terça-feira, 15 de novembro de 2011

A relação ao patrimônio histórico tombado pelo IPHAEP, em Cajazeiras

A relação ao patrimônio histórico que é catalogado e tombado pelo IPHAEP, em Cajazeiras sob a proteção do Decreto n. 25.140, de 28 de junho de 2004, pode-se afirmar que está constituído basicamente por um acervo material e arquitetônico, composto pelo centro histórico inicial da cidade e alguns monumentos isolados considerados pelo referidodocumento e pelo Instituto como de importante valor para a memória e a história locais. São eles:
• Delimitação do Centro Histórico Inicial da Cidade de Cajazeiras 

• Estação Ferroviária de Cajazeiras 
A Antiga Estação Ferroviária de Cajazeiras – o trecho da ferrovia Rede Viação
Cearense começou a funcionar em Cajazeiras em 05 de agosto de 1923. Já o edifício da estação foi inaugurado somente em 03 de setembro de 1932. Foi desativada como ramal da
R.V.C. em 1971. Tombada em 2001 pelo IPHAEP, segundo o professor José Antonio de
Albuquerque, desde 1972, o prédio se encontra sob a administração da atual Universidade
Federal de Campina Grande e abriga o Núcleo de Extensão Cultural – NEC, do Campus de
Cajazeiras.


• Cajazeiras Tênis Clube 

O Cajazeiras foi Tênis Clube construído em 1954 no local onde existia a antiga casa da
fazenda da família do Padre Rolim. A demolição da velha casa para tal empreendimento foi
motivo de protestos por parte da população local, mas nada  pôde ser feito. 
Ao longo das décadas de  1970 e 1980 o referido clube foi palco de muitos eventos sociais na cidade de Cajazeiras com destaque para os carnavais, os tradicionais concursos de beleza e o baile de debutantes, no qual eram apresentadas as futuras “damas” da sociedade, evento que ocorria de dois em dois anos e era bastante disputado pelas moças das famílias de melhor poder  aquisitivo de Cajazeiras. Atualmente se encontra em decadência e deterioração
A respeito da demolição da velha casa, o ex prefeito Francisco Matias Rolim relata, em suas memórias, como se deu sua participação no referido acontecimento, bem como as manifestações da sociedade cajazeirense contra o ato (Do miolo do Sertão, 1998, p. 96-97).
 
• Praça Nossa Senhora de Fátima. 
 A Praça Nossa Senhora de Fátima, considerada a primeira Praça de Cajazeiras, nos
tempos iniciais da cidade era uma pequena artéria que tinha o nome de Rua do Cruzeiro, em referência a existência de uma velha cruz que havia no local, ao longo de sua existência Passou por várias reformas, mas foi em 1930, na gestão do então prefeito Hildebrando Leal que foi transformada, de fato, em praça publica e teve erguido o Coreto que até hoje se encontra no centro do logradouro. 

De acordo com o professor Antonio de Souza na época a praça era: 
"o ponto chique da cidade, o local de atração do  povo, o centro de
manifestações cívico-religiosas e sociais da comunidade, onde se realizavam
aos domingos, dias santos e feriados, alegres retrêtas, sob os acordes
maviosos da banda de música local, com a presença elegante do mundo
social cajazeirense". (SOUZA, 1981, p. 46)

Em 1952, o prefeito Otacílio Jurema ampliou a praça com a demolição das velhas casas
que se encontravam em seu redor, mas foi somente no último mandato do prefeito Francisco Matias Rolim (1977 - 1983) que ela recebeu seu aspecto atual.  

 
• Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima 

A Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima, originária da primeira capela da cidade de
Cajazeiras, erguida ainda pela Mãe Aninha em 1834, tinha como padroeira Nossa Senhora
da Piedade e, com a criação da Diocese, em 1914, subiu ao posto de Catedral, que só mudou  com a inauguração da  nova igreja em 1957. A partir de então a Igreja Matriz tornou-se Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, por decreto diocesano de 12 de janeiro de 1957 que perdura até os dias atuais. Ao longo de sua trajetória, a Matriz passou por várias reformas, especialmente, na parte interna que, de acordo com pessoas conhecedoras da história da cidade, acabaram por descaracterizar seu aspecto original. Segundo consta da memória dos cajazeirenses é também nessa igreja que se encontram sepultados os restos mortais do fundador da cidade – o Padre Inácio de Sousa Rolim, embora não se saiba ao certo se do lado direito ou esquerdo do altar mor
.

