quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Dr. JOÃO IZIDRO, médico-pediatra de todos os cajazeirenses

O Dr. JOÃO IZIDRO, foi o médico-pediatra de todos os cajazeirenses das gerações 50 e 60.
Da minha retina jamais esmaeceu a imagem do bom doutor, os seus indefectíveis óculos Ray-Ban e claro, sua extraordinária paciência, com os meninos chorões que lhe eram levados para consulta, esta não tem como esquecer.
Como diz aquele comercial de hoje: NÃO TINHA PREÇO.
Voltando a falar dos óculos, não sei dizer exatamente o que me evoca este detalhe. Deve ser porque sempre o vi de óculos. Seja em seu consultório, na rua ou mesmo à noite, quando por vezes ia à Praça João Pessoa na residência do Sr. Pedro Moura e terminava passando na casa do vovô, que era vizinho, e sentava na calçada para dois dedos de prosa.
Quando eu ficava doente com crise de amígdalas, era certo uma visita lá na rua Barão do Rio Branco em seu consultório ou melhor em sua residência, onde sempre éramos, eu, minha mãe e papai, recepcionados por Dona Chiquinha.
Depois de alguns cumprimentos, muito mais  pessoais que formais, éramos encaminhados ao consultório.
Lá estava o bom doutor, com seu indefectível Ray-Ban, sorrindo e a nos olhar por cima da armação dos óculos.
Sentava, mandava que me aproximasse. Como já era velho conhecido,  ia direto ao sintoma. Mandava abrir a boca, falar: AHHHH.
Com uma espátula baixava minha língua e rapidamente sentenciava:
- Antibiótico injetável!
Aviava a receita, passava a mão na cabeça do doente, agora também amedrontado e explicava:
- A dor da picada depende de 4 fatores: O CALIBRE DA AGULHA, A PROFUNDIDADE DA APLICAÇÃO, DE QUEM APLICA E DO MEDO DO PACIENTE.
Sempre procurava tranquilizar a molecada com esse monólogo acrescentando:
- É só uma picadinha de mosquito!
Por Marcos Diniz

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

História da CDL de Cajazeiras - PB

A CDL de Cajazeiras foi fundada em 1974, por um grupo de Empresários paraibanos. Eles sentiram a necessidade de fundar um clube de vital importância no âmbito comercial, desenvolvendo assim o sistema de crédito dos seus associados. Assim surgia a CDL, na época chamada de Clube de Diretores Lojistas, A Entidade teve como sócios fundadores os comerciantes, Mozart de Souza Assis, José Cavalcanti da Silva, Geraldo Pinheiro Brandão, Doutor Aldo Matos de Sá, Gonçalo Pinheiro Torres, José Nello Zerinho Rodrigues, José Antonio da Silva, Waldemar Matias Rolim, José Moreira Sobrinho, Francisco de Assis Rolim e Henrique Nogueira Neto. Esses mesmos empresários conseguiram fundar mais duas CDL’S na Paraíba, a CDL de Sousa e a de Catolé do Rocha. Mas após alguns anos de funcionamento ficou inativa e só em 1994 foi reativada novamente.

E em 1994 com a eleição de uma nova diretoria e a frente, o presidente Rubismar Marques Galvão realizou um brilhante trabalho durante todas as gestões que foi presidente, um dos destaques de sua gestão foi a criação da CDL SOCIAL, sendo a única CDL da Paraíba com uma fundação que em parceria com a FUNDAC da assistência a menores carentes de nossa cidade, outro marco na sua gestão foi conseguir uma sede própria para CDL que funcionava em uma sala emprestada na sede da Associação Comercial.

Nas gestões do Presidente Manoel Lins de Oliveira Neto, a nova sede foi ampliada com uma sala de treinamento climatizada com capacidade para 30 pessoas para atender seus associados, instalado um sistema de som e ventiladores no auditório com capacidade para 300 pessoas, e construída uma copa e dois banheiro no auditório.

Hoje, reunindo cerca de 327 Empresas associadas, a CDL consolidou a missão de integrar e desenvolver as atividades comerciais de Cajazeiras, oferecendo uma ampla gama de benefícios e soluções.

Nos últimos anos a CDL de Cajazeiras vem se destacando, inclusive depois do lançamento da cartilha 2005, CDL’S de todas as partes do Brasil enviaram pedidos solicitando exemplares.

Destacamos também nossos parceiros como SEBRAE, ACIC, SINDIBENS e SINTRACS, através de cursos, palestras entre outros.

Com a gestão do Presidente Severino Alves, sendo a primeira de 2008-2010 e a segunda gestão 2010-2013, a CDL de Cajazeiras a cada dia cresce mais, sempre com o objetivo de melhor servir aos seus associados e a toda comunidade.

