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domingo, 27 de dezembro de 2015
sábado, 16 de março de 2013
RETALHO DE CAJAZEIRAS (2)
Praça Nossa Senhora de Fátima (Antiga Praça
da Catedral)
![]() |
| Meus dois filhos mais novos em visita à Cajazeiras, posarm em 1987 em frente à Praça da Igreja N. S. de Fátima. Hoje moram em São Paulo estudam na USP e se formam neste final de ano. |
A antiga Praça da Catedral, atualmente denominada
- Praça Nossa Senhora de Fátima, foi um logradouro público construído pelo
então Prefeito Municipal, Professor KILDEBRANDO LEAL, no segundo ano de sua
profícua administração, ou seja, em 1930.
No local daquela Praça em frente à antiga
Matriz de Nossa Senhora da Piedade, que serviu de Catedral diocesana durante 42
anos, existia um vasto patamar ladrilhado com enormes tijolões de cerâmica,
tendo ao fundo um imponente pedestal em alvenaria de pedra e cal encimado por
um grande cruzeiro de madeira, esculpido no rodeio dos cruzeiros existentes,
naquela época, em frente às igrejas, simbolizando o instrumento do suplício do
Gólgota, onde o Cristo-Jesus foi crucificado, morrendo na Cruz, abrindo o
Caminho da redenção dos Pecados da Humanidade.
Abaixo daquele patamar estendia-se um espaçoso
largo pontilhado de pequenas ele- vações rochosas. 0 Prefeito Hil- debrando Leal,
dotado de lar- ga visão administrativa, or- ganizou e executou um plano ur- banístico
moderno procurando mudar e melhorar a imagem paisagística de nossa cidade. Com esse
objetive e de acordo com a autoridade diocesana e o vigário da então Catedral,
fez a translação do Cruzeiro para o centro do Cemitério Coração de Maria, onde
ainda permanece; em seguida demoliu o antigo patamar, rebaixou o aterro, fez o
desmonte das pequenas elevações rochosas que existiam no largo abaixo do
patamar, aplanou o terreno e construiu novo e moderno patamar naquele local,
com o piso cimentado. No largo abaixo, construiu uma pracinha ajardinada, muito
bonita, edificou um imponente coreto de cimento-armado, ao centro, o qual é
considerado hoje um monumento de rara beleza arquitetônica e faz parte do patrimônio
histórico de nossa cidade.
Construída e inaugurada a então Praça da Catedral,
hoje Praça Nossa Senhora de Fátima, aquele logra douro público passou a ser o
ponto chique da cidade, o local de atração do povo, o centro das mani- festações
cívico-religiosas e so- ciais da comunidade, onde se realizavam aos domingos,
dias santos e feriados, alegres e con- corridas retretas, sob os a- cordes maviosos
da banda de música local, com a presença elegante do mundo social cajazeirense.
Com o correr do tempo, aquela Praça, que é um
retalho de Cajazeiras, ficou desusada, abandonada, desprezada, ser- vindo apenas
de reminiscência de um passado feliz.
Atualmente, a Praça Nossa Senhora de Fátima está
totalmente transformada. Apre- senta-se com a fisionomia de
"menina-moça" trajando uma roupagem de modelo incomum, que lhe dá um
colorido de Praça ultramoderna, com um aspecto muito elegante, atraente,
deixando transparecer a formosura de sua beleza.
0 Prefeito Francisco Matias Rolim, homem
público dotado de uma perspicácia admirável, que o faz conhecedor de todos os
problemas afetos às necessidades do povo e aos interesses do de- senvolvimento da
comuna que administra, resolveu demolir aquela Praça, exceto o coreto que fica
ao centro da mesma, que é um monumento histórico, e construir, naquele local,
um logradouro diferente, uma Praça com "pê maiúsculo" sob processo
moderno de estrutura técnica avançada, dotando-a dos re- quisitos de beleza e
de encanto.
E ai está, em frente ã Matriz de Nossa
Senhora de Fátima, a nova Praça; uma Praça bonita, formosa e elegante, que
serve de admiração aos nossos visitantes, e ê motivo de orgulho par os
cajazeirenses de boa-vontade.
