sábado, 22 de outubro de 2011

Dr. Dingo e a minhas lembranças

Quando passo em frente ao Estádio Higino Pires Ferreira e vejo na esquina o edifício da Cervarp, constato com tristeza a lembrança que me vem à memória que naquela casa morava Dr. Dingo Sobreira. Para quem não é cajazeirense não significa nada, até para os mais jovens cajazeirenses. Atrás da casa de Dr. Dingo era os fundos da casa Major Galdino com a sua vistosa e portentosa caixa d’água que me lembra os tempos que Cajazeiras não tinha água encanada.
Dr. Dingo, salvo se a memória não me falha, junto com Dr. Abdiel Rolim eram os únicos dentistas de Cajazeiras. Aliados a eles haviam vários práticos reconhecidos legalmente, coisa hoje inexistente por força da Constituição de 1988.
Antonio Dentista, Dudu, Valdeci e os mais novos como o Sinfrônio, Sinval e Zé Alme, entre outros, 3 pela força da profissão galgaram cadeira na Câmara Municipal. Dr. Abdiel por ser formado já foi mais longe, elegeu-se duas vezes vice-prefeito em candidaturas independentes, chegando a assumir interinamente a Prefeitura por doença do então prefeito Francisco Matias Rolim.
Claro que tudo escrevi anteriormente é uma homenagem aos nossos antigos Tiradentes, formados ou não, na pessoa do saudoso Dr. Dingo que marcou indelevelmente a profissão dos odontólogos. Tinha o seu consultório na Rua Tenente Sabino, defronte à tradicional barbearia do Fernando Simão. Lembro-me do seu consultório, uma casa residencial transformada no seu consultório. Na entrada a recepção e ao lado a salda onde ele atencia os clientes com suas três janelas com vitrais multicoloridos. Dr. Dingo era filho de um comerciante tradicional, Sr. Chico Sobreira, dono da tradicional Casa Moderna, loja de aviamentos, logo no início da Rua Juvêncio Carneiro defronte á Praça Coração de Jesus.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Fotos Francisco Ferreira







ZEILTO: 25 ANOS, "UM EXPOENTE DA COMUNICAÇÃO"!




