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sábado, 16 de março de 2013

RETALHO DE CAJAZEIRAS (2)

Praça Nossa Senhora de Fátima (Antiga Praça da Catedral)

Meus dois filhos mais novos em visita à Cajazeiras, posarm em 1987
em frente à Praça da Igreja N. S. de Fátima. Hoje moram em São Paulo
estudam na USP e se formam neste final de ano.
A antiga Praça da Catedral, atualmente denominada - Praça Nossa Senhora de Fátima, foi um logradouro público construído pelo então Prefeito Municipal, Professor KILDEBRANDO LEAL, no segundo ano de sua profícua administração, ou seja, em 1930.

No local daquela Praça em frente à antiga Matriz de Nossa Senhora da Piedade, que serviu de Catedral diocesana durante 42 anos, existia um vasto patamar ladrilhado com enormes tijolões de cerâmica, tendo ao fundo um imponente pedestal em alvenaria de pedra e cal encimado por um grande cruzeiro de madeira, esculpido no rodeio dos cruzeiros existentes, naquela época, em frente às igrejas, simbolizando o instrumento do suplício do Gólgota, onde o Cristo-Jesus foi crucificado, morrendo na Cruz, abrindo o Caminho da redenção dos Pecados da Humanidade.

Abaixo daquele patamar estendia-se um espaçoso largo pontilhado de pequenas ele- vações rochosas. 0 Prefeito Hil- debrando Leal, dotado de lar- ga visão administrativa, or- ganizou e executou um plano ur- banístico moderno procurando mudar e melhorar a imagem paisagística de nossa cidade. Com esse objetive e de acordo com a autoridade diocesana e o vigário da então Catedral, fez a translação do Cruzeiro para o centro do Cemitério Coração de Maria, onde ainda permanece; em seguida demoliu o antigo patamar, rebaixou o aterro, fez o desmonte das pequenas elevações rochosas que existiam no largo abaixo do patamar, aplanou o terreno e construiu novo e moderno patamar naquele local, com o piso cimentado. No largo abaixo, construiu uma pracinha ajardinada, muito bonita, edificou um imponente coreto de cimento-armado, ao centro, o qual é considerado hoje um monumento de rara beleza arquitetônica e faz parte do patrimônio histórico de nossa cidade.

Construída e inaugurada a então Praça da Catedral, hoje Praça Nossa Senhora de Fátima, aquele logra douro público passou a ser o ponto chique da cidade, o local de atração do povo, o centro das mani- festações cívico-religiosas e so- ciais da comunidade, onde se realizavam aos domingos, dias santos e feriados, alegres e con- corridas retretas, sob os a- cordes maviosos da banda de música local, com a presença elegante do mundo social cajazeirense.

Com o correr do tempo, aquela Praça, que é um retalho de Cajazeiras, ficou desusada, abandonada, despre­zada, ser- vindo apenas de reminiscência de um passado feliz.

Atualmente, a Praça Nossa Senhora de Fátima está totalmente transformada. Apre- senta-se com a fisionomia de "menina-moça" trajando uma roupagem de modelo incomum, que lhe dá um colorido de Praça ultramoderna, com um aspecto muito elegante, atraente, deixando transparecer a formosura de sua beleza.

0 Prefeito Francisco Matias Rolim, homem público dotado de uma perspicácia admirável, que o faz conhecedor de todos os problemas afetos às necessidades do povo e aos interesses do de- senvolvimento da comuna que administra, resolveu demolir aquela Praça, exceto o coreto que fica ao centro da mesma, que é um monumento histórico, e construir, naquele local, um logradouro diferente, uma Praça com "pê maiúsculo" sob processo moderno de estrutura técnica avançada, dotando-a dos re- quisitos de beleza e de encanto.


E ai está, em frente ã Matriz de Nossa Senhora de Fátima, a nova Praça; uma Praça bonita, formosa e elegante, que serve de admiração aos nossos visitantes, e ê motivo de orgulho par os cajazeirenses de boa-vontade.

