sábado, 24 de maio de 2014
domingo, 4 de maio de 2014
sexta-feira, 2 de maio de 2014
OS GRITOS NO CEMITÉRIO VELHO DE CAJAZEIRAS*
No
início do século passado, por volta da década de 30 e de 40, existia ao lado do
Cemitério Coração de Maria, o conhecido “Cemitério Velho”, uma rua onde
funcionavam os bordéis da cidade. Ironicamente, o nome popular que essa rua
ganhou foi o de “Rua dos Cabarés”. Era um lugar onde alguns homens da sociedade
cajazeirense e região da época se refugiavam, em busca de aventuras românticas
fora do cotidiano do matrimônio.
O
fato é que, em determinada ocasião, barulhos oriundos do interior do cemitério
começavam a in- comodar a clientela que visitava aquele local. Barulhos estes que
se sucederam por mais de uma semana seguida, sempre com o som de lamentos.
Convoquem a “volante”! Sem esperar que se tratasse a primeira vista de coisa do
outro mundo, os habitantes do lugar exigiram que a força policial da época,
desse uma batida rigorosa naquele lugar, e que surpreendesse os prováveis
engraçadinhos que estavam proporcionando aquele tipo de travessura.
Pois bem, o
fato é que, cerca de dez “cabras” municiados de rifles, tochas, candeeiros e
lampiões, partiram para o interior do famoso local de sepulturas. Nessa época,
o cemitério já contava com bastante “catacumbas” construídas, e era necessária
uma apuração minuciosa. Foi o que foi feito, mas o mais surpreendente é que,
nenhum meliante foi encontrado dentro do referido local.
Pensando que
os autores dos gritos tinham foragido quando viram a patrulha nos arredores do
cemitério, cujas ruas ainda não eram calçadas e a lama tomava de conta até a
canela nos períodos invernosos, os soldados saíram do lugar relatando que nada
haviam encontrado. Pois bem, foi só a volante deixar o lugar e os gritos
voltaram novamente. Intrigados, os clientes e as raparigas chamaram novamente a
patrulha, e para que se certificassem que os autores da brincadeira sem graça
fossem encontrados e presos, outros homens decidiram entrar junto da patrulha
ao velho cemitério.
Resultado,
mais uma vez, ninguém foi encontrado. A solução foi deixar alguns policiais
tomando de conta do lugar, escondidos, só esperando que alguém desse uma de
gaiato e fosse apanhado com a “boca na botija”.
Como
os barulhos cessaram, os policiais resolveram que seria mais interessante
es- perar um outro dia para surpreenderem o autor ou os autores de tamanho
rebuliço. O fato é que, no dia se-guinte, os barulhos em forma de gemidos e lamentos voltaram a soar de dentro do velho fossário, o que intrigava ainda mais as pessoas que frequentavam a região ao lado. Como a iluminação era precária, resolveram fazer várias fogueiras em volta e sitiar aquele campo santo, pois muitos indagavam que, se ficassem ali, com certeza veriam alguém fugir de dentro do cemitério.
Pois bem, o
cerco foi feito, várias fogueiras foram acesas, alguns patrulheiros e civis,
armados com fuzis, estacas, foices e peixeiras, ficaram do lado de fora,
esperando pegar os “cometedores” de tamanho sacrilégio. Os gritos prosseguiram,
mesmo com aquela inquietação inteira em volta.
O
dia amanheceu e ninguém saiu de dentro do cemitério. Intrigados, parte dos
sitiadores invadiu o lugar, vasculharam tumba por tumba, verificando se havia
alguma aberta com alguém escondido lá dentro, até a capela existente no
interior do cemitério foi revirada, mas como das outras vezes, nada nem ninguém
foi encontrado. Não tinha outra resposta: O CEMITÉRIO ESTAVA MAL ASSOMBRADO. Agora não era mais necessária a “força humana”, e sim a “espiritual”. O Padre!
O pároco foi convocado para exorcizar o lugar. Relutante, o vigário afirmou que
se ali havia energias negativas, era devido existir ao lado do principal
cemitério, um grupo de estabelecimentos que serviam como casa de prostituição.
Uma
missa foi promovida no lugar para ver se os barulhos de lamento cessavam. Foi
em vão. Na mesma noite, os barulhos, dessa vez não só mais de gemidos, mas como
de pisadas forte na terra foram ouvidos. Assustados, os moradores das
redondezas deixaram suas casas e partiram a acordar o padre, já altas horas da
noite, e exigiam que este os acompanhasse para encontrar a alma penada e
fazê-la descansar em paz. Nada foi encontrado. Convoquem o Bispo! Foi chamado o
Bispo direto da Diocese, que juntamente com uma comitiva de padres chegou até o
recinto mal assombrado. Uma cerimônia foi realizada para fazer com que a alma
relutante pudesse encontrar o caminho da paz.
Não tinha
jeito. Aquela provável alma não queria abandonar o seu posto. Fechem os
bordéis! A mensagem a princípio do pároco de ali só estar mal assombrado devido
à presença de casas de prostituição soou como única solução viável para o Sr.