ZEILTO E O CANTOR NILTON CESAR (Foto Arquivo de Francisca Lima (Viúva)  
CLEMILDO BRUNET*
    Acabam-se os nossos anos como um breve pensamento. Porque tudo passa rapidamente, e nós voamos. Palavras do grande Legislador de Israel e libertador do povo de Deus, chamado Moisés. 
    Nossa vida jamais teria sentido, se não tivéssemos na memória o que fomos no passado. Esta possibilidade faz com que possamos reparar os nossos erros de outrora, corrigindo-os; para dar prosseguimento as nossas ações aqui. 
    O Apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso declarou: “Que nada trouxemos para este mundo e nada levaremos dele”.
    Nesta coluna vai a nossa homenagem a um expoente da comunicação pombalense, que merece todo nosso apreço, já que este ano, marca o jubileu de prata de sua partida para outra esfera. Há Vinte e cincos Anos que este comunicador, conhecido como o homem dos sete instrumentos, deixou o nosso convívio. 
    Zeilto Trajano de Sousa, nasceu em Pombal no dia 16 de abril de 1944, filho do casal Otacílio e Nely (em memória), tendo como irmãos, Mª do Socorro, Zelita, Francisca Zita, Mª do Carmo e Otacílio Trajano, este último, ainda hoje milita no rádio. Contraiu núpcias com Francisca de Lima Sousa, nascendo dessa união quatro elegantes garotas: Nadja Rejane, Alba, Kátia e Márcia. 
    Começou suas atividades em microfone desde os tempos áureos de Serviço de Alto Falantes, iniciando na Difusora Rádio Maringá de propriedade do Sr. Raimundo Lacerda (Conhecido por Raimundo Sacristão) no começo dos anos sessenta. Exerceu na sua labuta o tipo garoto propaganda, quando dos memoráveis queimas de tecidos das Lojas Paulista, fazia o seu périplo em um carro de som pelas ruas da nossa cidade e aos sábados animava as feiras na porta da loja, conclamando os transeuntes para comprar mais barato. 
    Ainda me lembro de um queima de tecidos com a locução feita por Zeilto, que provocou uma fila enorme de pessoas para as compras. Ele dizia assim: “Quem quer vem, quem não quer manda, não mande ninguém em seu lugar, venha você mesmo comprar”. 
    Tive a oportunidade de me aproximar de Zeilto, quando na Difusora de Raimundo Sacristão em 1962, eu fazia a vez dos que são chamados hoje de operadores de som (sonoplasta). No crepúsculo de uma tarde em que os raios de sol começavam a declinar, Zeilto me pedia para tocar sua música predileta: “Tu Précio” de Bienvenido Grande, e ia para a esquina, entre as ruas Francisco de Assis e João Pessoa, acendendo o cigarro, curtia a melodia que saía do Projetor de som do Mercado Público. 
    Zeilto, fez Programa de Calouros dentro do próprio Studio, onde havia grande ajuntamento de pessoas; eu fui um desses calouros e cantei a música sucesso da época: “Boneca Cobiçada” de Palmeira e Biá, gravada anos depois pelo cantor Antonio Marcos. Nesse tempo, comecei a soltar minha voz ainda infantil no microfone e as pessoas nas ruas indagavam: Quem é a menina que está falando na Difusora Maringá? 
    Em 1966, veio o Serviço de Alto Falantes “A Voz da Cidade” de minha propriedade, tinha acoplado um transmissor de fabricação caseira em ondas curtas na freqüência de três mil e pouco kilociclos. Zeilto veio fazer parte e comandava alguns programas musicais, destaque para “Almoço a Brasileira” e Jornalístico: “O Positivo e o Negativo” além do “Comentário do Dia”, apresentava o Jornal da Emissora. 
    Em 1967, Zeilto adentrava ao Studio da Rádio Alto Piranhas de Cajazeiras e pouco tempo depois já exercia as funções de Diretor. Foi em Cajazeiras que Zeilto veio projetar-se no rádio sertanejo, e conquistou audiência na região com os programas criados por ele: “Discoteca Dinamite” de cunho jornalístico, o mais polêmico da época; o DDD e DDI, que apresentava crônicas em parceria com o médico Júlio Maria Bandeira, chegando a causar “frisson” na Polícia Federal, que especulava o significado dessas letras. “Nosso Encontro com Nelson” aos domingos, até hoje permanece. Este programa ao completar 15 anos, Zeilto teve a proeza de trazer Nelson Gonçalves a Cajazeiras para um show no sábado a noite e o comparecimento ao vivo do cantor, ao Programa no domingo pela manhã para uma entrevista. 
    Nos eventos que se registravam em Pombal, Zeilto trazia a Rádio Alto Piranhas. Ainda me lembro, como fui honrado por ele em uma transmissão da Rádio Alto Piranhas direto do Cine Lux na cobertura da Convenção Municipal do MDB. Na ocasião eu era o locutor do Partido e ele, depois de fazer a conexão com a emissora, virou-se pra mim e entregando-me o microfone disse: Se vire, e foi embora do local. 