• Praça Ana Albuquerque (Mãe Aninha) 
• Colégio Nossa Senhora de Lourdes
 
Praça Ana Albuquerque (Mãe Aninha), localizada também no centro da cidade está
situada em frente ao Colégio Nossa Senhora de Lourdes (Antigo Colégio Padre Rolim).
Segundo dados colhidos no Livro de Tombo da Diocese n° 1, folha 19, a Praça Mãe Aninha
foi o palco das comemorações do centenário do início da construção do Colégio Padre Rolim, evento ocorrido em 22 de agosto 1937, ocasião em que foi inaugurado o monumento central da praça, em homenagem ao Padre Rolim, local em que, segundo informações do referido livro foram depositadas as cinzas da Mãe Aninha pela ocasião da comemoração acima citada.
O atual Colégio Nossa Senhora de Lourdes, inaugurado em 1843, foi na realidade o
Colégio através do qual, o Padre Rolim iniciou suas atividades educacionais em Cajazeiras, ou seja, o primeiro Colégio Padre Rolim. Em 1921 o colégio se tornou Escola Normal. entre 1928 até meados da década de 1980. Foi na década de 1930, no bispado de Dom João da Mata, que o prédio de Colégio passou por reformas, recebendo um andar superior. O nome Nossa Senhora de Lourdes passou a designar o Colégio apenas por volta de 1952. Embora não se tenha conhecimento de uma determinação legal para isso, deduzimos apenas que essa mudança de nome se deveu à própria religiosidade das irmãs que conduziam o colégio. 
A partir de 1990, a instituição de ensino passou a ser administrada pela Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora (IENS), provenientes do Rio Grande do Sul, e que até hoje se encontram à frente da instituição. 

• Colégio Diocesano Padre Rolim 
Já o Colégio Diocesano Padre Rolim teve iniciada sua construção em 1934, no local
onde existia uma antiga casa de caridade daquelas que o Padre Ibiapina espalhou pela
Região Nordeste. No início, contava com um prédio em dois pisos. Somente por volta da
década de  1940 é que foi erguida a capela Nossa Senhora Auxiliadora, já pelos padres
salesianos que estiveram à frente do Colégio até o início da década de 1960.
Atualmente o prédio do extinto colégio abriga a Faculdade de Filosofia, Ciências, Letras e Artes de Cajazeiras – FAFIC, que é mantida e administrada pela Diocese.


• Catedral de Nossa Senhora da Piedade 

A Catedral de Nossa Senhora da Piedade teve lançada sua pedra fundamental, em 1937, mas ficou durante 20 anos em obras antes de terem iniciadas suas atividades paroquiais. Subiu ao posto de Catedral em 1957, quando recebeu em procissão solene a imagem da padroeira, Nossa Senhora da Piedade, da antiga Catedral (atual Matriz de Nossa Senhora de Fátima). A partir de então, iniciou suas atividades religiosas, embora as obras de construção só tenham sido concluídas nas décadas posteriores.
Recentemente, a Igreja sofreu reformas em seu espaço interno o que descaracterizou os altares e santuário, em relação ao restante da estrutura arquitetônica original da parte interna da Igreja.

• Palácio Episcopal 

O Palácio Episcopal, construído no bispado de Dom Moisés Coelho, entre os anos de 1915 e 1932, a sede da Cúria Diocesana, em conjunto com a capela lateral, formam um conjunto arquitetônico imponente, sendo um dos exemplares mais bem conservados do patrimônio arquitetônico e histórico de Cajazeiras no que se refere aos aspectos originais, tanto interna como externamente. O edifício passou recentemente por um processo de restauração de seu interior.

• Praça Cardeal Arco Verde 

A Praça Cardeal Arco Verde fica localizada em frente à Igreja Catedral e ao palácio episcopal. Sua construção data da mesma época da construção da igreja, seu nome foi escolhido em homenagem ao primeiro Cardeal da América do Sul, que era ex aluno do Colégio do Padre Rolim em Cajazeiras (SOUZA, 1981, 49). A praça se constitui em um local amplo e ajardinado que, ao longo dos anos, tem servido de espaço de sociabilidade entre amigos e familiares que se reuniam/reúnem após as missas, além de ponto de encontro de casais de namorados.