Bispo.
Cerrada as
portas dos cabarés, não é que os gritos e gemidos pararam! Foi uma vitória
provisória da Diocese. Provisória, porque, certa ocasião, uma das quengas
revoltadas com a decisão, pôs fim a sua própria vida. Ela foi enterrada no
velho lar dos mortos, bem ao lado da ladeira colossal que hoje tem o nome de
“Ladeira do Cemitério”.
Pois bem,
depois do tresloucado gesto, os gemidos e barulhos retornaram. Benzam a cova!
Benzida a cova, os barulhos temporariamente emudeceram.
Certa
noite, um popular vinha voltando da casa de sua noiva, que ficava a algumas
léguas dos arredores da cidade. De lampião na mão e ignorando que iria passar
ao lado do cemitério e que era exatamente meia-noite, o cidadão prosseguia
tranquilamente, até que de repente, uma pessoa usando um vestido branco pulou o
muro do cemitério e saiu correndo em direção ao Grêmio Artístico. O rapaz
pensou: “Só pode ser o autor dos gritos”. Não contou outra, partiu atrás da
suposta pessoa. Mas, por mais que ele corresse, não conseguia alcançar o dito
cujo.
Ao
chegar à calçada do Grêmio, a pessoa parou e ficou estacionada na esquina. O
homem se aproximou e percebeu que um cheiro forte de carniça tomava conta do
local.
Ao
deparar com a pessoa parada na esquina, o cidadão perguntou: “Aconteceu alguma
coisa?” nada lhe foi respondido. Ele então ino- centemente tocou no ombro da
criatura, e o que se viu em seguida foi uma coisa tão medonha, que o coitado
correu por onde tinha vindo e acabou voltando para a casa da noiva, a qual
junto dos parentes ouviu o relato do pobre infeliz, que descreveu a criatura
com a pele largando do corpo, e o que aparentava ser um vestido branco, na
verdade era a mortalha.
Outras pessoas viram a tal assombração por várias vezes. Fosse dançando
em cima do telhado da capela, fosse dando voltas nos arredores do cemitério.
Alguns taxavam que seria a quenga morta que tinha voltado para reclamar o
fechamento dos cabarés. Nisso, os restos mortais dela foram exumados, e
enterrados em outro lugar. Desde esse dia, as aparições, os gritos e os
lamentos nunca mais foram vistos ou ouvidos naquele lugar.
Graduando em História pela Universidade Federal de Campina Grande - UFCG, campus de Cajazeiras (PB). Nas horas vagas me dedico a escrever crônicas, textos, poesias, artigos, redações, livros, fazer desenhos, pinturas e fotografias de pessoas típicas, Patrimônios Históricos e paisagens. Dedico este blog a todos vocês que aqui passarem. Álisson Oliveira (Orzabal Duran)
quarta-feira, 30 de abril de 2014
terça-feira, 29 de abril de 2014
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Os heróis na história de cajazeiras, segundo Zé Antônio!
Parece até um vale a pena ver de novo! Mas vale esta entrevista do professor-historiador José Antônio de Albuquerque, uma referência na cidade de Cajazeiras no campo educacional e na história. Pela sua fluência verbal, natural, espontânea e agradável de escutar, Zé Antônio acabou se misturando com a história de Cajazeiras, mas houve a oportuna intervenção do entrevistador, outra referência do jornalismo cajazeirense, que alertou que o Zé Antônio detém um cacife de pelo menos uma dez entrevistas potenciais, uma verdade para quem conhece a figura do Zé Antônio.
terça-feira, 22 de abril de 2014
Cardeal Arcoverde e a diocese de Cajazeiras
Por
Francisco Frassales Cartaxo
O cardeal Arcoverde é nome de praça em
Cajazeiras. Mais do que isso, em Pernambuco é nome de município, que se chamava
Rio Branco, em honra ao Barão do Rio Branco, e virou Arcoverde, homenagem ao filho
ilustre nascido na fazenda Fundão, propriedade de seu pai, Antônio Francisco de
Albuquerque Cavalcanti, conhecido como capitão Budá. Joaquim Arcoverde de
Albuquerque Cavalcanti (1850-1930), ainda menino quase rapaz, veio estudar no
colégio do padre Rolim. Pouco tempo depois de concluir os preparatórios viajou
para a Europa. Por isso, o cardeal Arcoverde ligou-se para sempre a Cajazeiras.
Mas não fica apenas no estudo. Colega de Cícero Romão Batista no famoso colégio
do padre Rolim, os dois tomaram rumos diferentes. Joaquim Arcoverde estudou em
Roma e na França. Voltando ao Brasil, fez-se vigário e professor em Pernambuco.
E bispo em São Paulo e no Rio.