Portanto, a Praça Nossa Senhora de Fátima, que é uma motivação turística de nossa terra, destaca-se como o ponto chique do centro da cidade, o melhor e o mais simpá­tico logradouro público de Cajazeiras. É, sem contestação, uma das obras mais importantes realizadas pela operosa e fecunda administração do atual Prefeito FRANCISCO MATIAS ROLIM.



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

RETALHO DE CAJAZEIRAS (1)

     O largo que se abre em frente ao Cemitério Coração de Maria, dando acesso à Rua Padre José Tomaz, é cortado por um pequeno regato que, no inverno, dificultava um pouco o trânsito, até mesmo de pedestres, que atra- vessavam aquela artéria, prejudicando, sobretudo, a passagem de cortejos fú- nebres conduzindo féretros para o sepultamento naquele Cemitério.
     Dom Moisés Coelho, nosso 1º Bispo, de saudosa memória, durante a seca de 1919, para socorrer os flagelados de nossa cidade, aplicou o dinheiro que lhe era enviado do Sul do País por autoridades civis e religiosas e entidades filantrópicas, em construções de aterros de ruas, bueiros, e pequenos, pontilhões dentro do pe- rímetro urbano. Deu trabalho aos famintos, os velhos e moços, homens, mulheres e meninos, os quais, no final de cada dia, recebiam uma diária em dinheiro, pelo trabalho prestado durante o horário de serviço.Dom Moisés Coelho, nosso 1º Bispo, de saudosa  memória, durante a seca de 1919, para socorrer os flagelados de nossa cidade, aplicou o dinheiro que lhe era enviado do Sul do País por autoridades civis e religiosas e entidades filantrópicas, em construções de aterros de ruas, bueiros, e pequenos, pontilhões dentro do perímetro urbano. Deu trabalho aos famintos, os velhos e moços, homens, mulheres e meninos, os quais, no final de cada dia, recebiam uma diária em dinheiro, pelo trabalho prestado durante o horário de serviço.
     Aquele largo, em frente ao Cemitério, foi beneficiado com a construção de um pequeno pontilhão, que resolveu o problema da passagem dos transeuntes vindo e voltando da cidade, tornando-se fácil o acesso ao Cemitério,sobretudo na época invernosa.
     Com o correr dos anos, ao lado oeste daquele logradouro, foi construído um grande prédio escolar, que recebeu, como homenagem ã memória do grande Bispo filho de Cajazeiras, o nome de: GRUPO ESCOLAR DOM MOISÉS COELHO.
     0 Prefeito OTACÍLIO JUREMA, na gestão do seu primeiro mandato, desen- volvendo o programa do plano urbanístico de sua administração, procurando melhorar a paisagem de nossa cidade, construiu ali, naquele local, uma praça muito bonita, espécie de pequeno bosque, à qual, em homenagem muito justa prestada pelo Município de Cajazeiras ao nosso sempre lembrado 1º Bispo recebeu a denominação de - PRAÇA DOM MOISÉS COELHO.
     Na atual administração do Prefeito Francisco Matias Rolim, aquela Praça foi incluída no programa do Plano Diretor da cidade, para a devida reconstrução, objetivando a modernização de sua estrutura, dando uma estética nova àquele logradouro, colocando-o entre os mais importantes de nossa cidade.
     Feito o levantamento topográfico daquele local e elaborado o desenho da planta do projeto de reconstrução da Praça, o Prefeito Matias Rolim determinou o desmonte da antiga estrutura, atacando os serviços da nova construção implantando aí, de acordo com as normas da técnica um jardim moldado em estilo moderno.
No dia 04 de fevereiro de 1978, à noite, com a presença de autoridades, imprensa falada e escrita, banda de música, escolas de samba, blocos carnavalescos e povo em ge- ral, o Prefeito Francisco Matias Rolim de- clarou inaugurada aquela Praça, totalmente restaurada, apresentando, ao público, de- talhada prestação de conta referente às des- pesas efetuadas com a reconstrução da- quele logradouro, fazendo a entrega do mesmo ao povo.
Aí está a nova Praça Dom Moisés Coelho, totalmente reconstruída, dotada de um sistema ultramoderno de luminária, cujo local é atualmente o ponto chique da cidade, motivando atração, sobretudo à noite, para os que buscam momentos de lazer num recanto delicioso, usufruindo a sensação de um passatempo agradável.
      A Praça Dom Moisés Coelho, com a nova estética de logradouro público mo- derno, agrada aos que vi- sitam Cajazeiras e dá uma impressão maior da paisagem de nossa cidade, destacando a grandeza das realizações da administração do Prefeito Francisco Matias Rolim que merece, por isso mesmo, os aplausos da comunidade ca- jazeirense.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Subsídios para a História do Padre Rolim (Professor Antonio de Sousa)

