sexta-feira, 24 de maio de 2013

O coronel Juca Peba e a inauguração da agência do Banco do Brasil, em Cajazeiras

Desconfiado e matreiro, o coronel Juca Peba não era de muita conversa. Tinha dinheiro, e muito, guardado sob o travesseiro. Até o dia que inauguraram a agência do Banco do Brasil, em Cajazeiras. A gerente foi procurar o coronel Juca Peba com o argumento:
- Coronel, bote o dinheiro no banco. Vai ser guardado, bem guardado, e vai render juros.
Depois de muita conversa, e muitos cafés no varandão da casa, o coronel, ainda desconfiado, foi ao banco. Com 100 contos numa bolsa de couro. Tirou devagar o pacote. Contou. Uma, duas, três vezes. Depositou. Matreiro, ficou na espreita, na calçada, olhando, espiando o movimento do banco. Para ver se aquele troço não era tramóia. A desconfiança aumentou. Entrou no banco. Foi ao Caixa. Ordenou:
- Quero os 100 contos que eu botei aqui. Já.
Aflito, o bancário foi buscar o dinheiro. O coronel pegou o maço. Conferiu. Uma, duas, três vezes. E devolveu, sob a expressão juramentada:
- Eu só queria mesmo conferir. Pode guardar. 

domingo, 19 de maio de 2013

Líbio Brasileiro, de saudosa memória

Por Líbio Júnior Brasileiro
Dr. Líbio e esposa Olga
Líbio Lima Brasileiro, filho de Cícero Henrique Brasileiro e Raimunda Ponche de Lima, graduado em Odontologia, e com es-pecialização em cirurgia buco-face-maxilar, pela Faculdade do Derby do Recife - PE, tendo exercido por pouco tempo suas atividades profissionais na ca- pital Pernambucana, transfere-se para Cajazeiras, donde contrai núpcias com Olga Moura Rocha, sobrinha de Dom Zacarias Rolim de Moura e filha de Mário Rolim de Moura (ambos filhos de Dr. Bonifacio de Albuquerque e Moura e Ana de Souza Rolim) e Severina Moura Rocha, passando a atuar como cirurgião dentista em toda a região do alto sertão paraibano, morou pouco tempo em Uiraúna - PB,
Não só de tragédias viveram esse casal, Dr. Líbio Lima Brasileiro, além de um excelente profissional dentista, se destacou como membro da Maçonaria de Cajazeiras, bom orador, bom amigo, era muito simpático, bom de "papo", carismático e intelectual, moreno claro, cabelos lisos negros, muito bonito, do alto dos seus quase 1,90 metros de altura, magro sem ser em demasia, vestia-se com esmero e elegância, calça e paletó de linho branco, também tinha uma bela voz e cantava com os amigos, boêmios da época, em serenatas e roda de amigos, numa época em que a tecnologia acústica, ainda não existia ou não tinha chegado à capital do sertão paraibano!
Olga Moura Brasileiro, professora, comerciante, pioneira no ramo de lingeries, sapatos masculinos e femininos finos, confecções em geral, pratarias e utensílios em inox, perfumes e outras utilidades para presentear, foi proprietária de "A Lojinha", em pleno centro de Cajazeiras! Mulher de fibra e muito religiosa, ao aposentar-se dedicou toda sua vida as causas da Igreja Católica, tanto em Cajazeiras, como em Manaus, Tefé e Coari, onde residiu por muitos anos! Era Ministra Extraordinária da Eucaristia!