    De outra feita numa visita que eu fiz a Rádio Alto Piranhas, Zeilto me entregou uma Carteira funcional nomeando-me repórter correspondente da emissora em Pombal. Anos depois, em 1993, a Rádio Alto Piranhas, agora sob nova direção, contratava os meus serviços profissionais; tamanha foi a minha emoção ao sentir que estava em um meio de comunicação que Zeilto havia exercido suas atividades e ao colocar meus olhos no livro de registro, encontrei a página onde estava a foto dele e seu registro profissional, a emoção bateu mais forte ainda. 
    A Festa do Rosário, tornou-se mais conhecida na região. Todos os anos, Zeilto a acompanhava transmitindo através da Rádio Alto Piranhas a parte religiosa da Festa. Outro evento que a Alto Piranhas se fez presente por intermédio dele, foi a Grande Festa realizada no Pombal Ideal Clube, intitulada: “A Paraíba em uma Noite”. Zeilto, ainda fez cobertura para a Rádio Alto Piranhas da Inauguração da Rodovia Federal BR 427 que liga a nossa cidade ao Rio Grande do Norte, quando da vinda a Pombal do Ministro dos Transportes de Então, Mário Andreazza. 
    Zeilto era conhecido pela sua habilidade nas artes, era músico e como tal, fundou sua própria Orquestra em Cajazeiras, chamada “CHAVERON”; e pela versatilidade que possuía, Zeilto formou mais duas orquestras: a Chavereque e a Oritimbó, isto no decorrer de três anos, animando os Carnavais e matinês dos Clubes de Cajazeiras. Por sinal tocou vários Carnavais na região e uma vez animou um Carnaval no Pombal Ideal Clube. Chegando até compor uma música de Carnaval com o título: “Maroaje”. 
    Amou tanto a terra de Padre Rolim, que criou dois Slogans para enaltecer Cajazeiras: Costumava dizer nos microfones da Rádio Alto Piranhas: “Minha Linda Cajazeiras” e em uma vinheta da emissora: “Rádio Alto Piranhas a única emissora em Cajazeiras que o Nordeste conhece”. 
    Após dezoito anos na Rádio Alto Piranhas, Zeilto foi levar a sua voz para João Pessoa capital do nosso estado, assumindo a direção comercial da Rádio Arapuã e despertava os pessoenses com o seu Programa: “Café da Manhã”. 
    Um dia, no cumprimento de sua missão, Zeilto trilhou a sua última caminhada no rádio, estava cumprindo mais uma jornada de trabalho, sem saber que aquele dia, seria o último de sua carreira. Compareceu ao aeroporto – Castro Pinto em João Pessoa, para fazer a cobertura jornalística da visita do Presidente da República de então, General João Batista de Figueiredo, que veio a Paraíba cumprir agenda de compromissos do Governo Federal para com o nosso Estado. Zeilto com brilhantismo fez o seu trabalho e ao finalizá-lo, de repente, se sentiu cansado, debruçou-se sobre a direção de seu carro e disse: “Está escurecendo”, foram suas últimas palavras. Ficou em coma, acometido de aneurisma cerebral e após alguns dias, veio a falecer no centro de terapia intensiva da casa de saúde São Vicente de Paula em João Pessoa, no dia 25 de agosto de 1982. 
    Seu sepultamento foi realizado no Cemitério Nossa Senhora do Carmo em Pombal com grande acompanhamento, principalmente de seus colegas de Profissão, tanto da Capital, como do interior. A Rádio Maringá, da qual Zeilto, através do convite que lhe fiz, presidiu o Cerimonial de Inauguração, transmitiu para uma rede de emissoras no Estado, a missa de corpo presente na Matriz do Bom Sucesso e acompanhou as homenagens no campo santo, ocasião em que o Radialista e Jornalista Lenilson Guedes, falou em nome dos colegas. 
    Zeilto cumpriu bem a sua missão sendo querido de todos os políticos que foram entrevistados por ele. Esse radialista emudeceu sua voz que arrebatava ouvintes e empolgava multidões. Polêmico, vibrante, versátil, ativo e participante, um polivalente. Expoente da Comunicação!
    Radialista ou Jornalista, vive da história dos outros. E isto me faz lembrar uma canção interpretada por Altemar Dutra, que leva o nome: “EU CANTO A MINHA DOR” composição de Toso Gomes e Antonio Correia, cuja letra diz assim: Eu pego o violão, e canto a dor alheia, Também minha alma anseia e Canto a minha dor, nesta canção. E tão emocional meus olhos rasos d’água, Me faz sentimental, meu coração ficou cheio de mágoa. Abre a janela e vem, ouvir a voz de quem Deu tudo que era seu E nada recebeu, E há de saber por quem a minha voz vagueia, Eu canto a minha dor, não canto a dor alheia. 