Crônica do Professor Antonio de Sousa

Sob o título: HISTORIA NATURAL de autor sertanejo, editada em 1881, J. DE FIGUEIREDO FILHO (foto), Crato - Ceará, publicou, em setembro de 1973, na Revista Brasileira de Medicina - Vol. 30 – N0 9, importante trabalho de análise histórica sobre "a evolução relativa do Nordeste, nos últimos tempos".
J. DE FIGUEIREDO FILHO, em sua análise, afirma que "está ainda longe o momento dessa região sacudir o jugo do subdesenvolvimento". E, aprofundando o seu pensamento, ele diz: "Não há, porém, motivo para desânimo. Alguns de seus trechos começam a progredir intensamente e o nordestino, em geral, não é infenso à civilização. Tem ânsias até de melhorias. Basta simples exemplo, ã guisa de teste”.
Edifício da Fundação Cultural  J.
 de Figueiredo Filho no Crato CE

"Quando comecei o aprendizado das primeiras letras, havia, em minha cidade natal, apenas três escolas públicas primárias e outra particular. Há agora oito grupos  escolares, superlotados de alunos, no perímetro urbano, várias escolas reunidas e cerca de duzentos e cinquenta isoladas, na zona rural. Treze ginásios funcionam na sede municipal, duas faculdades de ensino superior, além de outras tantas em formação, afora estabelecimentos de cunho profissional"
Desdobrando sua análise histórica, J. de Figueiredo Filho faz uma interrogação dando a respectiva resposta: "O que era que acontecia, em épocas passadas, neste Nordeste secas periódicas sem qualquer remédio, cangacerismo político e a mais crassa ignorância". Figueiredo Filho, enfatizando acrescenta: "Mesmo em ambiente assim, surgiam núcleos de irradiação de instrução e de cultura, a lutarem tenazmente contra as mazelas do meio, a fim de modificá-lo para melhor".
Depois de uma breve digressão sobre a excursão do viajante britânico George Gardner, em 1839, nos ínvios sertões do Piauí, "que surpreendeu-se em deparar-se, em Boa Esperança, simples fazenda de Jaicós, com a inteligência”
Com frequência multiforme do Dr. MARCOS MACEDO, que fizera seus primeiros estudos ali mesmo, naqueles ermos, em Colégio bem orientado pela abnegação e competência do Padre MARCOS DE ARAÚJO CHAVES FIGUEIREDO FILHO focaliza a nossa terra, a terra do Padre ROLIM. "Na fazenda Cajazeiras, Paraíba do Norte, presentemente transformada em cidade, nasceu outra figura pioneira, que se projetaria, nos sertões nordestinos, de maneira admirável, pelo seu saber e devotamente pela causa da educação. Foi o Padre INÁCIO DE SOUSA ROLIM que criou educandário, naquelas paragens, de atuação marcante em vasta zona sertaneja. Não se contentava só ao currículo das aulas, como também fazia pesquisas e produzia livros para uso escolar. Era autor de uma gramática da língua grega adotada por muitos estabelecimentos de ensino do país".
"Na biblioteca do Instituto Cultural do Cariri, em Crato, há velho compêndio de História Natural, edição de 1881, para o ‘entretimento dos alunos’, como diz modestamente o autor Padre INÁCIO DE SOUSA ROLIM, Foi impresso na Paraíba, capital da Paraíba do Norte, agora com o topônimo mudado para João Pessoa, pela Tipografia Conservadora, à rua Visconde de Pelotas, 24".