Vou consertar muitas cabeças, isto sim

por Marcos Diniz
Prof. Erotildes
Era o início do ano letivo de 1967 e, eu garoto de 9 para 10 anos, estudava na escola Grêmio Artístico, 4º ano primário, com a professora Dona Erotildes Holanda.
Nicinha Holanda
Então entra na sala, a diretora, Dona Nicinha Holanda, acompanhada de um moço com jeito de Tuareg (acho que pelo porte esguio, nariz aquilino e morenice acentuada), com a cabeça raspada à zero e uma boina verde.
Era o futuro Dr. Rafael Holanda. Recém aprovado no vestibular de Medicina, que a convite das professoras citadas viera fazer uma rápida preleção sobre o que era passar no vestibular.
Conversa vai, conversa vem, um colega de classe, comentou em voz alta:
-Deve ter quebrado a cabeça estudando!
Dr. Rafael Holanda
Ao que o futuro doutor respondeu:
- Vou consertar muitas cabeças, isto sim.
Exatos 44 anos se passaram. Com certeza, o mesmo não recorda o momento, mas, creio deve lembrar-se do convite feito pelas professoras, aliás, suas tias, a severa, mas querida, Dona Nicinha e a inesquecível Dona Tidinha, que mantiveram aquela escola como modelo de ensino fundamental.
Naquela época nos incentivavam às leituras de poesia, clássicos da literatura, preleções extracurriculares e incentivadoras como a citada acima, com pessoas que se destacavam em Cajazeiras, além de outras realizações, como  feiras de ciências anuais.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Jornal Nova Era

por Francisco Frassales Cartaxo
Nova Era é o nome do jornal oficial do município de Cajazeiras. Criado pela lei municipal nº 617, de 30 de janeiro de 1977, como veículo impresso “destinado a publicações periódicas de Atos do Poder Executivo Municipal Cajazeirense e de outras comunas, bem como assuntos de interesse da coletividade.” Assim diz a lei, cuja iniciativa foi do prefeito Antonio Quirino de Moura. O nome, Nova Era, nasceu de sugestão do ex-prefeito Celso Matos Rolim. A lei é assinada, também, pelo bacharel Heraldo Maciel Braga, um discreto servidor público, eficiente e correto, hoje aposentado. Instituído por Quirino em janeiro, no entanto só começou a circular em 17 de setembro de 1977, na gestão de Francisco Matias Rolim, eleito prefeito pela segunda vez em 1976.
O jornal Nova Era tinha o propósito de “circular quinzenalmente”. Ficou na intenção. Saía ao sabor da vontade do prefeito, não apenas com atos formais de divulgação obrigatória: leis, decretos, resoluções, editais, avisos, comunicados etc. Funciona também como meio de propaganda da administração e do gestor. Igual a muitos congêneres. Os primeiros números não exibiam maiores atrativos visuais ou de conteúdo. Com o passar do tempo, porém, as matérias começam a deslizar para a fronteira entre o legal e o irregular em face da legislação restritiva à personificação das ações com recursos públicos.
Professor Antonio de Souza e
o seu pseudônimo de Estephanio
   Na época de Chico Rolim, o Nova Era viveu um de seus momentos mais im- portantes, graças a colaboração do pro- fessor Antonio de Souza, instado a escrever textos so-bre a vida política, a-dministrativa, so- cial, religiosa do município, sempre com sua inegável seriedade. Antonio de Souza, que nos anos de 1920 man- tivera o jornal O Sport, produziu pa- ra o Nova Era matérias relevan- tes, ora sob o pseudônimo de Estephanio, ora de Fernando Fernandes. Os assuntos por ele abordados eram de grande significação, vistos hoje de uma perspectiva histórica. Assim, de periódico burocrático, de leitura monótona, o impresso da prefeitura passou a divulgar informações e comentários úteis à comunidade cajazeirense, com a chancela de quem se credenciara, como professor, funcionário público, político e jornalista, para falar de episódios e personalidades fundamentais da nossa história. O privilégio de contar com Antonio de Souza no jornal oficial do município ocorreu enquanto Chico Rolim governou Cajazeiras, e teve o apoio entusiasta de Marcos Pereira, então secretário do planejamento. Sem dúvida, o jornal Nova Era, com as características agora realçadas, prestou à história de Cajazeiras um serviço inestimável, além de economizar parcos recursos do município, pressuposto da sua criação.
        O jornal viveu diferentes fases, amoldando-se ao espírito e às inclinações do ocupante da chefia do executivo caja- zeirense. Na gestão de José Nello Rodrigues, por exemplo, o Nova Era ficou mais leve, de formato atraente, talvez mais profissional em seus padrões jornalísticos, mais parecido com peças de marketing político. Cometeu, porém, um equívoco lastimável ao interromper a sequência numérica que deveria ser permanente como sucede com os jornais oficiais. Em lugar do número puro e simples do exemplar, seguido do usual dia, mês e ano, passou a identificá-lo a cada ano, quebrando o sentido de órgão republicano. Assim agindo, deram-lhe dimensão anual, um passo, portanto, para vincular o jornal ao governo eventual e não ao município, instância constitucional da federação. 