• Prefeitura Municipal 
• Praça Dom João da Mata 


A Prefeitura Municipal de Cajazeiras foi construída na gestão de Otacílio Jurema, inaugurada ainda na década de 1950 na Praça Dom João da Mata também conhecida como Praça do Congresso por ter sido este, o local da realização do I Congresso Eucarístico Diocesano da cidade em 1939.
O evento foi comandado pelo então bispo de Cajazeiras, Dom João da Mata, por isso a homenagem da cidade. A praça abriga um monumento também inaugurado em 1939 como marco comemorativo ao Congresso Eucarístico, acontecido no local.

• Seminário Nossa Senhora da Assunção 

• Escola Profissional Monte Carmelo 


Edificação construída na década de  1960, o prédio abriga tanto a Escola Profissional Monte Carmelo, como a Congregação das Irmãs Missionárias Carmelitas que a administram. Embora exista desde 1982 um convênio entre a congregação das irmãs missionárias e o governo do Estado, possibilitando o oferecimento do Ensino Fundamental do 1° ao 5º ano, no relato das irmãs sobre a história da instituição fundada em 1938, a congregação já oferecia serviços de instrução à juventude cajazeirense. Aulas de alfabetização, trabalhos manuais, corte e costura e prendas domésticas faziam parte do currículo que, por aquela época funcionava na escola. Contudo, de acordo com a Irmã Araújo, atual diretora do Carmelo, as dificuldades financeiras obrigavam a escola a funcionar em caráter particular, contando com a colaboração dos pais dos alunos e da sociedade para o andamento de suas atividades.

• Morro Cristo Rei

O Morro Cristo Rei se encontra cadastrado na lista dos bens patrimoniais tombados pelo IPHAEP em Cajazeiras, embora seja caracterizado como área de preservação, abriga uma comunidade de moradores bastante numerosa. O monumento ao Cristo Redentor, colocado no alto do morro em 1939, por ocasião do I Congresso Eucarístico Diocesano, também é reconhecido como patrimônio histórico da cidade. Contudo, a quantidade de antenas existentes no local tem ofuscado a beleza da estátua, que é uma réplica do Cristo Redentor do Rio de Janeiro. Apesar de ser parte do acervo do patrimônio histórico da cidade, nenhuma política de reparo com relação a esses danos tem sido anunciada pela administração municipal ou pelo próprio IPHAEP.
• Praça Coração de Jesus
Praça Coração de Jesus, antiga Praça dos Carros, essa denominação era quase toda de inspiração popular, sem nenhuma ingerência do poder público municipal. Só, no início do século passado, a edilidade começou a se preocupar com a denominação de logradouros públicos, numerando os prédios neles existentes. Vem dessa época a denominação de Rua Padre José Tomaz que era, já àquele tempo, uma das artérias mais movimentadas da cidade, pela sua localização no trecho de maior atividade. Foi calçada, a paralelepípedo, pelo Prefeito Joaquim Gonçalves de Matos Rolim. do prefeito Francisco Matias Rolim, ganhou pavimentação asfáltica. (Extraído do livro Ruas de Cajazeiras, Deusdedit Leitão, 2005, pag. 18 e 19)

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Vale salientar que, dentro do perímetro da demarcação do centro histórico da cidade, encontram-se várias outras edificações de destaque que estão citadas e mostradas em fotografias, na dissertação, bem como outras praças, a Praça Coronel Matos, onde acontece atualmente a chamada Feira da Fruta; a Praça Galdino Pires; cujo nome homenageia um dos mais antigos produtores de algodão e proprietário de usina de beneficiamento do produto na cidade.

Fonte: Dissertação (Mestrado) – UFPB/CCHLA. Dissertação de Mestrado  da Professora  Eliana de Souza Rolim, João Pessoa, 2010

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Dia de Finados na minha infância!