Quando se espalhou a notícia dos
“milagres do Juazeiro”, em 1889, a hóstia banhada em sangue na língua da beata
Maria de Araújo, Arcoverde não gostou nada de saber que padre Cícero estava no caminho
da perdição, como então era considerado pela hierarquia da Igreja o desvio
trilhado pelo também ex-aluno do padre Rolim. Entre outras atitudes e ações
contra padre Cícero, o bispo Arcoverde encaminhou à Congregação do Santo Ofício
(Inquisição) informações críticas a respeito dos “falsos milagres”. Isso é o
que admite o pesquisador americano Ralph Della Cava, especulando ainda que: “É
possível que Arcoverde tenha também solicitado uma ação enérgica por parte de
Roma a fim de destruir Joaseiro, assim como ele havia aconselhado d. Joaquim a
fazer, em dezembro de 1891.” De fato, Joaquim Arcoverde criticou com dureza o
seu xará, dom Joaquim Vieira, bispo do Ceará, por não ter cortado as raízes com
ato enérgico, porque “aí no Joaseiro o ridículo é o caráter predominante. Por
conseguinte, nada há ali de divino,” conforme carta transcrita por Della Cava,
em seu livro Milagre em Joaseiro, o mais completo estudo sobre padre Cícero.
Que interesse tem isso?
Interesse histórico. Este ano a diocese
de Cajazeiras festeja o seu primeiro centenário e, até agora, não encontrei
nenhuma referência explícita ao papel desempenhado pelo cardeal Joaquim Arcoverde
na decisão da Igreja de escolher Cajazeiras para sede da segunda diocese em
território paraibano. Não li nem ouvi citação expressa, porém, ando farejando sua
influência, quando nada, na estratégia traçada para a criação de novas dioceses
no Brasil republicano, após o catolicismo deixou de ser a religião oficial.
Arcoverde conviveu com alguns dos mais
importantes personagens dos “milagres do Juazeiro”. Além de padre Cícero, ele
conheceu o padre Francisco Monteiro, o intelectual José Marrocos, que também foi
seu professor, além de outros participantes ativos nos episódios protagonizados
por padre Cícero e Maria de Araújo. Ora, Arcoverde foi padre, bispo, arcebispo
em São Paulo e no Rio de Janeiro, antes de ser nomeado , em 1905, o primeiro
cardeal da América Latina quando, já estava em plena execução o plano de
reestruturação da Igreja no Brasil. Bem articulado dentro e fora da Igreja, a
voz de Joaquim Arcoverde deve ter-se levantado a favor da criação da diocese de
Cajazeiras.
sábado, 5 de abril de 2014
Cajazeiras, Terra de cabra macho
Terra de cabra macho
A maioria dos meus leitores sabe que sou paraibano. Nasci em Cajazeiras, no alto sertão, a quinze quilômetros do estado do Ceará, onde fui buscar a mais bela conterrânea de Iracema, para torná-la minha consorte.
Como se vê, viajei pouco para encontrar a sorte benfazeja.
O nome de minha cidade natal origina-se de árvore frutífera, de pequeno porte, abundante na região. Em 07 de fevereiro de 1767, passou a fazer parte de uma sesmaria, pequeno terreno abandonado, cedido pelos reis de Portugal para ser povoado. O governador da capitania, Jerônimo José de Melo, a presenteou a Luiz Gomes de Albuquerque, que a doou à sua filha Ana de Albuquerque, após seu casamento com o jovem Vital de Souza Rolim. Emancipada em 10 de julho de 1876, completará, em breve, 135 anos de autonomia administrativa.
Em 22 de agosto de 1800, nasceu um dos filhos de Ana de Albuquerque, registrado com o nome de Inácio de Souza Rolim, ordenado padre em Olinda, estado de Pernambuco. Em 1843, o padre Rolim, como viera a ser conhecido posteriormente, retornou à terrinha e fundou o Colégio Salesiano, que recebeu o seu nome. Ali estudaram o Padre Cícero Romão Batista, “meu padim pade ciço” e o primeiro arcebispo do estado da Paraíba, Dom Arcoverde. E eu, este modesto escrevinhador.
Cajazeiras é uma cidade pequena. Apenas 58.437 habitantes disputam o PIB de 400 milhões de reais, cabendo-lhes, individualmente, cerca de R$ 7.000,00. O Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH, é de 0,68, considerado médio, para a região.
A terra do Padre Rolim é bastante movimentada culturalmente. Dispõe de campus universitário federal, de modesto museu, de duas estações de rádio e de um jornal. O teatro, porém, é a expressão maior de sua cultura de divertimento. Os circos de variadas origens e representatividade fincam estacas e estendem lonas impermeáveis em terrenos autorizados pela prefeitura. O cajazeirense é amante da arte cênica, já tendo exportado alguns atores, um deles, uma atriz, minha parenta, integra o elenco de novelas da Rede Globo. Eu, sem querer me exibir, já escrevi uma peça dramática que representei e dirigi.
Em certa ocasião, instalou-se no bairro Alto do Cabelão, um circo de boa reputação. A tenda tinha considerável circunferência. Os artistas distinguiam-se por suas performances espetaculares. Os palhaços faziam a seleta plateia rir, às gargalhas. A programação noturna sempre culminava com a representação de uma peça, algumas românticas, outras trágicas, que normalmente faziam chorar o espectador mais emotivo.