Portanto, a Praça Nossa Senhora de Fátima,
que é uma motivação turística de nossa terra, destaca-se como o ponto chique do
centro da cidade, o melhor e o mais simpático logradouro público de
Cajazeiras. É, sem contestação, uma das obras mais importantes realizadas pela
operosa e fecunda administração do atual Prefeito FRANCISCO MATIAS ROLIM.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
RETALHO DE CAJAZEIRAS (1)
O largo que se abre em frente ao Cemitério
Coração de Maria, dando acesso à Rua Padre José Tomaz, é cortado
por um pequeno regato que, no inverno, dificultava um pouco o trânsito, até
mesmo de pedestres, que atra- vessavam aquela artéria, prejudicando, sobretudo, a
passagem de cortejos fú- nebres conduzindo féretros para o sepultamento naquele Cemitério.
Dom Moisés Coelho, nosso 1º Bispo, de saudosa memória, durante a seca de 1919, para socorrer os flagelados de nossa
cidade, aplicou o dinheiro que lhe era enviado do Sul do País por autoridades
civis e religiosas e entidades filantrópicas, em construções de aterros de
ruas, bueiros, e pequenos, pontilhões dentro do pe- rímetro urbano. Deu trabalho
aos famintos, os velhos e moços, homens, mulheres e meninos, os quais, no final
de cada dia, recebiam uma diária em dinheiro, pelo trabalho prestado durante o
horário de serviço.Dom Moisés Coelho, nosso 1º Bispo, de saudosa memória, durante a seca de 1919, para
socorrer os flagelados de nossa cidade, aplicou o dinheiro que lhe era enviado
do Sul do País por autoridades civis e religiosas e entidades filantrópicas, em
construções de aterros de ruas, bueiros, e pequenos, pontilhões dentro do
perímetro urbano. Deu trabalho aos famintos, os velhos e moços, homens,
mulheres e meninos, os quais, no final de cada dia, recebiam uma diária em
dinheiro, pelo trabalho prestado durante o horário de serviço.
Aquele largo, em frente ao Cemitério, foi
beneficiado com a construção de um pequeno pontilhão, que resolveu o problema
da passagem dos transeuntes vindo e voltando da cidade, tornando-se fácil o
acesso ao Cemitério,sobretudo na época invernosa.
Com o correr dos anos, ao lado oeste daquele
logradouro, foi construído um grande prédio escolar, que recebeu, como
homenagem ã memória do grande Bispo filho de Cajazeiras, o nome de: GRUPO
ESCOLAR DOM MOISÉS COELHO.
0 Prefeito OTACÍLIO JUREMA, na gestão do seu
primeiro mandato, desen- volvendo o programa do plano urbanístico de sua
administração, procurando melhorar a paisagem de nossa cidade, construiu ali,
naquele local, uma praça muito bonita, espécie de pequeno bosque, à qual, em
homenagem muito justa prestada pelo Município de Cajazeiras ao nosso sempre
lembrado 1º Bispo recebeu a denominação de - PRAÇA DOM MOISÉS COELHO.
Na atual administração do Prefeito Francisco
Matias Rolim, aquela Praça foi incluída no programa do Plano Diretor da cidade,
para a devida reconstrução, objetivando a modernização de sua estrutura, dando uma
estética nova àquele logradouro, colocando-o entre os mais importantes de nossa
cidade.
Feito o levantamento topográfico daquele
local e elaborado o desenho da planta do projeto de reconstrução da Praça, o
Prefeito Matias Rolim determinou o desmonte da antiga estrutura, atacando os serviços
da nova construção implantando aí, de acordo com as normas da técnica um jardim
moldado em estilo moderno.
No dia 04 de fevereiro de 1978, à noite, com
a presença de autoridades, imprensa falada e escrita, banda de música, escolas
de samba, blocos carnavalescos e povo em ge- ral, o Prefeito Francisco Matias
Rolim de- clarou inaugurada aquela Praça, totalmente restaurada, apresentando, ao
público, de- talhada prestação de conta referente às des- pesas efetuadas com a
reconstrução da- quele logradouro, fazendo a entrega do mesmo ao povo.