O Dia de Finados é o dia da celebração da vida eterna das pessoas queridas, portanto, um dia de oração pelos entes queridos que partiram para a eternidade. Isto para os adultos, para a meninada era um dia de muita animação, juntar a cera derretida das velas acesas e fazer uma bola de cera, quem conseguisse fazer a maior era invejado pelos outros. Seu Tinino, um negro alto e magro, neste dia não levava a sua carrocinha encarnada, com portinholas de vidro e com a sua buzina (gritando TININO!) para frente do Cine Éden, mais lucrativo era a porta do cemitério, onde estava reunida a maior parte da criançada da cidade, ó carrocinha apetitosa com chicletes Ping-Pong, amendoim torrado, balas juquinha e pipoca. Havia outros concorrentes como o seu Clarindo da carrocinha de picolé da Walmor, o de coco era o preferido. O rapaz com a sua tábua de pirulito. Mais outro com algodão-doce, a velhinha vendendo rolete de cana, e outros que me fogem à memória.
Os pais para se livrarem da chatice dos filhos eram mãos-abertas e a fartura corria solta.
Mas no meio desta algazarra toda, a meninada não se esquecia de ir várias vezes ao túmulo da menina da serpente (ver foto). Há a lenda de que esta menina morreu por ter dado língua para a mãe e, como castigo divino, tinha virado uma serpente. O medo maior era que o túmulo se rachasse e a serpente soltasse alguma escama... pronto... o mundo se acabaria. Era tão verdadeiro que se podia escutar o barulho da serpente se mexendo, bastava encostar o ouvido no teto do túmulo e ouvia uns ruídos (semelhante àquele produzido pelos búzios) e saía correndo, tanto que batia o pé na bunda. 



Foto: Eduardo Pereira
Esta lenda é tão forte na nossa cidade que se fez uma recordação durante o desfile cívico deste ano da Cidade de Cajazeiras (22 de agosto)

sábado, 22 de outubro de 2011

Dr. Dingo e a minhas lembranças

Quando passo em frente ao Estádio Higino Pires Ferreira e vejo na esquina o edifício da Cervarp, constato com tristeza a lembrança que me vem à memória que naquela casa morava Dr. Dingo Sobreira. Para quem não é cajazeirense não significa nada, até para os mais jovens cajazeirenses. Atrás da casa de Dr. Dingo era os fundos da casa Major Galdino com a sua vistosa e portentosa caixa d’água que me lembra os tempos que Cajazeiras não tinha água encanada.
Dr. Dingo, salvo se a memória não me falha, junto com Dr. Abdiel Rolim eram os únicos dentistas de Cajazeiras. Aliados a eles haviam vários práticos reconhecidos legalmente, coisa hoje inexistente por força da Constituição de 1988.
Antonio Dentista, Dudu, Valdeci e os mais novos como o Sinfrônio, Sinval e Zé Alme, entre outros, 3 pela força da profissão galgaram cadeira na Câmara Municipal. Dr. Abdiel por ser formado já foi mais longe, elegeu-se duas vezes vice-prefeito em candidaturas independentes, chegando a assumir interinamente a Prefeitura por doença do então prefeito Francisco Matias Rolim.
Claro que tudo escrevi anteriormente é uma homenagem aos nossos antigos Tiradentes, formados ou não, na pessoa do saudoso Dr. Dingo que marcou indelevelmente a profissão dos odontólogos. Tinha o seu consultório na Rua Tenente Sabino, defronte à tradicional barbearia do Fernando Simão. Lembro-me do seu consultório, uma casa residencial transformada no seu consultório. Na entrada a recepção e ao lado a salda onde ele atencia os clientes com suas três janelas com vitrais multicoloridos. Dr. Dingo era filho de um comerciante tradicional, Sr. Chico Sobreira, dono da tradicional Casa Moderna, loja de aviamentos, logo no início da Rua Juvêncio Carneiro defronte á Praça Coração de Jesus.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Fotos Francisco Ferreira







ZEILTO: 25 ANOS, "UM EXPOENTE DA COMUNICAÇÃO"!