     *RADIALISTA 


CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com  


: http://clemildo-brunet.blogspot.com/



domingo, 7 de agosto de 2011

A Tribuna de Júlio Bandeira

O primeiro número do jornal data de abril (1953), o mesmo mês da morte, de Júlio Bandeira, dia 30. Tribuna do Sertão devia ser mantida pelos amigos, mercê dos anúncios inseridos em suas quatro páginas. Penso que a existência da TS não mereceu maior atenção panegírica, talvez pela sua curta vida, 4 ou 5 números, como especulei em artigo no Gazeta do Alto Piranhas, (nº 395, 07 a 13/07/2006), ao remexer velhos papeis para subsidiar meu último livro. Acho que nem Júlio guardou exemplares de uma de suas ousadias ao chegar a Cajazeiras, mais de 50 anos atrás, recém formado em medicina na Bahia. Retornou às raízes e se deu bem, como atesta a trajetória de homem público, agora, recordada pela mídia estadual. De outras audácias só vim tomar ciência muito depois, quando as bem comportadas meninas dos mistérios noturnos começaram a bater com a língua nos dentes... Mas isso é matéria para enfeite ficcional, quem sabe.
Volto à Tribuna. O número de estréia traz esta manchete: Cajazeiras, Cidade Esquecida! Figura, Apenas, no Mapa das Campanhas Eleitorais. Logo abaixo, na primeira página, estão estes títulos: Autorização Ministerial Para Obter 30 Trilhos; Energia Elétrica Diurna, Edifício da Prefeitura e Fórum; Precário o Estado do Hospital – Falta tudo no HRC, Até Água! Na última página: O Aeroporto só existe no verão – verdadeiro pântano no inverno.
E as propagandas? Uma delícia: Armazém São Paulo – o maior sortimento de tecidos, redes, sobrinhas, chapéus. Lyra, Pinheiro & Cia – agentes de automóveis e caminhões Chevrolet. Armazéns Ouro Branco de Américo Almeida, Tecidos S/A. Nas páginas internas, há reclames menores: Bar e Sorveteria Aloma, de José Gonçalves Moreira; Drogaria dos Pobres, de Donato Pereira; Mercearia Moreira, de J. Moreira; Casa São Luiz, de Albino Gonçalves Dantas; A Pernambucana; Loteria Estadual do Ceará – compre no“cambista José Lopes de Lima, conhecido como Pássaro Preto. A SANBRA – compra algodão, oiticica e mamona.
Para aguçar mais ainda a saudade cito anúncios de médicos, dentistas e advogado: Deodato Cartaxo, Sabino Guimarães, Valdemar Pires Ferreira, Francisco Barbosa, Líbio Brasileiro, Vicente Leite Rolim, Manoel Domingos Sobreira e José Rolim Guimarães.
Por fim, em homenagem à imprensa cajazeirense, em particular, aos radialistas, transcrevo na íntegra o seguinte texto: Para uma propaganda eficiente de seu estabelecimento Comercial Anuncie em A Voz do Sertão, a única amplificadora ouvida com nitidez de qualquer ponto da cidade. Encerra, diariamente, suas atividades às 20 horas. Fone 177.
Isso faz 55 anos! Que mudança frente à realidade atual, Cajazeiras com seis emissoras de rádio e portais eletrônicos de causar inveja.
Essa sessão nostálgica é para registrar a saudade de Júlio Maria Bandeira de Mello que, com sua irreverência, ao lado de Zé Guimarães, povoaram de ilusões minha adolescência. Que Deus o tenha sob guarda.

domingo, 17 de julho de 2011

Cordel: Eu fui a Romaria de Bosco Barreto ao Padre Cícero









 









O dia em que conheci o peripatético Bosco Barreto!