Figueiredo Filho faz ponto na sua definição sobre a História Natural do Padre Rolim, prometendo demorar-se sobre esse livro didático, em linhas mais abaixo.
Em seguida, passa a dissertar sobre a fundação do Seminário São José, no Crato, em pleno centro geográfico do Nordeste, grande empreendimento levado a efeito pelo primeiro Bispo do Ceara - D. LUIS ANTONIO DOS SANTOS que, por duas vezes, "percorreu a cavalo a distância de quase cem léguas, entre Fortaleza e Crato. A finalidade dessa casa de educação religiosa era modificar o ambiente pela luz da instrução e formar sacerdotes, alicerçados em sólida cultura e na fé". O vasto prédio que edificou ainda hoje domina a cidade, com sua imponência. O ilustre prelado logrou ver seu empreendimento coberto de êxito. O Seminário do Crato formou as elites que, mais adiante, fariam a renovação cultural e educacional da zona.
Figueiredo Filho menciona Canindé, também no Ceará, "onde os capuchinhos fizeram outra obra de grande repercussão no interior cearense o seu colégio que abrigava centenas de estudantes pobres".
“Tanto de Cajazeiras, como do Crato e Canindé, saíram numerosos sacerdotes, em menor quantidade médicos e agricultores com base melhor para vencerem em suas respectivas profissões.”
Depois de se alongar em sua apreciação sobre a evolução da obra educacional e cultural implantada nos sertões do Nordeste, através dessas três cidades - Cajazeiras, Crato e Canindé-, Figueiredo Filho, conforme prometera linhas acima, volta ao assunto da História Natural do Padre Rolim.
"Agora tomemos o fio da meada, voltando para a História Natural, do Padre Inácio de Sousa Rolim. É escrita em linguagem clara, acessível ao nível intelectual de qualquer aluno secundário".
"Demonstra o alto grau de conhecimentos humanísticos do autor. A pag. 6 evidência do valor incontestável da História Natural, em múltiplas atividades humanas, incluindo a medicina: ‘A importância prática das ciências ê muito evidente para que tenhamos necessidade de demonstrar. Para isso nos convencermos basta lançar os olhos em roda de nós; pensar nas riquezas ocultas no seio da terra, e nos serviços que a Geologia e a Minerologia dão cada dia a nossa indústria; ver as plantas tão variadas e tão belas que servem com uma magnífica prodigalidade, sendo a História Natural a que deve seguir de guia à agricultura; enumerar esses animais que nos dão carne, a lã, a seda e o mel; que nos prestam certa força de que nós carecemos; ou que bem longe de nos ser úteis como as precedentes, destroem colheitas etc. recordar-se enfim a longa série de enfermidades de que a máquina humana é muitas vezes atormentada; e bem convencer-se desta verdade que a Medicina se agita como cega, todas às vezes que não se apoia sobre o estudo científico da natureza humana".
Estuda, com poder de síntese admirável, classificando-os, os animais, vegetais e minerais. Enumera os 54 elementos conhecidos, até então, confundindo-os com corpos simples, ã maneira da Química do tempo. Erudito, conhecedor do latim e do grego, não esquece de dar, em notas, no fim de cada página, a origem do nome de famílias, ordem etc. em Botânica ou Zoologia. Exemplifiquemos: "Digitogrados forma-se do Latim - Di gitus: dedo e Gradior: - marchar, porque eles marcham apoiando no chão somente os dedos. Ornithoríneo é palavra do grego Opvis, Opvitos - pássaro, Goyssas - bico".