Por ocasião da Semana Santa, resolveram encenar a Paixão de Cristo.
O elenco compunha-se dos mesmos artistas que dividam trapézio e picadeiro, além de alguns moradores da cidade, especialmente convidados. Um rapaz de boa aparência fora indicado para fazer o papel de Jesus. O sujeito era “boa pinta”, usava barba bem cuidada e tinha os cabelos longos e cacheados. Mais ou menos umas trinta pessoas representariam o Cristo, Maria mãe de Jesus, Maria Madalena, Pôncio Pilatos, discípulos do Mestre, alguns fariseus e três ou quatros soldados romanos.
Durante os ensaios, a esposa do dono do circo apaixonou-se por “Jesus”, o intérprete. E ele, que não dava moleza, aproveitou a deixa. Às vésperas da encenação da peça, o proprietário do circo soube do repentino romance. Ficou furioso, mas controlou-se. Aguardaria melhor oportunidade. Um escândalo naquelas alturas prejudicaria o investimento. Depois de pensar bastante, encontrou a solução: iria participar da peça, fazendo o papel de um soldado romano.
No dia do espetáculo, a cidade inteira lotou as dependências do circo. A representação do sofrimento de Jesus tornava a plateia chorosa. As mulheres e alguns homens derramavam seus prantos silentemente. Jesus, o ator, sofria no corpo as fortíssimas chibatas desferidas pelo soldado romano que empunhava o chicote com a destreza que a vingança lhe proporcionava.
“Jesus” reclamou em voz baixa:
– Oxente, cabra, tá machucando!
Para dar mais veracidade à cena, o soldado batia sem dó nem piedade. O lombo do infeliz ator já sangrava, quando, sem mais aguentar, sacou de uma peixeira de doze polegadas e partiu para o seu algoz, dizendo:
– Vou te ensinar como se defende na Paraíba!
O dono do circo corria desesperadamente, protegendo-se atrás de um e de outro ator, que a tudo assistiam sem nada entender. A plateia, antes chorosa e compadecida, presenciando o sofrimento de Jesus, o intérprete, gritava delirantemente:
– É isso aí, Jesus, fura ele!
Outros diziam:
– Aqui é a Paraíba, “bichim”. Não é Jerusalém, não!
E o espetáculo terminou antes da crucificação.
Lamércio Maciel
Publicado no Recanto das Letras em 26/05/2011
Código do texto: T2994009
Código do texto: T2994009
Lamércio Maciel
Brasília/DF - Brasil, 70 anos
Quem sou eu
Nasci no estado da Paraíba, em 1941. Fui cronista de uma emissora de rádio em minha cidade natal, Cajazeiras, na década de setenta, época em que me aventurei no teatro amador. Na oportunidade, escrevi uma peça que representei e dirigi. Por temer represálias do regime militar, abandonei a lide literária depois de ter meus escritos questionados pela ditadura dos generais. A partir de 2002, já aposentado, fiz as pazes com o “verbo” e voltei a escrever. Como bacharel em ciências contábeis, exerci as atividades de contador e auditor, tendo publicado duas obras: Contabilidade, Aspectos Jurídicos e Fiscais do Balanço e Auditoria Fiscal-Tributária. Ambas serviram de livros-texto em cursos e palestras que ministrei. Sou autor de quarenta contos, sessenta e três crônicas, três pequenos romances e três outras narrativas. Meus principais escritos receberam os seguintes títulos: Torre da Concórdia, Álbum de Recordações, Visitando o Passado, O ultimato, O único e Epopéia da Família Braga –– Um Giro pela Europa. Os contos foram reunidos em um volume, intitulado: Por que conto? Conto, porque conto; Conto por conto, Ora!. O volume contendo as crônicas foi denominado Aurora Literária.
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quinta-feira, 3 de abril de 2014
Praça José Guimarães ou Praça do Pirulito?
A denominação Praça José Guimarães foi substituída pelo povo por Praça do Pirulito. Tive a curiosidade e procurar e descobri no logradouro uma placa em bronze num pequeno obelisco com o nome oficial da praça. Bati até uma foto, mas não consegui localizar em meus arquivos.
sábado, 29 de março de 2014
sexta-feira, 21 de março de 2014
USINA SANTA CECÍLIA e sua história gloriosa
Firma J. Matos e Cia, instalada em Cajazeiras no final da década de 20 - entre 1928 a 1929, pelo coronel Joaquim Matos. A Usina Santa Cecília - como era conhecida, era uma fábrica moderna que chegou a exportar fardos de algodão e seus subprodutos para países importantes como: França, Alemanha, Inglaterra e Dinamarca. O dinheiro europeu chegava a Cajazeiras pela linha do trem que passava quase na calçada da usina, depois era trocado pela moeda brasileira em bancos de Fortaleza.
sábado, 15 de março de 2014
terça-feira, 11 de março de 2014
TREM EM CAJAZEIRAS
O ramal de Cajazeiras foi inaugurado em agosto de 1926. O ramal foi oficialmente erradicado em 5 de março de 1971.
