que não esqueco jamais!

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

CAJAZEIRAS NA MINHA MEMÓRIA - VI

   Na década de 60, em Cajazeiras, casais de namorados fugiam da cidade para se casar. Isso fez com que casamentos fossem realizados dessa forma. Aliás, já não era mais novidade surgir comentários sobre fulano roubou sicrana para se casar. Talvez fosse uma forma de os pais da namorada não aceitar o namoro com o rapaz, ou talvez se vissem diante de uma grande despesa que seria feita para se concretizar um casamento feito na Igreja. Isso me fez lembrar que naquela época, dois amigos meus que estudavam no Colégio Estadual, foram passear em Natal, no Rio Grande Norte, e quando retornaram da viagem, os alunos do Estadual fizeram certo comentário: Kérson Maniçoba roubou Sinvalzinho. Explico: Sinvalzinho, filho do comerciante de molas para caminhões, Sinval Cavalcante, ganhou uma grana do pai dele e foi conhecer Natal. Nisso, convidou Kérson para essa viagem, fazendo com que a galera do Estadual fizesse gozação na volta dos dois ao colégio.


APOSTAS NAS ESCADARIAS

          Lá pelos idos 60, em Cajazeiras, tinha um local onde a garotada gostava de fazer apostas para quem pulasse mais longe. Era na escadaria da Praça do Congresso atrás da Prefeitura. Essa escadaria com seus mais ou menos doze ou quinze lances de escada dava acesso para quem seguia para o Colégio Comercial Monsenhor Constantino Vieira e para a Catedral. A gente fazia pequena arrancada e ao pular por cima dos lances da escadaria, caia em baixo no chão de terra batida e isso fazia com que a queda amortecesse sem se machucar muito, quando não se estatelava no chão.


“OS CARIOCAS”

          Quando eu, Kérson Maniçoba e Dedé Cabôco estudávamos no Colégio Estadual de Cajazeiras, tínhamos o apelido de “Os Cariocas”, porque fazíamos planos para morar no Rio de Janeiro após concluirmos o ginasial. Por isso, sempre que a gente ia para o Cine Éden assistir a um bom filme ficávamos muito atentos quando nos trailers que antecedia ao inicio dos filmes passava os gols do Campeonato Carioca pelo Canal 100, e as imagens focalizavam os torcedores que ficavam atrás das traves na hora dos gols. Certo dia Kérson nos comentou: “quando a gente for morar no Rio e for ao Maracanã assistir aos jogos, vamos ficar sempre atrás do gol para que o pessoal daqui de Cajazeiras nos veja na telona do Cine Éden”.

VITROLINHAS PORTÁTEIS

          Ainda na década de sessenta, no embalo das músicas da Jovem Guarda e dos Beatles, jovens gostavam de ouvir músicas na vitrolinha portátil, onde tinha um compartimento para colocar quatro ou seis pilhas grandes. As vitrolinhas portáteis - por serem bem leves - eram fabricadas de plástico resistente e em várias cores. William, filho de pai carioca, tinha uma dessas e por várias vezes nós – eu, Virgílio, Nêgo Riba, Kérson, Nenê de Iraídes do Foto Recife, Célio Cabôco e Edmar Tebejim – saímos para fazer serenatas nas ruas de Cajazeiras. Comprávamos a cachaça caranguejo ou Pitu, acompanhada de farofa de sardinha como tira-gosto.


HIPPIES

          No fim dos anos 60, eu e Edmar Tebejim, já de férias do Colégio Estadual, fomos de carona em um jeep para Monte Horebe (PB), cidade dos meus pais. Ficamos hospedados no sítio Rita, do meu avô João Martins, a cinco kms de Horebe. Valdim, meu irmão, já estava na Rita. Depois fomos para Monte Horebe almoçar na casa de seu Lourival Dias, então prefeito da cidade. Seu Lourival e dona Aldenora são pais de nossas colegas do Colégio Estadual: Ilma, Edilma, Edmara e Edna. Naquela manhã, nos divertimos com muito bate- papo, ouvimos músicas tocadas de violão, bebemos uns goles de cervejas e a seguir o almoço. No final da tarde voltamos ao sítio Rita. São quarenta e sete kms de Monte Horebe a Cajazeiras. No dia seguinte, bem cedinho, eu e Edmar saímos rumo a Cajazeiras, a pé, isso mesmo. Naquela época não existia asfalto, era pura terra. De mochilha nas costas, os carros passavam e nos ofereciam carona e nós recusávamos, porque nos sentíamos como se fôssemos hippies. Chegando em São José de Piranhas, dezessete km de Monte Horebe, encontramos o motorista da Saelpa, Chico Formiga, no jeep da empresa de eletricidade e nos convidou para irmos para Carrapateira e de lá fomos para Cajazeiras.