Dá a origem histórica das ciências naturais a começar pelos estudos de Aristóteles, até o momento quando escreveu aquele útil livro que não serviu unicamente aos seus alunos de Cajazeiras, mas a outros educandários do Norte. Sua cidade muito lhe venera a memória, dando-lhe o nome a rua, instituições e erguendo-lhe estátua.
Ruínas do Engenho D'água na
localidade de Lameiro - Crato/CE
Muito se vinculou ao Cariri cearense, onde possuía sítio no Lameiro no município do Crato. Mão se limitava somente ao estudo teórico das ciências naturais. Procurava desvendar a flora da chapada do Araripe, ao sopé da qual encravava-se a sua propriedade. Identificou fibras têxteis que pode riam substituir o linho. Procurou introduzir, no Lameiro, a cultura do linho e de outras variedades importadas. Dirigiu ofício, em busca de sementes, ao presidente do Ceará de então- Marcelino Nunes Gonçalves. Tal documento publicaremos ao encerrar este trabalho, colhido de EFEMÉRIDES DO CARIRI do escritor IRIHEU FINHEIRO e editado pela Imprensa Universitária do Ceará.
Dizem que um seu irmão, Dr. ROLIM, resi­dia em terras cratenses. Era professor de letras e meio amalucado e por isso os pais não lhe confiavam as filhas e unicamente os meninos. Na seca de 1877, a doença mental o atacou mais intensamente, como sucede em tempo de calamidade. Tornou-se até grande benfeitor dos retirantes. Organizou grupo, em sistema militar, ainda sob influência da guerra do Paraguai. Saia pelos sítios a fora com seu grupo de esfarrapados, em marcha cadenciada, ã cata de esmolas. Distribuía-as equitativamente, minorando assim o sofrimento daquela pobre gente. Procedia melhor do que o comum dos mortais, de juízo mais equilibrado do que ele.
O Padre Inácio de Sousa Rolim nasceu em 1800, na fazenda Cajazeiras, propriedade de seus genitores, o cearense Vital de Sousa Rolim e consorte - D. ANA ALBUQUERQUE. Estudou em Recife e firmou seu nome ali, na qualidade de professor. Em 1843, fundou o colégio que se notabilizou em todos os setores nordestinos. Foram seus alunos o Cardeal Arcoverde e o Padre Cícero Romão Batista. A fazenda cresceu em torno do educandário e da capela que sua genitora edificou. É agora das cidades mais cultas e prósperas do interior nordestino.
Vista atual da cidade do Crato do Lameiro, hoje uma vila.
A cultura de trigo do Padre Rolim. no Lameiro, on- de fundou também capela, já destruída pelo tempo, deu resultado, pela intensa caní- cula dos meses terminados em bê-erre-o-brô - setembro, ou- tubro, novembro e de- zembro.
O padre Inácio de Sousa Rolim foi um dos grandes construtores da civilização nordestina. O documento que dirigiu ao presidente ANTONIO MARCELINO NUNES GONÇAL- VES mostra das belas facetas de seu espírito privilegiado.
Anexo, em separata, cópia autêntica do ofício que o Padre Rolim dirigiu ao Presidente da Província do Ceará, ANTONIO MARCELINO NUNES GONÇALVES, em 19 de setembro de 1868.
                                      