Eram tempos de obscuridade. Não havia liberdade de pensamento. Eu morava no Maranhão, mas todos os anos eu vinha para a Semana Universitária e, invariavelmente trazia alguns amigos maranhenses. O rancho ou era na casa do Tio Waldemar ou na casa de papai se ele tivesse exercendo mandato político e consequentemente com residência na boa terra.
Numa destas, não dar para precisar bem o ano, houve um quiprocó dos diabos na SORVEDRINKS (corrijam-me se não era o nome do Bar da Dorinha Montenegro) na esquina da Rua Tenente Sabino com a Travessa Francisco Bezerra (rua do antigo Hotel Oriente).
O bar era bem movimentado e ocupava com mesas sempre lotadas pela juventude a Travessa Francisco Bezerra logo após a esquina.  Numa bela noite, um jovem engraçadinho, filho do delegado da cidade, num gesto petulante resolve atravessar a rua entre as mesas, o que provocou cizânia enorme. O leão-de-chacára da Dorinha não titubeia e dar uns petelecos no atrevido rapaz que não reagiu, sob pena de ser surrado pelos freqüentadores do bar. Foi embora sob vaia e veio o delegado e arrumou o maior pandemônio provocando revolta dos presentes.
Era a deixa que Bosco Barreto precisava. Passou a usar todos os meios disponíveis para desancar o arbitrário chefe de polícia. E o fato toma dimensões tais que o então Secretário de Segurança do Estado vem a Cajazeiras tentar por panos mornos no episódio.
Estávamos ainda em casa do Tio Waldemar quando ouvimos a cobertura da Rádio Alto Piranhas que acompanhava a visita do secretário á Dorinha na sua própria casa (ficava logo depois já esquina da travessa com a Rua Juvêncio Carneiro). Bosco, matreiro, vai também. E o Secretário começa ao vivo pelas ondas da rádio falar com a Dorinha, à guisa de desculpas, e Bosco se intrometendo com as mais variadas diatribes! Conseguiu o que queria! O secretário cai na esparrela de indagar ao Bosco o que ele tinha feito à Cajazeiras. Não deu outra, Bosco endiabrado pega o microfone da rádio e inflamado começa o seu discurso dramático:
- O que é que fiz, o que é eu que faço, Cajazeiras...?
- Lutar contras as arbitrariedades da truculência...
- O que é que fiz, o que é eu que faço,  Cajazeiras...?
- Lutar contra o Decreto 447 que cerceia a liberdade de expressão dos estudantes brasileiros.
E assim continuou com as catilinárias contra o regime, comportamento não usual e nem tolerado pelos militares.
Acostumado eu às obsequiosas abstinências políticas partidárias já que morava no Maranhão, este homogêneo politicamente sob à liderança do eterno José Sarney, fiquei deveras arrepiado com a ousadia do conterrâneo. Impressionou o audaz político.
Era o auge da carreira brilhante, mas efêmera do líder Bosco Barreto.