A chegada da Via Férrea em Cajazeiras
A estação de Cajazeiras foi inaugurada como estação terminal do ramal de Cajazeiras em 1926. Foi desativada com o ramal, em 1971.
FONTE: Blog um olhar sobre Cajazeiras
sábado, 8 de março de 2014
quinta-feira, 6 de março de 2014
Cajazeiras Tênis Clube, história pura!
O Cajazeiras Tenis Clube já foi considerado o clube mais sofisticado da cidade. Situado no alto de uma colina, às margens do açude grande, em suas paredes ainda ressoam os sons da Orquestra Manaíra animando entusiasmadas festas ao longo do ano e nos períodos carnavalescos.
De suas janelas poentes ainda se mantêm preservado um dos mais deslumbrantes por do sol do sertão.
Quantos bailes de debutantes e de sonhos acalentados em noites com requintes de brilho e glamour, esfumaçados numa atmosfera de nostalgia e lembranças, motivaram a sociedade da época.
FONTE: Blog um olhar sobre Cajazeiras
Nos tempos do ouro branco
![]() |
| Hoje, onde era a Usina Stª Cecília é uma unidade do Atacadão Rio do Peixe. |
A ascensão dessa cultura algodoeira de outrora, veio contribuir para o aparecimento de grandes magnatas do algodão, como foi o caso do Sr. André Gadelha em Souza e o patriarca da família Abrantes em Cajazeiras. Esses senhores - muitos deles coronéis e agropecuaristas fizeram fortunas, esbanjaram poderes, mandaram e desmandaram nas decisões políticas de suas cidades; se elegeram vereadores, prefeitos e até deputados estaduais e federais.
Com tanto poder assim, passaram a receber isenção de impostos do governo federal, e investiram maciçamente em instalações de usinas de descaroçamento e extração do óleo do algodão. Um exemplo disso foi à firma J. Matos e Cia, instalada em Cajazeiras no final da década de 20 - entre 1928 a 1929, pelo coronel Joaquim Matos. A Usina Santa Cecília - como era conhecida, era uma fábrica moderna que chegou a exportar fardos de algodão e seus subprodutos para países importantes como: França, Alemanha, Inglaterra e Dinamarca. O dinheiro europeu chegava a Cajazeiras pela linha do trem que passava quase na calçada da usina, depois era trocado pela moeda brasileira em bancos de Fortaleza.
Os documentários, "O país de são saruê" de Wladimir Carvalho e "O que eu conto do sertão é isso" de Romero Rodrigues, fazem uma abordagem do início da industrialização, progresso e queda da comercialização do algodão na Paraíba.
FONTE:
sábado, 1 de março de 2014
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Padre Inácio de Sousa Rolim: sua influência na cultura sertaneja de 1800-1899.
Resumo: Nosso objetivo é descrever a relação entre as funções de educador/sacerdote na cultura do povo sertanejo exercidas por Padre Rolim (1800-1899), conhecido como o “Anchieta do Nordeste”. Nossa pesquisa é descritiva e histórica; utilizamos o método reconstrutivo de fontes primárias e secundárias. Como resultado parcial, descrevemos sobre a ação educativa desenvolvida por Padre Rolim junto aos filhos dos sertanejos na cidade de Cajazeiras-PB.
Palavras-chave: Educação. Religião. Imaginação.
Abstract: Our objective is describe therelationshipteacher /priestexercised by Father Rolim(1800-1899)inthe country culture known as the "Anchieta do Nordeste”.Our research is descriptive and historical and we utilized the reconstructive of primary and secundary source method. As a parcial result, we describe about the educative action that Father Rolimdeveloped, with, the, sertanejos, sons, of, Cajazeiras-PB,City.
Keywords: Education. Religion. Imagination.
1 INTRODUÇÃO
É possível identificar, no decorrer de toda a história ocidental, certa resistência ou estranhamento aos estudos sobre a temática educação/religião, a partir de algumas marcas que ficaram depois da cisão do binômio igreja/educação. Outro fator que contribuiu para a resistência desta temática diz respeito ao lugar distinto que cada uma dessas áreas tem ocupado ao longo dos anos;e como tem sido alvo de resistência, desconfiança e tratada de forma cautelosa por alguns estudiosos.
Em nossa pesquisa buscamos ultrapassar esta concepção de uma ciência disciplinar, fragmentada, linear e simplista da educação, religião e imaginário, e optar por um modelo epistemológico transdisciplinar, e estabelecer a relação educação/religião/imaginário para além dos pressupostos exclusivamente teóricos.
A temática “Padre Inácio de Sousa Rolim: sua influência na cultura
sertaneja de 1800-1899”, que propomos descrever, tem como objetivo desvelar, no espaço acadêmico e científico, a notoriedade que este educador/sacerdote alcançou no século XIX, precisamente na Cidade de Cajazeiras-PB, foco de nossa pesquisa.