A CDL de cajazeiras tem tido um grande crescimento sempre com o objetivo de melhorar e servir bem aos seus associados e a comunidade de Cajazeiras, tendo realizado as seguintes melhorias: renovação da estrutura da entidade, novo auditório, sala da diretoria, com o memorial do grêmio artístico, construção do site da entidade (www.cdlcajazeiras.com.br), além de ter renovada toda a estrutura e informatização do escritório da CDL e a criação da galeria de ex-presidentes da entidade formada pelos presidentes.

VEJA A LISTA DE EX-PRESIDENTES da CDL :

Mozart de Souza Assis – Fundador da CDL de Cajazeiras – PB: (1974 a 1976 1976 1978) Empresário Fundador da Difusora Rádio Cajazeiras e Rádio Patamuté FM;




Geraldo Pinheiro Brandão (1978 a 1990 / 1990 a 1992 / 1992 a 1994)- Empresário da Brandão Auto Peças;




Rubismar Marques Galvão (1994 a 1997 / 1999 a 2002 / 2002 a 2004)- Empresário da Leia Livraria Magazine



Eliomar Figueiredo de Sousa Júnior (1997 a 1999) -Empresário do Armazém Tropical e Tropical Home Center



Manoel  Lins de Oliveira Neto 2004  a 2006 / 2006 a 2008) Empresário da Bomboniere Metal Balas





Severino Alves de Araujo (2008 a 2010 – 2010-2013) Empresário da Nova Rádio Centro e Lins Exatas Informática e Atual Presidente da Entidade

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Tenente Sabino, hoje Calçadão

Rua Tenente Sabino, no centro da cidade de Cajazeiras (PB), quando ainda não havia sido transformado em Calçadão, na década de 1970, pelo então prefeito Antônio Quirino de Moura.
por Alisson Oliveira
História:
O Tenente Sabino de Sousa Coelho nasceu em Jaguaribe, Ceará, em 1815. Do seu casamento com Maria Florência das Virgens, irmã do Padre Rolim, provém o ramo cajazeirense da família Coelho. Foi um benemérito da cidade, construindo vários prédios e organizando a primeira feira da povoação, em 1848, juntamente com o Padre Rolim. Faleceu em 13 de dezembro de 1908. Era avô do Arcebispo D. Moisés Coelho e deixou numerosos descendentes que se dedicaram ao sacerdócio, dentre eles, dentre eles, o Arcebispo D. Carlos de Gouveia Coelho e o Bispo Dom Zacarias Rolim de Moura.
Texto extraído do livro "Ruas de Cajazeiras", de Deusdedit Leitão.


quinta-feira, 18 de julho de 2013

O HOMEM MAIS SABIDO DE CAJAZEIRAS

Em 1975 foi publicada a primeira edição do Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de autoria de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Foi, e continua sendo fenômeno editorial brasileiro. Só não vendeu mais que a bíblia, no Brasil.

Bem, Cajazeiras poderia ter um colaborador para esse fenômeno editorial, tendo em vista que ele era um apaixonado por palavras. Apaixonado ao ponto de ser um exibidor de vocabulário escorreito, digo: apurado. Suas palavras eram pronunciadas ao sabor da prolixidade, digo: muito longo, ou difuso.

Não, o nosso personagem amante da língua pátria não era escritor, não era jornalista, não era intelectual, no sentido lato, digo: amplo, da palavra, não freqüentava as rodas literárias de Cajazeiras, não tinha liame, digo: ligação, com a nata, digo: o que há de melhor, da intelectualidade cajazeirense contemporânea, digo: que vive na mesma época.

A vaidade e a erudição, digo: instrução vasta e variada, de nosso personagem, com certeza se renderia aos apelos e a ovação, digo: aplausos ou honras entusiásticas, de entrar para a Academia Cajazeirense de Letras, se assim houvesse.

Sua sapiência, digo: sabedoria divina, encantava e admirava a todos. A todos que se rendiam a seu estilo loquaz, digo: palavroso, verboso.

Essa figura impoluta, digo: pura, virtuosa, não tinha escritório de advocacia para verbalizar data vênia, digo: expressão respeitosa com que se principia uma argumentação, e logorréias, digo: hábito de falar com excesso.

Talvez nossa figura em destaque fosse o precursor, digo: que precede, da criação genial do dramaturgo Dias Gomes, Odorico Paraguassu. O linguajar rebuscado, digo: requintando, era sua marca registrada.