                                      Cajazeiras, 19 de dezembro de 1978.
                                            Professor Antonio de Sousa


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Prefácio do livro “Cajazeiras nas crônicas de um Mestre Escola”

            Existem diversas maneiras de se conhecer uma cidade. Possivelmente, a mais sig- nificativa é aquela que se processa através de seus personagens. E, nesse ponto, CAJAZEIRAS é privilegiada. Padre Rolim, Cristiano Cartaxo e ANTÔNIO DE SOUSA - só para citar una trilogia - são marcos ex- plicativos daquela terra e daquela gente.
       Hoje, conhecer Cajazeiras, é contatar com Antônio de Souza. Ele é um acervo vivo, uma memória ambulante, um patrimônio moral.
             "Titonho" (como é familiarmente identificado) notorializou-se (sic) como PRO- FESSOR. Na verdade, é um professor de poucos estudos, nas de uma larga expe- riência. Aliás, o conheci professor, nas nunca o vi dando aulas em sempre - Grupo, Colégio ou Faculdade. É que ele é professor de uma cidade inteira.
    Aqui, prefiro calar-me, pois colhi, sorrateiramente, frag- mentos de uma sua auto- biografia, Que ele fale, en- tão:
     Antônio José de Souza ou Antônio de Souza, como é vulgarmente conhecido, nas- ceu no dia 19 de outubro de 1901, no sítio Cotó, hoje si- tio Fátima, deste Município, filho legítimo de José Rai- mundo de Souza e de Leo- poldina Maria de Jesus. Es- tado civil, solteiro.
Seus pais eram camponeses pobres, descendentes da linhagem dos Gomes Albuquerque. Possuíam uma pe- quena gleba de terra, da qual tiravam o sustento para manutenção dos seus onze filhos.
   Como filho mais velho do casal, Antonio do Souza passou a infância e a adolescência ajudando o seu pai na luta quotidiana, no trabalho árduo da a- gricultura, nos serviço de roça, cuidando também da pequena criação de gado vacum, caprino, ovino e suíno.
As primeiras letras, ler e escrever e a tabuada, aprendeu com o seu pai. Em outubro de 1912, com 11 anos de idade frequentou, nela primeira vez, uma escola particular do Mestre (Professor) Samuel Albuquerque, que funcionava no sítio Cotó, em casa de um padrinho seu. Frequentou a escola durante um mês. Destacou-se entre os demais alunos pelo comportamento e pelo adiantamento das lições do Mestre, que o considerou como um dos mais inteligentes dos seus discípulos.
    Desejava estudar no Colégio. Sentia o chamamento para a vida sacerdotal. Queria ser pa- dre. Seus pais não dispunham de condições fi- nanceiras para custear as despesas dos estudos para sua formação sacerdotal. Mas não esmoreceu. Com ingentes sacrifícios conseguiu amealhar pe- quenas economias, que lhe garantiam o pagamento das despesas de um ano de estudos no Colégio. Re- solveu abandonar a vivência grosseira da roça, deixar a casa paterna, trocando o ambiente ma- tuto saturado de monotonia pelo convívio aberto, agradável e comunicativo da gente da cidade, cu- jo contato transmitia alegria e um pouco de educação social. E isso já era alguma coisa.
Em fevereiro de 1922 ingressou no Colégio Padre Rolim como aluno externo, matriculando-se no Curso Primário, que era feito em três séries, concluindo em 1923. Em 1924 iniciou o Curso Ginasial, que, naquele tempo, por deficiência pedagógica, o Colégio mantinha apenas as duas primeiras séries, ou seja, a metade do Curso. Em 1925 concluiu a série ginasial. Os alunos filhos de pais abastados que tinham condições para concluir o Curso, deslocavam-se para Recife, Paraíba, capital do Estado ou Fortaleza.
Não dispondo de recursos para con- tinuar seus estudos, Antonio do Souza resolveu ensinar o que aprendera. Abriu uma escola e iniciou o exercício do magistério. Fez-se professor.
Além das aulas de sua escola durante o dia, à noite, dava aulas também à meninada pobre da cidade, na Escola São Vicente de Paulo, e aos empregados no comércio, na sede da Associação dos Empregados no Comércio de Cajazeiras (AECC).
   Sob os auspícios da mocidade cajazeirense, em 1926  fundou um jor- nal esportivo sob a denominação "0 SPORT", o qual, sob sua direção, se tornou em órgão político, inde- pendente e noticioso, circunlado aos domingos. Esse jornal se manteve circulado durante 4 anos.
     Cargos que ocupou o  desempenhou a partir de 1927 até o presente ano de 1976. De 1927 a 1928, balconista das Lojas "A Pernambucana", nesta cidade. De 1928 a 1929 foi Sacristão, Tesoureiro e Secretário da Paróquia de São João do Rio do Peixe (hoje Antenor Navarro). De 1929 a 1931, professor do Instituto São Luiz, dirigido pelo Professor Hildebrando Leal.
A paixão pelos livros é bem ilustrada na
 imagem acima. Antes de entregar

