quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Otacílio Jurema, o homem e o mito

     Morreu Otacílio Jurema, mas o mito continua. O mito do homem sério, corajoso e de bom coração. Na galeria das expressões maiores da vida pública de Cajazeiras e da Paraíba, estará sempre a figura humana e ex- traordinária de Dr. Otacílio Guimarães Jurema. O tempo passa e o seu exemplo raro de intelectual, médico, político, homem de ação e prestígio, continua na lembrança dos que o conheceram e na memória do povo cajazeirense. 
     
     Otacílio Jurema. O homem e o mito. Uma lição de vida pautada na honestidade na dedicação à Medicina na solidariedade e na grandeza do seu espírito público em defesa dos humildes e dos interesse maiores da cidade de Cajazeiras. 
     As pessoas admiravam-no pela franqueza e coragem. Era só desafiá-lo! E aguardar o protesto sincero, sem demagogia, de quem fustigava consciências e humilhava até poderosos. De forma sucinta, vamos mostrar: 


A TRAJETÓRIA DE UM LÍDER 
     
Inauguração Praça D Moisés Coelho, oradora Angelita Tavares
     1923 – colação de grau na Faculdade de Medicina. 
O jovem médico 
     1924 – formado, Dr. Otacílio Jurema chegava à Cajazeiras. Foi o primeiro médico a fazer residência na cidade. 
     1927 – os doutores, Otacílio e Celso matos montaram na rua Tenente Sabino, onde funcionou o OBJETIVO, a clínica CASA DE SAÚDE MIGUEL COUTO. 
     1929 – exerceu durante alguns meses atividades médicas na cidade de Bauru – SP. 
     1930 – na Revolução de Outubro foi tenente médico do 23° Batalha de Caçadores, com sede no Ceará. 
     1936 – no dia 27 de janeiro, iniciou sua vida pública como vereador do município de Cajazeiras. 
     1947 – Secretário de Educação e Saúde do Estado da Paraíba no governo de Oswaldo Trigueiro. 
     1950 – médico do Hospital do IPASE em Campina Grande – PB.  
     1951 – prefeito do município de Cajazeiras em seu primeiro mandato.
     1954 – compõe chapa para o Senado Federal, sendo titular o empresário João Cavalcanti de Arruda e o Dr. Otacílio. Suplente assumindo o mandato por quase 3 anos. 
     1959 – prefeito municipal de Cajazeiras no seu segundo mandato.
     1963 – deputado estadual da Paraíba com grande atuação no plenário da Assembleia Legislativa. 
1966 – Candidato outra a Deputado Estadual. Não logrando êxito e, decepcionado, abandonou a política.
1987- faleceu em 10 de agosto, em sua residência, na Rua Victor Jurema, esquecido, cercado apenas pelo carinho dos seus cães, pássaro e alguns amigos.
MEIO SÉCULO DEPOIS 
Posse do Dr. Otacílio Jurema como prefeito em 1963
     Estamos em 1954 e a campanha para escolha do novo prefeito já está por toda a cidade. O Dr. Otacílio aponta os seus candidatos: o empresário Antônio Cartaxo Rolim e como vice Dr. Vicente Leite Rolim que enfrentarão o agropecuarista Acácio Braga Rolim, ao lado do poeta Cristiano Cartaxo, seu vice. Já o Dr. Otacílio era convidado a integrar como suplente a chapa do Dr. João Cavalcanti Arruda, candidato do PL ao Senado da República. O médico Otacílio era uma forte liderança que despontava nos sertões, e em toda a Paraíba, conhecido por sua dignidade, ação humanitária, honestidade, e, acima de tudo, como um defensor dos humildes. 

Homenageado por Juarez Távora
     Eleições de outubro de 1954. Vieram os resultados das urnas com algumas surpresas. Senadores João C. Arruada 110.000 votos, Argemiro de Figueiredo 109.416 votos e Francisco de Assis Chateaubriand B. de Melo, 103.716 votos. 
     Há dois fatos interessantíssimos nesta disputa para o senado. Os primeiros Dr. Otacílio Jurema foi o mais votado dos suplentes. Detalhe marcante a sua quantidade de votos foi maior que a do segundo senador eleito, Dr. Argemiro de Figueiredo, de grande prestígio político em Campina Grande e na capital do estado, além de ter sido interventor da Paraíba. Era, sem dúvida, a presença do prestígio e da força política de Cajazeiras, no cenário político paraibano. 
     