Na perspectiva de reafirmar a relação educação/religião/imaginário, bem como de contribuir com um aprofundamento sobre a temática, resolvemos
desenvolver este estudo, que tem cujo objetivo principal foi descrever a ação educativa que Padre Inácio de Sousa Rolim (1800-1899), educador/sacerdote, desenvolveu na Cidade de Cajazeiras-PB, desde o ano de 1829 junto aos filhos dos sertanejos. Por isso ele foi cognominado por D. Pedro II de "O Anchieta do Nordeste", embora não tenha sido reconhecido pela historiografia da educação brasileira, assim justificamos a nossa escolha com o intuito de desvelar a grande interferência que este padre educador/sertanejo desenvolveu com a criação da sua escola no ano de 1829.
Compreendemos a pesquisa como um processo reflexivo, sistemático, controlado e crítico, que nos conduz à descoberta de novos fatos e das relações entre as leis que regem o aparecimento ou ausência dos mesmos. Assim adotamos para nosso estudo uma metodologia científica adequada, e selecionamos para nossa investigação a pesquisa descritiva,através da qual o pesquisador é capaz de registrar e analisar fatos, fenômenos ou variáveis sem manipulá-los.
Neste tipo de pesquisa, não há a interferência do pesquisador, isto é, ele não manipula o objeto de pesquisa. Procura-se descobrir a frequência com que um fenômeno ocorre, sua natureza, característica, causas, relações e conexões com outros fenômenos.
Utilizamos também a pesquisa histórica, por considerar que o historiador relê os documentos de seus predecessores com um novo olhar e com uma nova interpretação dos fatos. Selecionamos a abordagem qualitativa e adotamos para coleta dos dados as fontes primárias e secundárias, (DEMO, 2006), que consiste em cada uma dessas áreas tem ocupado ao longo dos anos;e como tem sido alvo de resistência, desconfiança e tratada de forma cautelosa por alguns estudiosos.
Em nossa pesquisa buscamos ultrapassar esta concepção de uma ciência disciplinar, fragmentada, linear e simplista da educação, religião e imaginário, e optar por um modelo epistemológico transdisciplinar, e estabelecer a relação educação/religião/imaginário para além dos pressupostos exclusivamente teóricos.
A temática “Padre Inácio de Sousa Rolim: sua influência na cultura sertaneja de 1800-1899”, que propomos descrever, tem como objetivo desvelar, no espaço acadêmico e científico, a notoriedade que este educador/sacerdote alcançou no século XIX, precisamente na Cidade de Cajazeiras-PB, foco de nossa pesquisa.
Na perspectiva de reafirmar a relação educação/religião/imaginário, bem como de contribuir com um aprofundamento sobre a temática, resolvemos desenvolver este estudo, que tem cujo objetivo principal foi descrever a ação educativa que Padre Inácio de Sousa Rolim (1800-1899), educador/sacerdote, desenvolveu na Cidade de Cajazeiras-PB, desde o ano de 1829 junto aos filhos dos sertanejos. Por isso ele foi cognominado por D. Pedro II de "O Anchieta do Nordeste", embora não tenha sido reconhecido pela historiografia da educação brasileira, assim justificamos a nossa escolha com o intuito de desvelar a grande interferência que este padre educador/sertanejo desenvolveu com a criação da sua escola no ano de 1829.
Compreendemos a pesquisa como um processo reflexivo, sistemático, controlado e crítico, que nos conduz à descoberta de novos fatos e das relações entre as leis que regem o aparecimento ou ausência dos mesmos. Assim adotamos para nosso estudo uma metodologia científica adequada, e selecionamos para nossa investigação a pesquisa descritiva,através da qual o pesquisador é capaz de registrar e analisar fatos, fenômenos ou variáveis sem manipulá-los.
Neste tipo de pesquisa, não há a interferência do pesquisador, isto é, ele não manipula o objeto de pesquisa. Procura-se descobrir a frequência com que um fenômeno ocorre, sua natureza, característica, causas, relações e conexões com outros fenômenos.
Utilizamos também a pesquisa histórica, por considerar que o historiador relê os documentos de seus predecessores com um novo olhar e com uma nova interpretação dos fatos. Selecionamos a abordagem qualitativa e adotamos para coleta dos dados as fontes primárias e secundárias, (DEMO, 2006), que consiste em cada uma dessas áreas tem ocupado ao longo dos anos;e como tem sido alvo de resistência, desconfiança e tratada de forma cautelosa por alguns estudiosos.
Em nossa pesquisa buscamos ultrapassar esta concepção de uma ciência disciplinar, fragmentada, linear e simplista da educação, religião e imaginário, e optar por um modelo epistemológico transdisciplinar, e estabelecer a relação educação/religião/imaginário para além dos pressupostos exclusivamente teóricos.
A temática “Padre Inácio de Sousa Rolim: sua influência na cultura sertaneja de 1800-1899”, que propomos descrever, tem como objetivo desvelar, no espaço acadêmico e científico, a notoriedade que este educador/sacerdote alcançou no século XIX, precisamente na Cidade de Cajazeiras-PB, foco de nossa pesquisa.