Em 1932, durante 8 meses, auxiliar de es- critório na Residência de Campo da Ins- petoria Federal de Obras Contra as Secas, na rodovia Cajazeiras - Pombal. De novembro de 1932 a fevereiro de 1934, Tesoureiro da Prefeitura de Itabaiana e Diretor do Jornal Oficial do Município - "A FOLHA". De fevereiro a julho de 1934, durante 6 meses, Professor Público dos presos da Cadela Pública de João Pessoa e Censor do Governo junto á im- prensa da Oposição, na Capital do Estado. De julho de 1934 a dezembro de 1937, auxiliar de escrita no Escritório da Estação Ex- perimental de Fruticultura Tropical, do Mi- nistério da Agricultura, sediada no município de Espírito Santo, Paraíba. Em 1938 a 1939, Fiscal do Governo do Estado junto à Aca- demia de Comércio de Itabaiana. De 1940 a 1942, Redator-Secretário do jornal semanário “0 ESTADO NOVO", de Cajazeiras. De 1942 a 1944, Fiscal do DNOCS, na construção da Rodovia "TRANSNORDESTINA", trecho - Ipaumirim -Barro - Milagres - Brejo Santo - Macapá, no Ceará. Em 1945, durante 6 meses, contabilista da Prefeitura de Cajazeiras. De 1945 a 1947, Secretário da Prefeitura de Cajazeiras. Nomeado interinamente Prefeito de Cajazeiras, pelo Interventor Federal do Estado Dr. José Gomes da Silva, ocupou esse cargo durante um mês, de fevereiro a março de 1947. De fevereiro de 1948 a março de 1949, auxiliar de escrita no Escritório da Residência do DNOCS, em Catingueira, Piancó. De 1949 a 1951, Administrador da Conserva da Rodovia Central da Paraíba, trecho São Bento - Pombal - Aparecida- Sousa- São Gonçalo - Cajazeiras - Itaumirim, Ceará. Igualmente administrou, na mesma época, os serviços de conserva da rodagem do triângulo de Pombal - Jericó - Catolé do Rocha. De 1951 a 1963, Inspetor Municipal do Ensino, em Cajazeiras, cargo em cujas funções se aposentou. Desde Janeiro de 1961, Secretário do Colégio Municipal Monsenhor Constantino Vieira, cargo ainda ocupa, exercendo ainda, desde julho de 1974 as funções do Secretario da Biblioteca Pública Municipal.
    Meu tio (que orgulho!) é este homem que ora publica um livro. Não deixa descendente, dei- xa ideias. Não só descreve o passado, retra- ta, sobretudo o presente, olhando o futuro. Vê longe, sente as coisas, penetra o interior das pessoas, pois escreve com o coração na mão. ANTONIO DE SOUZA é um homem de letras, é historiador, é prin- cipalmente um CRONISTA nato.
Trata-se, portanto, de um MESTRE-ESCOLA que escreve sobre Cajazeiras em forma de crônicas.
Para justificar o título do livro, foram recolhidas, no presente volume, 78 crônicas. Existem ainda mais de uma centena de ou- tras tantas crônicas que não foram publi- cadas. São crônicas diversas abordando os mais variados assuntos. Crônicas sugestivas e deliciosas. São crônicas magistrais que tes- temunham a grandeza (vastidão e profundidade) da cultura desse Professor que enobrece Cajazeiras.


ANTONIO DE SOUZA SOBRINHO Professor da UFPb (foto)
João Pessoa, 26 de agosto de 1981.