Mais alguns releases do jornal:


domingo, 5 de maio de 2013

Depoimentos de Cajazeirenses: Orquestra Manaíra



“E o clube 1º de maio ao som do conjunto de Bembem, que separado do Tênis clube apenas pela parede do Açude Grande tinha como resposta os famosos bailes da Orquestra Manaira”. 


 
 “Os ensaios da Manaíra eram ali naquela salona que fica nos fundos do Círculo Operário, e eu e Ivaldo, meu irmão falecido, e mais alguns guris da Rua Pedro Américo, ficávamos sentados no chão da porta de entrada, no batente, ouvindo aqueles craques dos metais. Além da música eles ensaiavam coreografia. A orquestra disposta em filas, fazia com que, em determinado momento de uma nota musical, a primeira fila se levantava e logo a seguir se sentava para a segunda fila se levantar e depois sentar... Todos tocando. Parecia um balé musical, como os botões dos instrumentos apertados e soltos, baixados e levantados para emitirem notas musicais”...
“’Seu’ Esmerindo Cabrinha, também maestro, era vizinho à esquerda de minha casa, na Rua Pedro Américo, e era comum vê-lo, na calçada de sua casa, sentado numa cadeira de balanço, assobiando com uma pauta musical em mãos e balançando o dedo indicador como se estivesse regendo a orquestra. À direita, quatro casas a diante, residia Vicente de Joaninha, também saxofonista da orquestra. Mesmo da calçada de minha casa dava para ouvir seu ensaio caseiro com o saxofone...
Inesquecível ver e ouvir Mozart tocar sax, Milton no trompete, Rivaldo Santana no trombone de vara, Adelson na percussão e tantos outros que, de nome não mais lembro, mas lembro perfeitamente a sonoridade jazzística que marcou minha alma. Mais tarde descubro que a música de Glenn Miller era a música que eu ouvia da Orquestra Manaíra. Isso mesmo, a ordem era essa: Orquestra Manaíra e depois Glenn Miller, por razão infanto-sentimental.
Com certeza a Maníra foi o gérmen para outros grupos musicais, como a Orquestra Chaveron, de Zeilto Trajano, a Santa Cecília, de maestro Cabrinha, etc. e provavelmente a Manaíra tenha sido filhote da Orquestra Tabajara de Severino Araújo, fundada em 1934, em João Pessoa.
Quando vou pro meu trabalho, é inevitável ouvir no som do carro a Orquestra Manaíra. Tem cada música que dá vontade de parar o carro e sair dançando pelas ruas como Fred Astaire em Singin’ in the Rain (Cantando na Chuva, no Brasil)”