Aí está a nova Praça Dom Moisés Coelho,
totalmente reconstruída, dotada de um sistema ultramoderno de luminária, cujo
local é atualmente o ponto chique da cidade, motivando atração, sobretudo à
noite, para os que buscam momentos de lazer num recanto delicioso, usufruindo a
sensação de um passatempo agradável.
A Praça Dom Moisés Coelho, com a nova estética
de logradouro público mo- derno, agrada aos que vi- sitam Cajazeiras e dá uma
impressão maior da paisagem de nossa cidade, destacando a grandeza das
realizações da administração do Prefeito Francisco Matias Rolim que merece, por
isso mesmo, os aplausos da comunidade ca- jazeirense.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Subsídios para a História do Padre Rolim (Professor Antonio de Sousa)
Crônica do Professor Antonio de Sousa
Sob o título: HISTORIA NATURAL de autor sertanejo, editada em 1881, J. DE FIGUEIREDO FILHO (foto), Crato - Ceará, publicou, em setembro de 1973, na Revista Brasileira de Medicina - Vol. 30 – N0 9, importante trabalho de análise histórica sobre "a evolução relativa do Nordeste, nos últimos tempos".
J. DE FIGUEIREDO FILHO, em sua
análise, afirma que "está ainda
longe o momento dessa região sacudir o jugo do subdesenvolvimento". E,
aprofundando o seu pensamento, ele diz: "Não há, porém, motivo para desânimo. Alguns de seus trechos começam
a progredir intensamente e o nordestino, em geral, não é infenso à civilização.
Tem ânsias até de melhorias. Basta simples exemplo, ã guisa de teste”.
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| Edifício da Fundação Cultural J. de Figueiredo Filho no Crato CE |
"Quando comecei o aprendizado das primeiras letras, havia, em minha
cidade natal, apenas três escolas públicas primárias e outra particular. Há agora oito grupos escolares,
superlotados de alunos, no perímetro urbano, várias escolas reunidas e cerca de
duzentos e cinquenta isoladas, na zona rural. Treze ginásios funcionam na sede
municipal, duas faculdades de ensino superior, além de outras tantas em formação,
afora estabelecimentos de cunho profissional"
Desdobrando sua análise histórica,
J. de Figueiredo Filho faz uma interrogação dando a respectiva resposta: "O que era que acontecia, em épocas passadas,
neste Nordeste secas periódicas sem qualquer remédio, cangacerismo político e a
mais crassa ignorância". Figueiredo Filho, enfatizando acrescenta:
"Mesmo em ambiente assim, surgiam núcleos de irradiação de instrução e de
cultura, a lutarem tenazmente contra as mazelas do meio, a fim de modificá-lo
para melhor".
Depois de uma breve digressão sobre a excursão do viajante britânico George Gardner, em 1839, nos ínvios sertões
do Piauí, "que surpreendeu-se em
deparar-se, em Boa Esperança, simples fazenda de Jaicós, com a inteligência”
Com frequência multiforme do
Dr. MARCOS MACEDO, que fizera seus primeiros estudos ali mesmo, naqueles ermos, em Colégio bem orientado pela
abnegação e competência do Padre MARCOS DE ARAÚJO CHAVES FIGUEIREDO FILHO
focaliza a nossa terra, a terra do Padre ROLIM. "Na fazenda Cajazeiras, Paraíba do Norte, presentemente transformada em
cidade, nasceu outra figura pioneira, que se projetaria, nos sertões
nordestinos, de maneira admirável, pelo seu saber e devotamente pela causa da
educação. Foi o Padre INÁCIO DE SOUSA ROLIM que criou educandário, naquelas
paragens, de atuação marcante em vasta zona sertaneja. Não se contentava só ao
currículo das aulas, como também fazia pesquisas e produzia livros para uso
escolar. Era autor de uma gramática da língua grega adotada por muitos
estabelecimentos de ensino do país".
"Na biblioteca do Instituto Cultural do Cariri, em Crato, há velho compêndio
de História Natural, edição de 1881, para o ‘entretimento dos alunos’, como diz
modestamente o autor Padre INÁCIO DE SOUSA ROLIM, Foi impresso na Paraíba,
capital da Paraíba do Norte, agora com o topônimo mudado para João Pessoa, pela
Tipografia Conservadora, à rua Visconde de Pelotas, 24".