ZEILTO E O CANTOR NILTON CESAR (Foto Arquivo de Francisca Lima (Viúva)  
CLEMILDO BRUNET*
    Acabam-se os nossos anos como um breve pensamento. Porque tudo passa rapidamente, e nós voamos. Palavras do grande Legislador de Israel e libertador do povo de Deus, chamado Moisés. 
    Nossa vida jamais teria sentido, se não tivéssemos na memória o que fomos no passado. Esta possibilidade faz com que possamos reparar os nossos erros de outrora, corrigindo-os; para dar prosseguimento as nossas ações aqui. 
    O Apóstolo dos gentios, Paulo de Tarso declarou: “Que nada trouxemos para este mundo e nada levaremos dele”.
    Nesta coluna vai a nossa homenagem a um expoente da comunicação pombalense, que merece todo nosso apreço, já que este ano, marca o jubileu de prata de sua partida para outra esfera. Há Vinte e cincos Anos que este comunicador, conhecido como o homem dos sete instrumentos, deixou o nosso convívio. 
    Zeilto Trajano de Sousa, nasceu em Pombal no dia 16 de abril de 1944, filho do casal Otacílio e Nely (em memória), tendo como irmãos, Mª do Socorro, Zelita, Francisca Zita, Mª do Carmo e Otacílio Trajano, este último, ainda hoje milita no rádio. Contraiu núpcias com Francisca de Lima Sousa, nascendo dessa união quatro elegantes garotas: Nadja Rejane, Alba, Kátia e Márcia. 
    Começou suas atividades em microfone desde os tempos áureos de Serviço de Alto Falantes, iniciando na Difusora Rádio Maringá de propriedade do Sr. Raimundo Lacerda (Conhecido por Raimundo Sacristão) no começo dos anos sessenta. Exerceu na sua labuta o tipo garoto propaganda, quando dos memoráveis queimas de tecidos das Lojas Paulista, fazia o seu périplo em um carro de som pelas ruas da nossa cidade e aos sábados animava as feiras na porta da loja, conclamando os transeuntes para comprar mais barato. 
    Ainda me lembro de um queima de tecidos com a locução feita por Zeilto, que provocou uma fila enorme de pessoas para as compras. Ele dizia assim: “Quem quer vem, quem não quer manda, não mande ninguém em seu lugar, venha você mesmo comprar”. 
    Tive a oportunidade de me aproximar de Zeilto, quando na Difusora de Raimundo Sacristão em 1962, eu fazia a vez dos que são chamados hoje de operadores de som (sonoplasta). No crepúsculo de uma tarde em que os raios de sol começavam a declinar, Zeilto me pedia para tocar sua música predileta: “Tu Précio” de Bienvenido Grande, e ia para a esquina, entre as ruas Francisco de Assis e João Pessoa, acendendo o cigarro, curtia a melodia que saía do Projetor de som do Mercado Público. 
    Zeilto, fez Programa de Calouros dentro do próprio Studio, onde havia grande ajuntamento de pessoas; eu fui um desses calouros e cantei a música sucesso da época: “Boneca Cobiçada” de Palmeira e Biá, gravada anos depois pelo cantor Antonio Marcos. Nesse tempo, comecei a soltar minha voz ainda infantil no microfone e as pessoas nas ruas indagavam: Quem é a menina que está falando na Difusora Maringá? 
    Em 1966, veio o Serviço de Alto Falantes “A Voz da Cidade” de minha propriedade, tinha acoplado um transmissor de fabricação caseira em ondas curtas na freqüência de três mil e pouco kilociclos. Zeilto veio fazer parte e comandava alguns programas musicais, destaque para “Almoço a Brasileira” e Jornalístico: “O Positivo e o Negativo” além do “Comentário do Dia”, apresentava o Jornal da Emissora. 
    Em 1967, Zeilto adentrava ao Studio da Rádio Alto Piranhas de Cajazeiras e pouco tempo depois já exercia as funções de Diretor. Foi em Cajazeiras que Zeilto veio projetar-se no rádio sertanejo, e conquistou audiência na região com os programas criados por ele: “Discoteca Dinamite” de cunho jornalístico, o mais polêmico da época; o DDD e DDI, que apresentava crônicas em parceria com o médico Júlio Maria Bandeira, chegando a causar “frisson” na Polícia Federal, que especulava o significado dessas letras. “Nosso Encontro com Nelson” aos domingos, até hoje permanece. Este programa ao completar 15 anos, Zeilto teve a proeza de trazer Nelson Gonçalves a Cajazeiras para um show no sábado a noite e o comparecimento ao vivo do cantor, ao Programa no domingo pela manhã para uma entrevista. 
    Nos eventos que se registravam em Pombal, Zeilto trazia a Rádio Alto Piranhas. Ainda me lembro, como fui honrado por ele em uma transmissão da Rádio Alto Piranhas direto do Cine Lux na cobertura da Convenção Municipal do MDB. Na ocasião eu era o locutor do Partido e ele, depois de fazer a conexão com a emissora, virou-se pra mim e entregando-me o microfone disse: Se vire, e foi embora do local. 