Com Juscelino Kubitschek 

     O segundo fato interessante: o Dr. João Cavalcanti de Arruda, filho de Bonito de Santa Fé, residente em São Paulo, empresário, venceu um dos maiores caciques da televisão e do radiojornalismo brasileiro, o todo-poderoso dos Diários Associados, o paraibano de Umbuzeiro, Dr. Assis Chateaubriand, mecenas das artes e pioneiro da tv, no Brasil. Como suplente, o Doutor Otacílio assumiu o mandato por quase três anos, com nobreza de ideias e competência, sempre em defesa da região e do seu estado, tornando-se, na época, o filho mais ilustre dos Sertões do Rio do Peixe, na Câmara Alta do País. Teve atuação brilhante no senado. No ano de 1958, proferiu um 
O Senador Otacílio Jurema visitando os flagelados da seca de 1958
dos mais belos discursos sobre o tema A SECA NO NORDESTE, uma verdadeira peça oratória, chamando a atenção de todo o parlamento. Mas o Rio de Janeiro não o encantou. A paixão telúrica por Cajazeiras era maior. E o Doutor volta para ser, outra vez, o prefeito da sua terra e fica junto do seu povo e amigos. 
Na posse segundo mandato em 1959 com o governador Pedro Gondim
 Dr. Otacílio, uma popularidade que virou legenda. O nosso Senador do Sertão.
Os  grandes comícios com passeatas inesquecíveis com a frasqueira presente em peso.
Inauguração da sede do Fórum que ficava no pavimento superior da Prefeitura
Na posse segundo mandato em 1959 com o governador Pedro Gondim
Uma das suas últimas fotos na sua resicência





segunda-feira, 15 de setembro de 2014

“Quanto riso! Oh! quanta alegria! Mais de mil palhaços no salão”.

"-- Pois, senhor, é curioso. No meio de uma paixão ardente, tão sincera... Eu ainda estou na minha;"  (Machado de Assis, Histórias sem Data, p. 55.) 
Diz-se com muita propriedade que, com o avanço inexorável dos anos vividos, o homem passa às saudades e às recordações. A saudade passa a dominar o campo, todavia, em meu caso, sem a nostalgia com a sua carga de tristeza e depressão. Lembrar da minha saudosa mamãe, que tantas alegrias me propiciou, não me emurchece, ao contrário, vivifico prazerosamente os tempos passados... tão bons.
Todo este maçante preâmbulo para remeter minha alma e mente para a década de sessenta, Campina Grande, onde eu passava geralmente as férias de julho na casa da Tia Nita que à época morava à Rua Expedicionários do Brasil.
Tinha eu 12 anos, quando conheci a Cynthia Regards, a sua irmã, a linda galeguinha Suely e o irmão mais velho alguns anos, o boa-praça Wellington. Moravam logo no começo da Rua Rio Branco, onde hoje foi edificado um edifício o qual, imagino, ocupou o terreno onde era a casa de Bismark; os Regards eram quase vizinhos da Maria do Carmo, Charles e dois irmãos mais novos que me fogem agora à lembrança os seus nomes. Em frente da casa destes, veio morar mais tarde o cajazeirense Domício Holanda, que em Cajazeiras morava na minha rua, a Victor Jurema, pai de tantos amigos meus de infância.
Teatro Severino Cabral
Mas voltei a ser maçante. Bom, tudo isto para contar o meu primeiro namoro de porta. Conheci a Cynthia na área livre de um edifício baixo, construído sobre pilotis numa rua paralela abaixo da Rio Branco, na direção do Teatro Severino Cabral. A família era alagoana para onde voltaram posteriormente e nunca os vi ou tive notícia. Era julho. Fiquei apaixonado...
Chegaram as férias do fim do ano, e, como de costume, papai alugou a casa em João Pessoa para passarmos a temporada. Mas coração e mente permanecia em Campina... Cynthia. Quase meu coração sai pela boca quando mamãe comunica que passaríamos o carnaval na casa de Tia Nita, aonde? Em Campina! Ó Deus, atendeste o meu clamor lânguido que dilacerava o meu coração. Praia, sol, futebol nada me fazia atenuar a minha angustiosa vontade de chegar à Campina.