Figueiredo Filho faz ponto na
sua definição sobre a História Natural do Padre Rolim, prometendo demorar-se
sobre esse livro didático, em linhas mais abaixo.
Em seguida, passa a dissertar
sobre a fundação do Seminário São José,
no Crato, em pleno centro geográfico do Nordeste, grande
empreendimento levado a efeito pelo primeiro Bispo do Ceara - D. LUIS ANTONIO
DOS SANTOS que, por duas vezes, "percorreu
a cavalo a distância de quase cem léguas, entre Fortaleza e Crato. A finalidade dessa casa de educação
religiosa era modificar o ambiente pela luz da instrução e formar sacerdotes,
alicerçados em sólida cultura e na fé". O vasto prédio que edificou
ainda hoje domina a cidade, com sua imponência. O ilustre prelado logrou ver
seu empreendimento coberto de êxito. O Seminário do Crato formou as elites que,
mais adiante, fariam a renovação cultural e educacional da zona.
Figueiredo Filho menciona
Canindé, também no Ceará, "onde os
capuchinhos fizeram outra obra de grande repercussão no interior cearense o seu
colégio que abrigava centenas de estudantes pobres".
“Tanto
de Cajazeiras, como do Crato e Canindé, saíram numerosos sacerdotes, em menor
quantidade médicos e agricultores com base melhor para vencerem em suas respectivas
profissões.”
Depois de se alongar em sua
apreciação sobre a evolução da obra educacional e cultural implantada nos
sertões do Nordeste, através dessas três cidades - Cajazeiras, Crato e Canindé-,
Figueiredo Filho, conforme prometera linhas acima, volta ao assunto da História
Natural do Padre Rolim.
"Agora tomemos o fio da meada, voltando para a História Natural, do
Padre Inácio de Sousa Rolim. É escrita
em linguagem clara, acessível ao nível intelectual de qualquer aluno secundário".
"Demonstra o alto grau de conhecimentos humanísticos do autor. A pag. 6
evidência do valor incontestável da História Natural, em múltiplas atividades
humanas, incluindo a medicina: ‘A importância prática das ciências ê muito
evidente para que tenhamos necessidade de demonstrar. Para isso nos
convencermos basta lançar os olhos em roda de nós; pensar nas riquezas ocultas
no seio da terra, e nos serviços que a Geologia e a Minerologia dão cada dia a
nossa indústria; ver as plantas tão variadas e tão belas que servem com uma
magnífica prodigalidade, sendo a História Natural a que deve seguir de guia à
agricultura; enumerar esses animais que nos dão carne, a lã, a seda e o mel;
que nos prestam certa força de que nós carecemos; ou que bem longe de nos ser
úteis como as precedentes, destroem colheitas etc. recordar-se enfim a longa
série de enfermidades de que a máquina humana é muitas vezes atormentada; e bem
convencer-se desta verdade que a Medicina se agita como cega, todas às vezes
que não se apoia sobre o estudo científico da natureza humana".
Estuda, com poder de síntese admirável,
classificando-os, os animais, vegetais e minerais. Enumera os 54 elementos
conhecidos, até então, confundindo-os com corpos simples, ã maneira da Química
do tempo. Erudito, conhecedor do latim e do grego, não esquece de dar, em
notas, no fim de cada página, a origem do nome de famílias, ordem etc. em
Botânica ou Zoologia. Exemplifiquemos: "Digitogrados forma-se do Latim - Di gitus: dedo e Gradior: - marchar,
porque eles marcham apoiando no chão somente os dedos. Ornithoríneo é palavra
do grego Opvis, Opvitos - pássaro, Goyssas - bico".
Dá a origem histórica das ciências
naturais a começar pelos estudos de Aristóteles, até o momento quando escreveu
aquele útil livro que não serviu unicamente aos seus alunos de Cajazeiras, mas
a outros educandários do Norte. Sua cidade muito lhe venera a memória,
dando-lhe o nome a rua, instituições e erguendo-lhe estátua.