Ascensão de Edme Tavares e declínio de Bosco Barreto

Do Livro "Do Bico de Pena à Urna Eletrônica. "Páginas: 343-345

Em artigo anterior, mostrei que na eleição de 1982 o PDS teve os três candidatos a deputado estadual mais bem votados em Cajazeiras: Antônio Quirino, Bosco Barreto e José Lacerda. Juntos eles somaram 12.586 votos, isto é, 66% da votação do total apurado naquele ano. Os candidatos a deputado estadual do PMDB de Cajazeiras tiveram juntos, 1.800 votos, nessa ordem: José Leite (786 votos), Tarcizo Telino (708) e José Aldemir (306). O desequilíbrio foi gritante, como já comentei várias vezes, em função do forte poder do PDS, da migração da maior liderança oposicionista de então, e também, da obrigatoriedade de votar num único partido.
A pulverização de votos em dezenas de candidatos ocorreu em 1982. É fenômeno antigo, portanto. Setenta e seis candidatos a deputado estadual receberam sufrágios em Cajazeiras. Isso mesmo, setenta e seis! Da região concorreram nove candidatos (os seis já citados e mais José Dantas Pinheiro, Francisco Ferreira e José Andriola). Eles somaram 14.842 votos, ou seja, 785 do eleitorado votante, que foi de 18.955, naquele ano. O restante entrou para o habitual pinga-pinga.
De todos eles (afora Zé Lacerda que sempre se reelege), apenas Antônio Quirino teve sucesso. Ampliou sua votação, beneficiada pela ascensão de Edme Tavares à câmara federal e a prestígio que o exercício do primeiro mandato lhe deu, ainda que na condição de terceiro suplente do PDS.
Bosco Barreto selou seu declínio político em 1982. Sua meteórica carreira teve início dez anos antes, quando postulou a prefeitura, no embalo da batalha judicial que levou à inelegibilidade o então candidato da ARENA, Higino Pires Ferreira. Gineto foi substituído na chapa governista pelo advogado Quirino de Moura. Venceu Quirino, contudo, Bosco quase empatado com ele. Corre até que os votos mergulhados nas urnas lhe teriam sido favoráveis, mas por misteriosos caminho emergiram nos mapas com sinais trocados. Lenda, dizem uns. Melhor para Cajazeiras, recordam outros, aduzindo que a prefeitura nas mãos de Bosco teria sido uma tragédia.
Em 1974, Bosco é eleito deputado estadual e exerceu, com a irreverência de estilo, seu único mandato eletivo. Como deputado, em 1978, tentou a prefeitura, com Acácio Braga Rolim em sublegenda. Dois anos após, disputou o senado na sublegenda de Humberto Lucena (MDB). Obteve em Cajazeiras 5.732 votos, contra 7.547 dados a Ivan Bichara Sobreira.
Ivan acabara de sair do governo, marcado para a derrota.
Por quê? Porque houve forte cisão na ARENA provocada pela escolha de Tarcísio Burity para governador da Paraíba. O então deputado arenista Antônio Mariz decidiu disputar com Burity no colégio eleitoral. Conduta rebelde reprovada pelos militares. Um escândalo. O processo culminou com tumultuada eleição, indireta, de acordo com a regras do regime militar. Mariz, perdeu, mas saiu da refrega como liderança popular de dimensão estadual. Carregado de mágoas, comandou a dissidência que terminou por dar a vitória a Humberto Lucena. Lances significativos deste pedaço da história política da Paraíba estão em meu livro Política nos Currais, escrito no calor do resultado da eleição de 1978.
 Naquele ano, Bosco Barreto lançou o então vereador Constantino Nogueira como candidato do MDB a deputado estadual, para preencher um vazio no campo oposicionista, mas fracassou. Nogueira obteve em Cajazeiras, apenas 2.739 votos, frente aos 4.313 dados a Quirino e 4.064 a Edme Tavares.
A eleição de 1982 marcou a ascensão de Edme Tavares à Brasília, onde exerceu, oito anos seguidos, o mandato de deputado federal. Selou, também, a decadência política de Bosco Barreto que, ao tornar-se governista, virou peixe fora d’água.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Funcionário Municipal completa 60 anos de pleno exercício público na Prefeitura de Cajazeiras