Na perspectiva de reafirmar a relação educação/religião/imaginário, bem como de contribuir com um aprofundamento sobre a temática, resolvemos desenvolver este estudo, que tem cujo objetivo principal foi descrever a ação educativa que Padre Inácio de Sousa Rolim (1800-1899), educador/sacerdote, desenvolveu na Cidade de Cajazeiras-PB, desde o ano de 1829 junto aos filhos dos sertanejos. Por isso ele foi cognominado por D. Pedro II de "O Anchieta do Nordeste", embora não tenha sido reconhecido pela historiografia da educação brasileira, assim justificamos a nossa escolha com o intuito de desvelar a grande interferência que este padre educador/sertanejo desenvolveu com a criação da sua escola no ano de 1829.
Compreendemos a pesquisa como um processo reflexivo, sistemático, controlado e crítico, que nos conduz à descoberta de novos fatos e das relações entre as leis que regem o aparecimento ou ausência dos mesmos. Assim adotamos para
nosso estudo uma metodologia científica adequada, e selecionamos para nossa investigação a pesquisa descritiva,através da qual o pesquisador é capaz de registrar e analisar fatos, fenômenos ou variáveis sem manipulá-los.
Neste tipo de pesquisa, não há a interferência do pesquisador, isto é, ele não manipula o objeto de pesquisa. Procura-se descobrir a frequência com que um fenômeno ocorre, sua natureza, característica, causas, relações e conexões com outros fenômenos.
Utilizamos também a pesquisa histórica, por considerar que o historiador relê os documentos de seus predecessores com um novo olhar e com uma nova interpretação dos fatos. Selecionamos a abordagem qualitativa e adotamos para coleta dos dados as fontes primárias e secundárias, (DEMO, 2006), que consiste em uma técnica bastante eficaz, por causa do registro de informações e dados que favorece ao pesquisador.
2 TRAÇANDO A RELAÇÃO EDUCAÇÃO/ RELIGIÃO/ IMAGINÁRIO
Quanto à educação, a nossa compreensão é que ela não está reduzida aos conhecimentos intelectuais transmitidos e assimilados. De modo que essa categoria é vista em nossa concepção como um processo orgânico-afetivo-cultural de interação com o meio, de transformação social e de relacionamentos de preferências e estranhamentos, além de constituir-se eminentemente num ato político, carregado de decisões e ações sobre a vida das pessoas.
Entendemos que educar é aprofundar a consciência e esta se forma a partir de nossa existência, de nossas vivências, da nossa relação com o sagrado. Portanto, nem descartamos a natureza biológica do ser, pois assim estaríamos desconsiderando a organização filogenética evoluída do sistema nervoso e órgãos sensoriais, já que o cérebro é um sistema aberto,auto-organizável e moldado pela sua interação com objetos, pessoas e eventos, (MATURANA, 1998). Nem tão pouco podemos nos afastar do humano como ser de consciência e história. Em um processo de reflexão sobre si, sobre as suas operações e ações, o homem produz, de maneira singular, a sua sobrevivência, e busca o sentido, em nosso caso de estudo, Padre Rolim buscou o sentido na relação educação/religião.
Portanto, consideramos uma educação que esteja orientada para a sobrevivência e o restabelecimento das funções originárias da vida. Pois desconfiamos que o projeto educativo desenvolvido por Padre Rolim junto aos filhos dos sertanejos na Cidade de Cajazeiras-PB, veio atender a esta compreensão que traçamos sobre educação a partir de uma “educação biocêntrica”, no dizer de Toro (2006), que cultiva as forças organizadoras e conservadoras da vida. Uma educação que restaura os potenciais da vida no homem e inicia uma civilização para a vida; estimula o contato direto com a natureza, com o sagrado e com o prazer. Uma educação, como espaço democrático, que possa contribuir também para a emancipação sócio-coletiva. Um espaço propulsor do restabelecimento do humano, que devolve a vivacidade dos sujeitos.
Quanto à religião, consideramos que um dos problemas é a sua definição, tal como vem sendo registrado ao longo das pesquisas de grandes estudiosos sobre a temática, conceituando o termo na perspectiva funcional, ontológica, no entanto, cabe-nos de forma precisa abordar algumas definições.
Iniciemos pelo termo etimológico, a palavra religião vem do antigo termo latino religio, “sempre que esse termo aparece traz a conotação de escrúpulo, no sentido de uma consciência de como as coisas devem ser feitas, remete a um estilo de comportamento marcado pela rigidez e precisão”, (SOARES, 2010, p.27), o que remete a observância cuidadosa, a atuação com certa consideração, a atuação correta no ato religioso.
No entanto, ressaltamos a definição de Cícero (106-43 a.C.) que considera a religião como culto e adoração aos deuses, e o cultivo deles; isto evidencia o
comportamento ritual correto. Refere-se à realização e a sequência correta dos atos no culto, no serviço aos deuses; esta compreensão romana está voltada mais para uma prática religiosa do que para uma crença.