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| Ruínas do Engenho D'água na localidade de Lameiro - Crato/CE |
Dizem que um seu irmão, Dr. ROLIM,
residia em terras cratenses. Era professor de letras e meio amalucado e por
isso os pais não lhe confiavam as filhas e unicamente os meninos. Na seca de
1877, a doença mental o atacou mais intensamente, como sucede em tempo de
calamidade. Tornou-se até grande benfeitor dos retirantes. Organizou grupo, em
sistema militar, ainda sob influência da guerra do Paraguai. Saia pelos sítios
a fora com seu grupo de esfarrapados, em marcha cadenciada, ã cata de esmolas. Distribuía-as
equitativamente, minorando assim o sofrimento daquela pobre gente. Procedia
melhor do que o comum dos mortais, de juízo mais equilibrado do que ele.
O Padre Inácio de Sousa Rolim
nasceu em 1800, na fazenda Cajazeiras, propriedade de seus genitores, o
cearense Vital de Sousa Rolim e consorte - D. ANA ALBUQUERQUE. Estudou em
Recife e firmou seu nome ali, na qualidade de professor. Em 1843, fundou o
colégio que se notabilizou em todos os setores nordestinos. Foram seus alunos o
Cardeal Arcoverde e o Padre Cícero Romão Batista. A fazenda cresceu em torno do
educandário e da capela que sua genitora edificou. É agora das cidades mais
cultas e prósperas do interior nordestino.
![]() |
| Vista atual da cidade do Crato do Lameiro, hoje uma vila. |
O padre Inácio de Sousa Rolim
foi um dos grandes construtores da civilização nordestina. O documento que
dirigiu ao presidente ANTONIO MARCELINO NUNES GONÇAL- VES mostra das belas facetas
de seu espírito privilegiado.
Anexo, em separata, cópia
autêntica do ofício que o Padre Rolim dirigiu ao Presidente da Província do
Ceará, ANTONIO MARCELINO NUNES GONÇALVES, em 19 de setembro de 1868.
Professor Antonio de Sousa
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Prefácio do livro “Cajazeiras nas crônicas de um Mestre Escola”
Existem diversas maneiras de se conhecer uma
cidade. Possivelmente, a mais sig- nificativa é aquela que se processa através de
seus personagens. E, nesse ponto, CAJAZEIRAS é privilegiada. Padre Rolim,
Cristiano Cartaxo e ANTÔNIO DE SOUSA - só para citar una trilogia - são marcos
ex- plicativos daquela terra e daquela gente.
Hoje, conhecer Cajazeiras, é contatar com
Antônio de Souza. Ele é um acervo vivo, uma memória ambulante, um patrimônio
moral.
"Titonho" (como é familiarmente
identificado) notorializou-se (sic) como PRO- FESSOR. Na verdade, é um professor
de poucos estudos, nas de uma larga expe- riência. Aliás, o conheci
professor, nas nunca o vi dando aulas em sempre - Grupo, Colégio ou Faculdade. É que ele
é professor de uma cidade inteira.
Aqui, prefiro calar-me, pois colhi,
sorrateiramente, frag- mentos de uma sua auto- biografia, Que ele fale, en- tão:
Antônio José de Souza ou Antônio de Souza, como é vulgarmente conhecido, nas- ceu no dia 19 de outubro de 1901, no sítio Cotó, hoje si- tio Fátima, deste Município, filho legítimo de José Rai- mundo de Souza e de Leo- poldina Maria de Jesus. Es- tado civil, solteiro.
Antônio José de Souza ou Antônio de Souza, como é vulgarmente conhecido, nas- ceu no dia 19 de outubro de 1901, no sítio Cotó, hoje si- tio Fátima, deste Município, filho legítimo de José Rai- mundo de Souza e de Leo- poldina Maria de Jesus. Es- tado civil, solteiro.
Seus pais eram camponeses pobres,
descendentes da linhagem dos Gomes Albuquerque. Possuíam uma pe- quena gleba de
terra, da qual tiravam o sustento para manutenção dos seus onze filhos.
Como filho mais velho do casal, Antonio do
Souza passou a infância e a adolescência ajudando o seu pai na luta quotidiana,
no trabalho árduo da a- gricultura, nos serviço de roça, cuidando também da
pequena criação de gado vacum, caprino, ovino e suíno.