 

domingo, 21 de abril de 2013

Netos do major Higino Rolim

Por Francisco Frassales Cartaxo
Higino Rolim é nome de rua em Cajazeiras. Paralela à Rua Epifânio Sobreira é uma ruela que vai do balde do Açude Grande à Praça Nossa Senhora de Fátima. Higino Gonçalves Sobreira Rolim e Epifânio Gonçalves Sobreira Rolim eram irmãos. Filhos do mestre-escola Francisco Gonçalves Sobreira e Josefa Maria da Conceição, so- brinha do padre Rolim. Higino estudou com seu tio padre. Mais tarde deu aulas de Latim no colégio famoso do seu tio avô, que fez seu casamento com a viúva Ana Antônia do Couto Cartaxo no sítio Prensa em 1886. Tiveram apenas dois filhos: Cristiano e Crisantina (Cartuxinha). Os netos foram 20, somados os 14 filhos dos dois casamentos de Cristiano e os 6 de Cartuxinha com Galdino Pires Ferreira. Dois dos netos do major Higino herdaram seu nome. O de apelido Gineto, o mais conhecido, está na fachada do Estádio Higino Pires Ferreira. E seria muito mais famoso se Bosco Barreto não tivesse melado judicialmente sua candidatura a prefeito de Cajazeiras, ensejando a eleição de Antônio Quirino em 1972. Não fora isso, Gineto teria sido o cara, muito embora o neto querido sempre foi o mais velho, médico Waldemar Pires Ferreira.
E o outro neto de nome Higino? O outro é o sexto dos 12 filhos do poeta Cristiano Cartaxo e Isabel Sales de Brito. Viúvo, Cristiano enamorou-se de uma linda menina de 16 anos. Amor roxo. Um poema impregnado de paixão todo santo dia... No final de 1921 casaram-se, ele com o dobro da idade da noiva. A cada ano faziam um filho. Higino, o sexto, nasceu em 1929, dois anos antes de morrer o avô.
Cristiano recebeu herança vultosa, mas era mão aberta. Formado em Farmácia, no Rio, em 1913, o pai, dono de imóveis urbanos e rurais, e de uma botica desde 1875, queria o filho à frente do negócio. Por isso, interrompeu o curso de medicina na Bahia. Errou. Erraram os dois. Cristiano era mais chegado a versos, a longos papos na farmácia. Ajudava os pobres. Em época de seca, de epidemias, de calamidade pública, trabalhava de graça. Na seca de 1942 já eram dez os filhos de Isabel, menores de 20 anos! Muita boca para alimentar. Receitas minguantes. Ativos fixos herdados sem a valorização e a liquidez de hoje. Cumpri-se então o ritual seguido por famílias católicas numerosas daquele tempo: um filho padre. Higino, coroinha dos padres salesianos, foi escalado, justo na penugem dos pentelhos...
Poucos anos depois, caminho quase igual percorreria a irmã Isabel. Ela foi até o fim da linha, fez-se freira salesiana, hoje aposentada. E feliz.
Higino, o neto, após 10 anos de estudo e tirocínio com os salesianos tomou a decisão traumática, acossado pela sua consciência: saiu do refúgio onde se abrigara dos pecados do mundo e das nefastas consequências da seca. Este mundo cá fora, no entanto, era cruel. Livre, mas perverso. Cheio de maldades, de trilhas sombrias, falsas veredas, emboscadas e bacamartes. E Higino, coitado, de baladeira na mão! Só. Sozinho no Recife de rios fétidos e lamacentos. A força moral e muita coragem o salvaram. Os sonhos adolescentes submersos no estudo, em rezas, mortificações no seminário afloraram de novo. Já homem feito, desajeitado em trajes civis, visitou Cajazeiras. Cadê a paixão cajazeirense dos doze anos? Sumiu. Cadê a prima por quem tanto suspirara? Casou. E as fantasias acasaladas pelo calor do sertão? O vento levou. Higino só redescobriu Cajazeiras, muito tempo depois, pelas mãos da filha Gardênia, casada com John Kennedy. Aí, já é outra história.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Inauguração da Livraria Rio Piranhas, eu me recordo!