Afinal, se ele não estava numa banca de advocacia, onde ele estaria então? Estava ele num banco. Não, não era no Banco do Brasil. O seu banco, era o banco onde ele estava sentado vendendo tudo que uma budega sortida tinha para atender sua clientela. Sentado em seu banco, atendia a todos. Aos matutos, que se lhe rendiam basbaque, digo: que fica pasmo diante de tudo, e os urbanos de Cajazeiras.

Sua budega era bem provida, bem arrumada, bem limpa, de balcão bem organizado, distante dos balcões de outras budegas que serviam pinga em balcões sujos e imundos devido as goipadas dos pinguços dadas ao seu pé em louvor à dose do santo. 

Sempre com seu dicionário apostos em sua mesinha de trabalho, onde ficava a gaveta do caixa, ali lia e relia (percebi o cacófato, digo: som destoante) as páginas de seu dicionário, de onde sairiam suas palavras difíceis arremessadas aos fregueses.

Se lhe perguntassem: - “Tem palito de dente?”, ele responderia: - “Você, nobre freguês, está a procura de pequenos gravetos propícios à extração de restos alimentares pós refeições?”.  E se procurassem por rapadura, teriam como resposta: - “Meu caro freguês, você está solicitando um retângulo sólido, de doce natural, extraído da planta da família das gramíneas, processado via mecanismo laboral artesanal?”. Um rapaz queria sal de cozinha, e ele respondia: - “O jovem imberbe está a requisitar cloreto de sódio, cristalino, branco, usado na alimentação?”

Em conversas com pessoas, se lhe contestassem o sentido de uma palavra, era o mesmo que chamá-lo para a briga, não a briga braçal, mas o acinte, digo: a provocação, em desmoralizá-lo em sua verborragia, digo: grande abundância de palavras, mas com poucas idéias, no falar ou discutir.

Por todo seu esforço em querer falar difícil e bonito, conquistando a admiração principalmente dos matutos, ele é considerado o homem mais sabido de Cajazeiras. Nem que seja nas mesas de bares e esquinas onde a galhofa e o palavrório é a tônica.

Seu nome é: Zecão.

Eduardo Pereira do Blog AC2B
E-mail: dudaleu1@gmail.com


Zecão, segundo Zerinho


Zecão tinha a bodega na Rua da Tamarina próximo à Transportadora Marajó do Zerinho (foto), daí eis que nasceu uma amizade sólida com Zecão que depois deixou Cajazeiras e foi para o Juazeiro do Norte onde morreu, segundo informação do Zerinho.
Acrescento outra do Zecão, como todas, repassadas por Zerinho:
“O freguês chega e pergunta se ele tem queijo?
Sempre atencioso, mas na hora da pergunta encontrava-se atarefado e respondeu com um rotundo NÃO!
O freguês pergunta a razão da falta do produto e ouve do Zecão:
‘Jamais poderei explicar a razão na qual está faltando este gênero alimentício no meu estabelecimento comercial’"
O repertório é grande, pena que não retive na memória, mas quando eu me encontrar Zerinho vou e ri e guardar as histórias do Zecão.


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Zecão: Ele é que é o rei das japonesas.

Lá vai estória!!
Creio que Rubismar Galvão, o mais amadurecido da raça ruim dos tempos de ginásio, no entanto, era um presepeiro de marca maior. Articulava diplomaticamente e envolvia a todos com seus conceitos. Foi quem me apresentou para Zecão.
 O referido bodegueiro, homem de estatura alta para os padrões de nossa terra, daí o codinome Zecão. Não era um merceeiro qualquer. Alem de ter um comércio onde se achava produtos não encontrados em outros estabelecimentos, era um letrado. Vivia lendo um dicionário, que estava sempre aberto em cima do balcão.
Gostava de responder a quem lhe perguntava o significado de palavras não muito usuais no dia-a-dia.
  Formávamos um grupo para no final das aulas ir aporrinhar o cidadão, com um punhado de palavras difíceis escolhidas a dedo.
E assim sucedeu em várias incursões. O que ele não respondia de bate pronto, disfarçadamente olhava no dicionário entre o atendimento a um cliente e outro e nos dava a resposta.
Nós amaciávamos seu ego com elogios, ele agradecia e se prontificava a nos receber quantas vezes fosse necessário respostas às nossas pesquisas estudantis.
O nosso intuito era que um dia ele se enrolasse não sabendo nos responder algum significado.
 Numa das vezes, alguém engendrou para perguntarmos a diferença entre havaianas e japonesas (os chinelos claro).
Dito e feito. Pergunta articulada e nada de Zecão responder satisfatoriamente. Começou a se aperrear com nossa insistência, pois também tinha fama de ser de pavio curto.
Insistimos na resposta e ele já meio aborrecido disse:
 - Sei não... Vão aí ao vizinho, vão! Ele é que é o rei das japonesas.