Sede Campinense Clube nos anos 40,
fonte: Blog Retalhos Históricos de Campina Grande
Juntei-me à turma da Rua Rio Branco para irmos à vesperal do Clube Campinense. E fiquei o tempo todo pulando (dançando) com a Cynthia. Era o ano de 1967, ano do lançamento da inesquecível e eterna música Máscara Negra:
“Quanto riso! Oh! quanta alegria!
Mais de mil palhaços no salão”.
E meu coração borbulhava de emoções, ebulição total.
Arlequim está chorando
Pelo amor da Colombina
No meio da multidão...”.
E com Cynthia no salão, tímido, sem a necessária coragem de declarar os meus sentimentos. Tinha acabado de completar 13 anos. Mas pulando no salão com os braços no ombro da Cynthia ao som da Máscara Negra:
“Vou beijar-te agora,
Não me leve a mal:
Hoje é carnaval”... e tasquei um beijo, claro que na face.
Pronto estávamos namorando. Os Regards eram modernos e o pai dela me franqueou o sofá da casa. Lá ia todo orgulhoso todos os dias às 7 horas em ponto para a casa dos Regards. Chegava um beijinho na testa e sofá. Ficava até às nove e meia em ponto, quando saía e outro beijinho.
É interessante lembrar que vigorava o horário de verão, acho que pela primeira vez era implantado no Brasil, que lá em Cajazeiras ninguém obedecia, mas Campina que era mais avançada... Ainda perdurava a claridade do dia, embora escondido, o sol bem próximo do horizonte ainda teimava em não desaparecer.
Foi um amor tão intenso quanto pueril. Mas o melhor amor do mundo.

domingo, 7 de setembro de 2014

Carrazeira precisa de novo é de um prefeito feito o véi dos ovão.

Há cerca de 20 anos atrás, ao retornar do sul do país, passei uma estadia de quase um ano em Cajazeiras, tentando dar continuidade aos negócios do meu saudoso avô PEDRO FLOR da Torrefação do CAFÉ ASA BRANCA.
Nesse ínterim, revi amigos de infância, relembrei estórias passadas, escrevi uma série de crônicas que nunca publiquei, como também procurei me inteirar dos acontecimentos cajazeirenses, uma vez que estava ausente por muitos anos da terrinha.
Dos causos que me contaram, um diz respeito ao Sr. Prefeito Francisco Matias Rolim. Na sua última eleição para prefeito, nos festejos comemorativos, um correligionário mais entusiasmado, buscou colocar o prefeito estrondosamente eleito, nos ombros e carregá-lo passeata afora.
Daí se deu conta da pesada responsabilidade e sentindo-se incomodado no cangote. Não com o peso do prefeito, visto que  era um sujeito forte, marrudo, como se diz em Cajazeiras, comentou com um outro partidário ao seu lado.
- Eita véi dos zovão!!!!
 É tanto, que ouvi várias vezes o povão falando à época (1991), da seguinte forma:

 -Carrazeira precisa de novo é de um prefeito feito o véi dos ovão.


Colaborador: Marcos Diniz - Fortaleza - CE

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O detalhe anatômico do “véio dos ovão”

Helder Moura
Fonte: Jornal Correio da Paraiba

O ex-prefeito de Cajazeiras Chico Rolim era conhecido, entre os seus amigos, como Chico do Ovão, alusão à determinada parte de sua anatomia.
Certa vez, quando se encontrava em João Pessoa, ele reuniu os amigos para degustarem um peixe frito no Badionaldo, na Praia do Poço.
Ele fez o pedido e ficou tomando uma cervejinha. Descuidado, não percebeu que sua peculiaridade anatômica escapava pelas laterais do calção. O garçom viu e alertou: 
“Doutor Rolim, os ovos estão saindo!” 
O prefeito: 
“Eu lá pedi ovos. Eu quero que saia o peixe!”