A Livraria Rio Piranhas do professor e historiador José Antonio de Albuquerque foi inaugurada na década de 1980 na Praça João Pessoa no canto com a Rua Padre José Tomás defronte à lateral da Lojas Pernambucanas que tinha como gerente Seu Leitão. Depois mudou para Rua Padre José Mariano em frente ao comércio do seu pai, Arcanjo de Albuquerque. Acredito se deu quando o então prefeito Antonio Quirino de Moura alargou a Rua Padre José Tomás, quando o prédio sofreu uma diminuição.
A festa de inauguração da livraria foi muito concorrida com a presença das autoridades e do povo em geral. Ainda tenho bem vivo na memória o jogo de damas que papai me dinheiro para eu comprar na livraria, presente que nunca esqueci: um jogo de damas e de ludo do outro lado. Foi um presente que meu pai me deu jamais esqueci, brinquei demais com os meus amigos da vizinhança.
Esta é a lembrança que guardo com muito carinho, este jogo já não tenho mais, mas guardei com muito carinho e que serviram até para meus filhos brincarem, mas como era de papelão o tempo deu fim.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Deu no Blog Cajazeiras de Amor...

Você sabe o que é teatro de Bolso?*
*Nota AC2B - Teatro de Bolso - expressão  dada para Teatros em pequenos espaços.
Ivan Bichara, Antonio Carlos,  Valiomar, Bira e Pepe
Há 35 anos - Recorte de Jornal de 1978 registra a luta da classe teatral de Cajazeiras pela construção de um teatro na cidade. Um sonho que se tornou realidade em 1984, durante o Governo Wilson Braga.
Em 1978 quem governava a Paraíba era o cajazeirense Ivan Bichara Sobreira. Escritor, homem culto, ligado à cultura e as artes. Porém tudo isso não foi suficiente para sensibilizar o Governador - filho de Cajazeiras, da importância que era a construção da casa de espetáculo da cidade.
Foi preciso buscar em Conceição um homem para administrar o Estado. Esse homem mesmo sem ser escritor; sem viver habitualmente a vida teatral paraibana; sem ter muita intimidade com a cultura, entendeu e sentiu os reclames da classe teatral de Cajazeiras e teve pulso para mandar construir nossa casa de espetáculo. O teatro de Cajazeiras deve muito ao Governador Braga pelo seu empenho e a sua coragem em construir o tão almejado teatro de Cajazeiras.
O Teatro construído no governo Wilson Braga