TRILHOS DO TREM

          O terminal do ramal da estação do trem em Cajazeiras foi inaugurado em 5 de agosto de 1926 e desativado em 1971. Está de pé até hoje. A estação foi tombada em 2001 pelo IPHAEP (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba), e atualmente serve de sede para o Núcleo de Extensão Cultural da UFPB/CFP/NEC. Lembro-me que e linha férrea passava pelo bairro Santa Cecília e neste trecho tinha uma caixa d'água bem alta onde o trem passava ao lado dela. Todas às vezes que eu e meus amigos íamos para a AABB treinar futebol de salão (hoje futsal), a gente gostava de ir andando ou mesmo correndo por cima dos trilhos. As quedas que levávamos ao pisar em falso nos trilhos eram normais.
 PEREIRA FILHO
Radialista
Rádio Nacional de Brasília
jfilho@ebc.com.br


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Cajazeiras, ontem e hoje!

Cajazeiras, ontem e hoje!
A Rua Victor Jurema era quase despovoada. A casa de Tota Assis ao lado e quase mais nada.



É este o atual estado de degradação em que se encontra o solar de Vicente Barreto! É chocante, não se pode com abandono destruir a nossa memória.

Temos que reverter este retrato de um presente sem história! Errando pela Europa em junho passado vi o carinho que este povo tem pelo seu passado. Não é preciso destruir para progredir, é preciso descobrir a verdadeira vocação dos monumentos históricos!

Não caberia aqui um restaurante? Cajazeiras tem vários, tem até um chamado de Restaurante Avenida, imprensado na Rua Padre Rolim que muito bem poderia funcionar aqui! Hoje na era do automóvel é mais que necessário estacionamento, lá isto não tem. Eu até não conheço por este problema. Um restaurante neste local seria a sua revitalização!  E há herdeiros de Vicente Barreto dono de restaurante.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O dia em que conheci o peripatético Bosco Barreto!

Eram tempos de obscuridade. Não havia li- berdade de pensamento. Eu morava no Maranhão, mas todos os anos eu vinha para a Semana Universitária e, invariavelmente trazia al- guns amigos maranhenses. O rancho ou era na casa do Tio Waldemar ou na casa de papai se ele tivesse e- xercendo mandato político e consequentemente com residência na boa terra.
Numa destas, não dar para precisar bem o ano, houve um quiprocó dos diabos na SORVEDRINKS (corrijam-me se não era o nome do Bar da Dorinha Montenegro) na esquina da Rua Tenente Sabino com a Travessa Francisco Bezerra (rua do antigo Hotel Oriente).
O bar era bem movi- mentado, a juventude em peso, na parte da travessa em frente ao bar e as duas calçadas eram ocupadas por mesas sempre lotadas de clientes, impendindo os car- ros de chegarem à Rua Juvêncio Carneiro, ou seja, tinham que dobrar à esquerda para a Rua Joaquim Peba. Numa bela noite, um jovem engraçadinho, filho do delegado da cidade, num gesto petulante e irresponsável resolve atravessar a rua entre as mesas, o que provocou cizânia enorme. O leão-de-chacára da Dorinha não titubeia e dar uns petelecos no atrevido rapaz que não reagiu, sob pena de ser surrado pelos frequentadores do bar. Foi embora sob um vaia estrondosa! E não que, mais petulante e ainda mais irresponsável, veio o delegado e arrumou o maior pandemônio, claro que deixou os presentes revoltados.
Era a deixa que Bosco Barreto precisava. No outro dia, passou a usar todos os meios disponíveis para desancar o arbitrário chefe de polícia. E o fato tomou dimensões tais que o então Secretário de Segurança do Estado veio a Cajazeiras tentar por panos mornos no episódio.
O Secretário de Segurança decidiu ir atè a casa da Dorinha para ouvi-la sobre o entrevero. Eu e os amigos do Maranhão estávamos  na casa do Tio Waldemar quando ouvimos a Rádio Alto Piranhas que que estava cobrindo todo o imbróglio, anuncia (ficava da Sorvdrinks logo depois [já esquina da travessa com a Rua Juvêncio Carneiro). Bosco, matreiro, vai também. E o Secretário começa ao vivo pelas ondas da rádio falar com a Dorinha, à guisa de desculpas, e Bosco se intrometendo com as mais variadas diatribes! Conseguiu o que queria! O secretário cai na esparrela de indagar ao Bosco o que ele tinha feito à Cajazeiras. Não deu outra, Bosco en- diabrado pega o microfone da rádio e inflamado começa o seu discurso dra- mático:
- O que é que fiz, o que é eu que faço, Cajazeiras...?
- Lutar contras as arbitrariedades da truculência...
- O que é que fiz, o que é eu que faço,  Cajazeiras...?
- Lutar contra o Decreto 447 que cerceia a liberdade de expressão dos estudantes brasileiros.
E assim continuou com as catilinárias contra o regime, comportamento não usual e nem tolerado pelos militares.
Acostumado eu às obsequiosas abstinências políticas partidárias já que morava no Maranhão, este homogêneo politicamente sob à liderança do eterno José Sarney, fiquei deveras arrepiado com a ousadia do conterrâneo. Impressionou o audaz político.
Era o auge da carreira brilhante, mas efêmera do líder Bosco Barreto.