Até pelos baixos salários pagos, o que torna o emprego público municipal praticamente um “bico”, no interior paraibano não é comum se ver funcionários públicos municipais com longo tempo de trabalho naquele ofício. Geralmente a pessoa tem aquilo como “quebra galho” e, assim que consegue uma colocação melhor no mercado de trabalho, deixa o “bico” para se dedicar ao novo emprego, geralmente bem mais rendoso. Mas, essa regra, como quase todas as outras, tem exceção!
E a exceção em Cajazeiras tem nome: José Vicente de Souza Filho, 75 anos, ou mais carinhosamente conhecido Zezinho. Casado desde julho de 1951, seu Zezinho trabalha na Prefeitura de Cajazeiras. Aos 14 anos de idade foi admitido como diarista pelo então prefeito Arsênio Rolim Araruna. Como seu primeiro chefe imediato, lembra seu Zezinho, o fiscal geral da Prefeitura foi Anacleto de Souza.
Nessa função, e recebendo como diarista, Zezinho trabalhou até abril de 1956. Em maio do mesmo ano, foi nomeado continuo pelo prefeito Antônio Cartaxo Rolim. Na mesma situação dos demais servidores, ou seja, recebendo salários que não condizem com suas necessidades, Zezinho nem reclamava, pois, já estava acostumado. Afinal é pouco mais de meio século de vida funcional na Prefeitura.
Hoje sem dúvida, ele é funcionário com mais tempo de serviço prestado à Edilidade e, certamente o que mais tempo serviu a municipalidade cajazeirense. Nesse longo caminho de Prefeitura, seu Zezinho já vai passando por mais de uma dúzia de governos municipais, a saber: Arsênio Rolim Araruna, Otacílio Jurema (duas vezes), Antônio Cartaxo Rolim, Epitácio Leite Rolim (três vezes), Antônio Quirino de Moura, Francisco Matias Rolim (duas vezes), Antônio Vituriano de Abreu, José Nello Zerinho Rodrigues, Carlos Antônio Araújo de Oliveira (duas vezes), Leonid Abreu e atualmente Carlos Rafael Medeiros de Souza.
Apesar de todos esses anos de trabalho (60 anos) dedicado à cidade através da Prefeitura. O entusiasmo continua o mesmo do primeiro dia de trabalho desse exemplo de servidor público.
Na manhã desta sexta-feira (14), funcionários da Secretaria de Administração prepararam uma homenagem para Zezinho com um café da manhã. Estiveram presentes vários secretários, e na oportunidade, foi lida uma mensagem do prefeito Carlos Rafael. Também foi apresentada uma poesia de composição de Gilmar Lira do setor de Contabilidade. O secretário Jucinério Félix também felicitou Zezinho, e o artista Ricardo Lacerda fez uma apresentação de forma improvisada para o homenageado.
HOMENAGEM   AOS   60   ANOS DE   FUNCIONÁRIO   DA   PREFEITURA DE   JOSÉ    VICENTE  (   Zezinho)

JOSE  VICENTE  –   ZEZINHO
DE  PARABÉNS    TÚ    ESTÁS
RECEBA O  NOSSO  ABRAÇO
DOS  SEUS   AMIGOS   LEAIS
PELOS   SEUS     60     ANOS
DE  TRABALHO  QUE  HOJE  FAZ.
  
DE  MUITA   LUTA E  TRABALHO
SUA   MISSÃO   É   CORRETA
NESTE   14    DE     JULHO
COMEMORA  ATÉ  COM  FESTA
DE  SERVIÇOS  À  PREFEITURA
60   ANOS      COMPLETA.


RECEBA    DESTA     EQUIPE
COM TODA  AS BÊNÇÃOS  DO  CÉU
DOS  SECRETÁRIOS  E  AMIGOS
UMA     FAIXA   DE     TROFÉU
E   UM   ABRAÇO  DO  PREFEITO
NOSSO  :    CARLOS   RAFAEL.

NA  CONTABILIDADE  ESPERAMOS
VOCE     SEMPRE   VISITAR
COM  O  JORNAL   CONTRAPONTO
E    AS     NOTÍCIAS    CHEGAR
PARA      RAILSON    E   STÊNIA
BOSQUINHO,  EUNICE  E  GILMAR.

Poeta:   Gilmar  Lira

DADOS  Redação Portal CZN FOTOS Ângelo lima