domingo, 14 de abril de 2013

Imagem de Epaminondas Braga

Por Francisco Frassales Cartaxo
José Epaminondas Braga nasceu no mesmo dia, no mesmo mês, no mesmo ano em que veio ao mundo Celso Furtado. Completaria 93 anos em 26 de julho deste ano. Nesse dia, dez anos depois, era assassinado, aqui no Recife, o presidente João Pessoa Cavalcanti de Al- buquerque. Coincidências, simples coincidências, mas Epaminondas as relembrava vez por outra quando jogávamos conversa fora, em encontros fortuitos ou programados. O último, programado, aconteceu no mês de outubro passado, em Campina Grande, quando fui visitá-lo. O papo já andava entremeado de pausas, de reticências, a memória traiçoeira a baralhar datas e nomes, episódios nublados no enfado do longo caminho percorrido. Naquele dia, ele fez questão de oferecer um café, quase almoço, supervisionado por Mércia, sua filha, a cuidar com desvelo e carinho do pai, desempenhando assim o papel de enfermeira e anjo.
Epaminondas era um homem preso a sua terra como poucos, embora tenha vivido muito tempo em Campina Grande, para onde foi em busca de ampliar seus negócios numa época de grande efervescência desenvolvimentista, a Rainha da Borborema transformada em polo comercial com ensaio de industrialização, a verdadeira capital econômica da Paraíba, já vestida no manto de centro de ensino regional. Epaminondas alcançou no alto da serra o merecido sucesso empresarial e se fez líder ao assumir formalmente o comando de entidades de classe. Nesse tempo, muita gente de raízes sertanejas deslocou-se para Campina, os Braga entre muitos. Poucos esqueceram suas origens. Epaminondas fazia questão de proclamá-las. E com que satisfação! Seus olhos miúdos e vivos a sair de órbita, um brilho forte quando o assunto era Cajazeiras. Certo dia, fizemos inveja a Tânia Bacelar. Isso mesmo, a economista Tânia Bacelar, considerada por muitos como herdeira de Celso Furtado, na capacidade de formular políticas públicas e estratégias regionais de desenvolvimento.
Conto como foi. Tânia e eu fomos a Campina Grande participar de evento da Regional Nordeste II, dos bispos católicos, ela escalada como conferencista. Lá encontro Epaminondas, firme, garboso, de terno e gravata. Entusiasmou-se ao ser apresentado à economista famosa, que ele conhecia apenas através da mídia. O miolo da conversa era Cajazeiras, cada um de nós mais animado com as novidades da terra. Tânia ali, quieta, meio espantada com aquela cena, duas gerações saltitantes, feito pinto em xerém, a irradiar o mesmo entusiasmo. Nascida e criada na praia de Boa Viagem, às margens do Capibaribe, Tânia é casada com um sertanejo de Sousa, Alcindo Rufino de Araújo, que, lamentavelmente, não cultiva o hábito de refazer as energias no calor do sertão... Daí seu espanto.  Ela ficou impressionada com a vitalidade de Epaminondas e mais do que isso, com seu interesse por temas voltados para um futuro muito além de seus passos, ele já próximo do cimo da montanha, como diria o poeta Cristiano Cartaxo.
Epaminondas e Celso têm o mesmo signo, mas são muito diferentes. Celso confessou-se um cacto, talvez na lembrança de Pombal, onde nasceu. Epaminondas em nada parecia com um cacto, expansivo, jovial, mesmo quando, tendo vencido a barreira dos 90 anos, carecia dos cuidados diuturnos de Mércia, sua filha, mais anjo do que enfermeira, a misturar-se agora na última imagem que guardo de seu pai. 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Propagandas do Passado de J.Epaminondas Braga e Bicicleta

Quem já passou dos 30, sabe o martírio que era passar quando adolescente na frente da loja abaixo. Era a loja "J.Epaminondas Braga e Bicicleta". Na época em que a diversão infantil ficava longe dos videogames e computadores, as brincadeiras digamos, mais saudáveis, como jogar bola, ler gibi ou andar de bicicleta, eram as grandes diversões das crianças. Naquela época, entre os anos 70 e 80, quase toda criança sonhava em ter uma bicicleta "Caloi" ou uma "Monark".
Fonte: Bçpg Retalhos de Campina Grande

Nota de pesar da CDL de Campina Grande

Morre o empresário José de Epaminondas Braga, ex-presidente da CDL
Foi com muito pesar que a CDL recebeu, nesta quinta-feira (28), a informação do falecimento do empresário José de Epaminondas Braga, o 17º presidente a gerir entidade (1982 a 1983).
  Um dos símbolos comerciais da cidade de Campina Grande foi, sem dúvida, a loja "Epaminondas Braga Bicicletas". Ela gerava um fascínio na população infanto-juvenil por comercializar o principal desejo de presente daquela época que eram as bicicletas.
 Além da CDL, José de Epaminondas Braga também presidiu a Associação Comercial deste município, entre os anos de 1975 a 1977, quando teve que encarar toda a tirania da Ditadura Militar.

Diretoria do Campestre lamenta morte de ex. presidente e sócio Benemérito

Morre Epaminondas Braga, ex-presidente da ACCG
A diretoria o Clube Campestre de Campina Grande vem por meio desta manifestar, seu profundo pesar pela morte de seu sócio benemérito e ex. presidente José Epaminondas Braga.
José Epaminondas Braga foi presidente do Campestre de Campina Grande no período compreendido de 1963 a 1965, onde conduziu o destino do Clube com bastante maestria.
Para o presidente do Campestre Nelson Gomes Filho a morte de  seu Epaminondas e uma perda irreparável não apenas para o Clube Campestre de Campina Grande e sim para toda sociedade Campinense, visto a figura carismática humana que ele era, ao mesmo que lamentam Nelson e a diretoria se colocam a disposição da família. 