domingo, 13 de maio de 2012

O vaso de flores

Pelos idos da década de 1960, papai, aconselhado por mamãe, resolve me dar um “emprego” no Armazém Paulista que ficava logo no começo da Rua Epifânio Sobreira, um edifício de quatro pisos que, na época, rivaliza com a velha rodoviária Antonio Ferreira, como os dois mais altos prédios de Cajazeiras. O gerente era o finado Antonio Dunga e eu fui nomeado “sub-gerente”, todavia a minha maior responsabilidade era recolher o livro de ponto às oito horas em ponto para que funcionários retardados tivesse o dia descontado.
Ganhava Cr$ 1 (um cruzeiro)! Não era pouco para uma criança e assim mesmo com os gastos de sorvetes e cinema (parque e circo eu não pagava, pois como filho do prefeito tinha acesso gratuito) ainda me sobrava dinheiro.
Chega o dia das mães, com dinheiro poderia me dar o luxo de comprar o presente sem precisar de socorro financeiro de papai. Tem orgulho maior para uma criança do que comprar o presente para sua  mãe neste dia?
Pensei com os meus botões e nada me vinha à mente, chegou sábado e não achava o presente ideal. Sábado dia de feira na cidade e, pensei, lá, certamente, encontrarei o presente. Rodei na feira e não achava nada... Panelas e potes de barro, brinquedos rústicos, literatura de cordel para todos os gostos, roupas, quase que só de chita e cáqui, chapéu de palha, e mil coisas mais, mas eu não achava o presente. Quando já desesperançado em frente á sapataria de Manoel Caiçara na Rua Juvêncio Carneiro, logo ao entrar na rua pela Praça Coração de Jesus, encontro uma velha tão gorda e baixa que mais parecia um metro cúbico de carne vendendo flores. Mas que flores? Uma lata de tinta usada revestida de papel celofane cheia de areia com flores e seus talos feitos de arame, também ambos revestidos de papel celofane.
O presente não era tão feio. Tornou-se. Na alegria de ter encontrado o presente, sai correndo para casa. Menino não anda, corre. Quando eu dobro o canto da Travessa Santa Teresinha que bem no meio, em frente à livraria do finado Horácio Alves, tinha uma fossa grande, até construída na administração municipal de papai, que ficou mais alta que o calçamento, propiciando aos mais apressados a oportunidade de tropeçar. E foi o que aconteceu comigo. Fui para um lado e a lata, oppss, o vaso de flores para outro deixando-o com várias avarias. Ah, isso não é problema, joguei a terra que foi esparramada pelo chão de volta à lata, oppss, o vaso de flores, enfiei de volta os arames, ooppss, os ramos de flores no vaso e voltei a correr para casa, era a casa nova da  Rua Victor Jurema, uma casa grande, a maior e a melhor que morei em Cajazeiras, e escondi o presente na garagem.
Dia seguinte, domingo, Dia das Mães, vou buscá-lo e entro solenemente em casa para entregá-lo à mamãe, a emoção dela foi grande, principalmente quando soube que o presente tinha sido comprado com economias do meu trabalho. Mamãe nem viu o estado deteriorado pelo acidente de percurso, ou melhor, não deixou transparecer.
Empolgado, fiz uma só exigência: “Mamãe queria lhe pedir que guardasse o presente em cima da geladeira” e assim ela fez.
Aí, está o bom da história, as visitas que apareciam lá por casa e vendo a casa toda arrumada e chique, estranhava aquela monstrengo que destoava em cima da geladeira e perguntava: “Teresa, o que aquela presepada em cima da geladeira?”. Mamãe, afobada, fazia sinal de silêncio e cochichava: “Foi o presente do dias das mães do meu filho!”
E lá permaneceu por bom tempo, assustando as visitas.