As primeiras letras, ler e escrever e a tabuada,
aprendeu com o seu pai. Em outubro de 1912, com 11 anos de idade frequentou,
nela primeira vez, uma escola particular do Mestre (Professor) Samuel
Albuquerque, que funcionava no sítio Cotó, em casa de um padrinho seu.
Frequentou a escola durante um mês. Destacou-se entre os demais alunos pelo
comportamento e pelo adiantamento das lições do Mestre, que o considerou como
um dos mais inteligentes dos seus discípulos.
Desejava estudar no Colégio. Sentia o
chamamento para a vida sacerdotal. Queria ser pa- dre. Seus pais não dispunham de
condições fi- nanceiras para custear as despesas dos estudos para sua formação
sacerdotal. Mas não esmoreceu. Com ingentes sacrifícios conseguiu amealhar
pe- quenas economias, que lhe garantiam o pagamento das despesas de um ano de
estudos no Colégio. Re- solveu abandonar a vivência grosseira da roça, deixar a casa
paterna, trocando o ambiente ma- tuto saturado de monotonia pelo convívio aberto,
agradável e comunicativo da gente da cidade, cu- jo contato transmitia alegria e
um pouco de educação social. E isso já era alguma coisa.
Em fevereiro de 1922 ingressou no Colégio
Padre Rolim como aluno externo, matriculando-se no Curso Primário, que era
feito em três séries, concluindo em 1923. Em 1924 iniciou o Curso Ginasial,
que, naquele tempo, por deficiência pedagógica, o Colégio mantinha apenas as
duas primeiras séries, ou seja, a metade do Curso. Em 1925 concluiu a série ginasial.
Os alunos filhos de pais abastados que tinham condições para concluir o Curso,
deslocavam-se para Recife, Paraíba, capital do Estado ou Fortaleza.
Não dispondo de recursos para con- tinuar seus
estudos, Antonio do Souza resolveu ensinar o que aprendera. Abriu uma escola e
iniciou o exercício do magistério. Fez-se professor.
Além das aulas de sua escola durante o dia, à
noite, dava aulas também à meninada pobre da cidade, na Escola São Vicente de
Paulo, e aos empregados no comércio, na sede da Associação dos Empregados no
Comércio de Cajazeiras (AECC).
Sob os auspícios da mocidade cajazeirense, em
1926 fundou um jor- nal esportivo sob a denominação "0 SPORT", o qual, sob sua
direção, se tornou em órgão político, inde- pendente e noticioso, circunlado aos
domingos. Esse jornal se manteve circulado durante 4 anos.
Cargos que ocupou o desempenhou a partir de 1927 até o
presente ano de 1976. De 1927 a 1928,
balconista das Lojas "A Pernambucana", nesta cidade. De 1928 a 1929 foi
Sacristão, Tesoureiro e Secretário da Paróquia de São João do Rio do Peixe
(hoje Antenor Navarro). De 1929 a 1931, professor do Instituto São Luiz,
dirigido pelo Professor Hildebrando Leal.
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| A paixão pelos livros é bem ilustrada na imagem acima. Antes de entregar |
Meu tio (que orgulho!) é este homem que ora
publica um livro. Não deixa descendente, dei- xa ideias. Não só descreve o
passado, retra- ta, sobretudo o presente, olhando o futuro. Vê longe, sente as
coisas, penetra o interior das pessoas, pois escreve com o coração na mão.
ANTONIO DE SOUZA é um homem de letras, é historiador, é prin- cipalmente um CRONISTA
nato.
Trata-se, portanto, de um MESTRE-ESCOLA que
escreve sobre Cajazeiras em forma de crônicas.
Para justificar o título do livro, foram
recolhidas, no presente volume, 78 crônicas. Existem ainda mais de uma centena
de ou- tras tantas crônicas que não foram publi- cadas. São crônicas diversas
abordando os mais variados assuntos. Crônicas sugestivas e deliciosas. São
crônicas magistrais que tes- temunham a grandeza (vastidão e profundidade) da
cultura desse Professor que enobrece Cajazeiras.
João Pessoa, 26 de agosto de 1981.
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