Nota de pesar da ACCG

Morre Epaminondas Braga, ex-presidente da ACCG

A Associação Comercial e Empresarial de Campina Grande comunica com pesar o falecimento do seu ex-presidente, José Epaminondas Braga, aos 93 anos de idade. Natural de Cajazeiras, “Seu Epaminondas” liderou o comércio de bicicletas em Campina Grande nas décadas de 70 e 80 e presidiu a Associação Comercial no biênio 1975 a 1977.
O corpo está sendo velado na residência da família, localizada na Rua Capitão João Alves de Lira, 687, no bairro da Prata. O sepultamento ocorrerá às 17 horas, no Cemitério Nossa Senhora do Carmo, no bairro Monte Santo.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

CAJAZEIRAS NA MINHA MEMÓRIA (2)


     A minha Cajazeiras das décadas de (60/70) tinha mais ou menos cinco bairros, além do centro. São eles: Belo Horizonte (Alto Cabelão), Santa Cecília, Capoeiras e os Remédios. Praticamente quase todas as ruas eram calçadas com paralelepípedos e isso fazia com que a temperatura média de 35 graus, se tornasse um calor muito forte. Naquele tempo não existia nenhuma rua asfaltada. Hoje, Cajazeiras tem 24 bairros.
“cai, cai tanajura, tua mãe tá na gordura”
Tinha ainda as tanajuras - que é uma formiga alada, e em tempos mais quentes, quando está prestes a chover, saíam de suas tocas para pegar uma brisa em árvores. Quando as tanajuras começavam a voar, nós (a garotada) corríamos atrás delas para arrancar suas bundas, onde se continha uma gordura que, por sinal, a gente comia. Ao corrermos atrás das tanajuras, cantávamos: “cai, cai tanajura, tua mãe tá na gordura” e muitas vezes elas caíam mesmo.
Tripes - a Lacerdinha
Tinha também o inseto “Tripes”, que se reproduzia nas folhas do pé de ficus. Esse inseto era bem pequenino e preto, conhecido como “lacerdinha”. Lembro-me que na Rua Dr. Coelho tinha muitos pés de ficus e era o meu caminho obrigatório quando eu ia para o Colégio Estadual. Ao passar por baixo dos pés de ficus, as lacerdinhas atacavam se direcionando para os olhos, ocasionando uma irritação e ardência. Muitas vezes se impregnavam na camisa branca do uniforme escolar do Colégio Estadual.
Praça do Espinho
A Praça do Espinho, que era próxima a rua em que eu morava, Rua Pedro Américo, também me faz lembrar do pé de baje e dos pés de castanholas. Esse pé de baje – uma frutinha pequena, vermelha e docinha, ficava na lateral do bangalô de seu Sinval do Vale. Nós, a meninada, fi- cávamos sentados em baixo do pé de baje jogando conversa fora e o escalava para tirar as bajes. Já em frente ao Grupo Dom Moisés Coelho, que ficava em frente a Praça do Espinho, também tinha os pés de castanholas e para tirá-las, jogávamos pedaços de paus ou pedras para derrubá-las.
Lembro-me ainda que eu e meus irmãos pegávamos frutas nos muros das casas vizinhas a nossa. É claro, com autorização. No muro da casa de seu Esmerindo Cabrinha, tinha um pé muito grande de cajarana. Na casa de seu Bernardo Batista, tinha pés de goiabas. Já na casa de seu Zezinho Macedo, tinha pés de siriguela. No muro da casa de seu Zé Cartaxo tinha cajá. Nos fundos do Colégio Diocesano Padre Rolim tinha um plantio muito grande de pés de manga, goiaba e pinha. Tinha um ditado que dizia: “pular o muro e roubar fruta para chupar é mais gostosa”. Eu já fiz essa traquinagem no muro desse colégio.