    De outra feita numa visita que eu fiz a Rádio Alto Piranhas, Zeilto me entregou uma Carteira funcional nomeando-me repórter correspondente da emissora em Pombal. Anos depois, em 1993, a Rádio Alto Piranhas, agora sob nova direção, contratava os meus serviços profissionais; tamanha foi a minha emoção ao sentir que estava em um meio de comunicação que Zeilto havia exercido suas atividades e ao colocar meus olhos no livro de registro, encontrei a página onde estava a foto dele e seu registro profissional, a emoção bateu mais forte ainda. 
    A Festa do Rosário, tornou-se mais conhecida na região. Todos os anos, Zeilto a acompanhava transmitindo através da Rádio Alto Piranhas a parte religiosa da Festa. Outro evento que a Alto Piranhas se fez presente por intermédio dele, foi a Grande Festa realizada no Pombal Ideal Clube, intitulada: “A Paraíba em uma Noite”. Zeilto, ainda fez cobertura para a Rádio Alto Piranhas da Inauguração da Rodovia Federal BR 427 que liga a nossa cidade ao Rio Grande do Norte, quando da vinda a Pombal do Ministro dos Transportes de Então, Mário Andreazza. 
    Zeilto era conhecido pela sua habilidade nas artes, era músico e como tal, fundou sua própria Orquestra em Cajazeiras, chamada “CHAVERON”; e pela versatilidade que possuía, Zeilto formou mais duas orquestras: a Chavereque e a Oritimbó, isto no decorrer de três anos, animando os Carnavais e matinês dos Clubes de Cajazeiras. Por sinal tocou vários Carnavais na região e uma vez animou um Carnaval no Pombal Ideal Clube. Chegando até compor uma música de Carnaval com o título: “Maroaje”. 
    Amou tanto a terra de Padre Rolim, que criou dois Slogans para enaltecer Cajazeiras: Costumava dizer nos microfones da Rádio Alto Piranhas: “Minha Linda Cajazeiras” e em uma vinheta da emissora: “Rádio Alto Piranhas a única emissora em Cajazeiras que o Nordeste conhece”. 
    Após dezoito anos na Rádio Alto Piranhas, Zeilto foi levar a sua voz para João Pessoa capital do nosso estado, assumindo a direção comercial da Rádio Arapuã e despertava os pessoenses com o seu Programa: “Café da Manhã”. 
    Um dia, no cumprimento de sua missão, Zeilto trilhou a sua última caminhada no rádio, estava cumprindo mais uma jornada de trabalho, sem saber que aquele dia, seria o último de sua carreira. Compareceu ao aeroporto – Castro Pinto em João Pessoa, para fazer a cobertura jornalística da visita do Presidente da República de então, General João Batista de Figueiredo, que veio a Paraíba cumprir agenda de compromissos do Governo Federal para com o nosso Estado. Zeilto com brilhantismo fez o seu trabalho e ao finalizá-lo, de repente, se sentiu cansado, debruçou-se sobre a direção de seu carro e disse: “Está escurecendo”, foram suas últimas palavras. Ficou em coma, acometido de aneurisma cerebral e após alguns dias, veio a falecer no centro de terapia intensiva da casa de saúde São Vicente de Paula em João Pessoa, no dia 25 de agosto de 1982. 
    Seu sepultamento foi realizado no Cemitério Nossa Senhora do Carmo em Pombal com grande acompanhamento, principalmente de seus colegas de Profissão, tanto da Capital, como do interior. A Rádio Maringá, da qual Zeilto, através do convite que lhe fiz, presidiu o Cerimonial de Inauguração, transmitiu para uma rede de emissoras no Estado, a missa de corpo presente na Matriz do Bom Sucesso e acompanhou as homenagens no campo santo, ocasião em que o Radialista e Jornalista Lenilson Guedes, falou em nome dos colegas. 
    Zeilto cumpriu bem a sua missão sendo querido de todos os políticos que foram entrevistados por ele. Esse radialista emudeceu sua voz que arrebatava ouvintes e empolgava multidões. Polêmico, vibrante, versátil, ativo e participante, um polivalente. Expoente da Comunicação!
    Radialista ou Jornalista, vive da história dos outros. E isto me faz lembrar uma canção interpretada por Altemar Dutra, que leva o nome: “EU CANTO A MINHA DOR” composição de Toso Gomes e Antonio Correia, cuja letra diz assim: Eu pego o violão, e canto a dor alheia, Também minha alma anseia e Canto a minha dor, nesta canção. E tão emocional meus olhos rasos d’água, Me faz sentimental, meu coração ficou cheio de mágoa. Abre a janela e vem, ouvir a voz de quem Deu tudo que era seu E nada recebeu, E há de saber por quem a minha voz vagueia, Eu canto a minha dor, não canto a dor alheia. 

     *RADIALISTA 


CONTATO: brunetcomunicador@hotmail.com  


: http://clemildo-brunet.blogspot.com/



domingo, 7 de agosto de 2011

A Tribuna de Júlio Bandeira

O primeiro número do jornal data de abril (1953), o mesmo mês da morte, de Júlio Bandeira, dia 30. Tribuna do Sertão devia ser mantida pelos amigos, mercê dos anúncios inseridos em suas quatro páginas. Penso que a existência da TS não mereceu maior atenção panegírica, talvez pela sua curta vida, 4 ou 5 números, como especulei em artigo no Gazeta do Alto Piranhas, (nº 395, 07 a 13/07/2006), ao remexer velhos papeis para subsidiar meu último livro. Acho que nem Júlio guardou exemplares de uma de suas ousadias ao chegar a Cajazeiras, mais de 50 anos atrás, recém formado em medicina na Bahia. Retornou às raízes e se deu bem, como atesta a trajetória de homem público, agora, recordada pela mídia estadual. De outras audácias só vim tomar ciência muito depois, quando as bem comportadas meninas dos mistérios noturnos começaram a bater com a língua nos dentes... Mas isso é matéria para enfeite ficcional, quem sabe.
Volto à Tribuna. O número de estréia traz esta manchete: Cajazeiras, Cidade Esquecida! Figura, Apenas, no Mapa das Campanhas Eleitorais. Logo abaixo, na primeira página, estão estes títulos: Autorização Ministerial Para Obter 30 Trilhos; Energia Elétrica Diurna, Edifício da Prefeitura e Fórum; Precário o Estado do Hospital – Falta tudo no HRC, Até Água! Na última página: O Aeroporto só existe no verão – verdadeiro pântano no inverno.
E as propagandas? Uma delícia: Armazém São Paulo – o maior sortimento de tecidos, redes, sobrinhas, chapéus. Lyra, Pinheiro & Cia – agentes de automóveis e caminhões Chevrolet. Armazéns Ouro Branco de Américo Almeida, Tecidos S/A. Nas páginas internas, há reclames menores: Bar e Sorveteria Aloma, de José Gonçalves Moreira; Drogaria dos Pobres, de Donato Pereira; Mercearia Moreira, de J. Moreira; Casa São Luiz, de Albino Gonçalves Dantas; A Pernambucana; Loteria Estadual do Ceará – compre no“cambista José Lopes de Lima, conhecido como Pássaro Preto. A SANBRA – compra algodão, oiticica e mamona.
Para aguçar mais ainda a saudade cito anúncios de médicos, dentistas e advogado: Deodato Cartaxo, Sabino Guimarães, Valdemar Pires Ferreira, Francisco Barbosa, Líbio Brasileiro, Vicente Leite Rolim, Manoel Domingos Sobreira e José Rolim Guimarães.
Por fim, em homenagem à imprensa cajazeirense, em particular, aos radialistas, transcrevo na íntegra o seguinte texto: Para uma propaganda eficiente de seu estabelecimento Comercial Anuncie em A Voz do Sertão, a única amplificadora ouvida com nitidez de qualquer ponto da cidade. Encerra, diariamente, suas atividades às 20 horas. Fone 177.
Isso faz 55 anos! Que mudança frente à realidade atual, Cajazeiras com seis emissoras de rádio e portais eletrônicos de causar inveja.
Essa sessão nostálgica é para registrar a saudade de Júlio Maria Bandeira de Mello que, com sua irreverência, ao lado de Zé Guimarães, povoaram de ilusões minha adolescência. Que Deus o tenha sob guarda.