    Em Cajazeiras tinha uma lavanderia pública, muito grande, que ficava próxima ao curtume - (comércio de couros de boi) - de Ulisses Mota, na zona sul da cidade, onde hoje está localizado o bairro Por do Sol. Esse local era numa estrada vi- cinal de terra a- vermelhada, próximo ao Colégio Diocesano. Lá tinha muitos pés de uma frutinha que se chamava canapu. Era uma fruta bem docinha e macia. Essa planta ficava encravada junto aos pés de carrapicho. Tinha também uma plantação muito grande de avelóz que ficava nas margens da estrada. Avelóz é um látex irritante que se não tiver cuidado pode queimar a pele.
  Naquela época, devido a não existência de violência, à vista do que é hoje, muitas pessoas dormiam com janelas abertas em decorrência do calor e além das muriçocas, que dominavam o clima quente à noite, tinha também o inseto Paederus irritans, conhecido como potó. Quem nunca foi mijado pelo potó? Ele sempre aparecia em períodos finais de chuva. Ele mijava mais nos braços ou no pescoço deixando nossa pele muito vermelha. Quando isso ocorria, a gente colocava pasta dental para refrescar a pele.
   Nos anos sessenta, em Caja- zeiras, era comum as pessoas se encontrarem nas ruas, igrejas, comércios e outros locais públicos. Se eu encontrasse meus tios ou meu padrinho quantas vezes fosse por dia, eu tomava a bênção. Tio Raimundo Martins (Titio) era o que mais agradava a mim e meus irmãos sempre com uns trocados, e aí nossa intenção era aventurar umas moedinhas de centavos de cruzeiro para gastar nos brinquedos do Parque Lima, e ainda chupar rolêtes, ou comer amendoim torrado vendido nas banquinhas, que vinha enrolado no papel de embrulho em forma de funil, e ainda a pipoca do senhor Tinino, um senhor negro, alto, magro e muito risonho. As crianças passavam dias, semanas ou meses sonhando com aquelas luzes coloridas da  roda gigante do Parque Lima. O Lima era de Caicó (RN). Lembro-me da chegada em Cajazeiras dos caminhões do Parque Lima carregados de brinquedos, a exemplo dos cavalinhos, trenzinho em forma de cobra, carros bate-bate, aviões que faziam barulho de aviões mesmo, mas sem causar acidente, e ainda a roda gigante. Nós, a meninada,  corríamos para a Praça entre as ruas Higino Rolim e Souza Assis, para ver o descarregamento e, em seguida, observar o trabalho dos empregados montando os brinquedos, mas o que mais chamava atenção era a montagem da roda gigante. A roda gigante com aquela armação de ferro sustentada por uma centena de parafusos grandes, cabos de aço, e com um conjunto de doze cadeiras pintadas em cores vivas, uma cor para cada cadeira. Tinha também as barracas do ‘tiro ao alvo’, onde se ganhava pequenos brindes para quem derrubasse o patinho que passava bem devagarzinho por cima de um tablado; o jogo de argolas, entre outros. Para os adolescentes – rapazes e moças - com hormônios a flor da pele, era a oportunidade da primeira namorada, que poderia vir através dos recados das difusoras do Parque Lima e às vezes o anúncio para localizar crianças que se perdiam. Quando a roda gigante parava para alguém descer ou para alguém embarcar, os casais que estavam nas cadeiras lá de cima ficavam naquele amasso. As músicas ali tocadas para os casais apaixonados, eram Nelson Ned, Agnaldo Timóteo, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani e outros mais.
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PEREIRA FILHO
jfilho@ebc.com.br
Radialista
Rádio Nacional AM Brasília