Embora na busca de um sentido, de uma definição ou de trazer um conceito o mais próximo possível, reconhecemos que o termo religião ora aparenta ser estreito demais para defini-lo, ora amplo demais para abranger tudo aquilo descrito em outras tradições religiosas e culturais como termos que parecem corresponder a ele, sem falar que, nesses termos, ressoam diversos significados não explícitos que não correspondem imediatamente aquilo que está em nossas mentes quando pensamos em religião, (HOCK, 2010). Segundo Alves (1981, p.22), “a religião surge como teia de símbolos, rede de desejos, confissão da espera, horizonte dos horizontes, a mais fantástica e pretenciosa tentativa de transubstanciar a natureza”.
Portanto, consideramos que um cientista da religião se faz nessa relação dialógica, educação/religião e na sua postura diante do mundo fenomênico. A religião tem uma dimensão de dar conta de determinado fenômeno religioso, e a educação tem o caráter de continuar descobrindo o mundo, e inaugurar outros saberes ainda não totalmente explicitado. São duas dimensões indispensáveis, pois a religião conduz o homem a assimilar o que foi sistematizado por outros; a educação norteia o que não foi estruturado; são ações simultâneas.
Quanto ao imaginário, compreendemos que não é um simples conjunto de imagens que vagueia livremente na memória e na imaginação. O imaginário é uma rede de imagens na qual o sentido é dado na relação entre elas; as imagens organizam-se de acordo com certa lógica, certa estruturação, de modo que a configuração mítica do nosso imaginário depende da forma como arrumamos nele nossas fantasias, segundo (GOMES-DA-SILVA, GOMES, 2010, p. 100). É dessa configuração que decorre o nosso poder de melhorar o mundo, recriando-o, cotidianamente, pois o imaginário é o denominador fundamental de todas as criações do pensamento humano (DURAND, 1997).
Situando a teoria do Imaginário, Gilbert Durand (2001) elabora a sua tese a partir da crítica que faz à desvalorização da imagem e do imaginário no pensamento ocidental, que considera a imaginação como “mestra do erro e da falsidade”. Ao valorizar a razão, em detrimento do imaginário, a iconoclastia ocidental pretendeu um “pensamento sem imagem”; mas, por trás da fachada hipócrita do iconoclasmo
oficial, o mito continuou a proliferar de forma clandestina, graças à expansão literalmente fantástica da mídia que reinstalou a imagem, em “carne e osso”, no uso cotidiano do pensamento (SANCHEZ-TEIXEIRA, 2000). Tal fato evidencia o grande paradoxo da modernidade que, ao mesmo tempo em que recusa a imagem em proveito da razão, é incessantemente assediada por ela.
Lembrando um dos pais fundadores da teoria do imaginário, Bachelard (1990), poderíamos dizer que a uma “dialética da razão” se vem acrescentar uma “dialética da imaginação”, que havia sido rejeitada pela mentalidade cientificista da modernidade.
A integração entre razão e imaginação pode ser mais bem compreendida se utilizarmos, epistemologicamente, a noção de polaridade, tal como o faz Durand (2001) para mostrar o dinamismo do imaginário. Para Durand a separação entre razão e imaginação é falsa, pois o simbólico se inscreve de maneira profunda na alma humana, (GOMES, 2011).
Sendo assim, traçamos a relação educação/religião/imaginário, a partir dos dados que coletamos sobre a vida de Padre Rolim e das imagens que foram sendo suscitadas na sua prática enquanto educador/sacerdote. Iniciamos com uma descrição sobre as primeiras imagens, o princípio de todas as coisas, o cosmo.
Tudo começou em uma terra plana, localizada ao extremo oeste da capitania da Paraíba, região do polígono das secas, onde existia uma mistura de árvores frutíferas e frondosas que se espalhavam na imensidão do terreno, aquecido pelo sol ardente e irrigado pelo pequeno filete do rio que por ali passava.
De longe poderia enxergar uma grande mata cerrada que se estendia no sertão paraibano. Neste sítio ou mata, se encontrava, não só, uma grande variedade de cajazeiras, como também muitos cedros, aroeiras, angicos, paus de arcos e marmeleiros. Este sítio foi passado por Luís Gomes de Albuquerque para Vital Rolim, como dote do seu casamento com Ana de Albuquerque, pais de Padre Rolim, quando vieram se estabelecer na região do sertão nordestino, recém-casados. Esta terra foi cultivada, cuidada e desenvolvida pelos sertanejos com o trabalho da atividade agropastoril que os pais de padre Rolim proporcionaram aos sertanejos, que ali se estabeleceram.
Foi exatamente no alto sertão paraibano, na região do polígono das secas, na mata cerrada, que foi construída a casa da família de Padre Rolim. Aos poucos, aquele lugar foi sendo transformado em uma grande fazenda, e recebeu o nome de Cajazeiras, devido a grande quantidade dos pés de cajazeiras que a terra possuía; dali se originou uma povoação, que se transformou num pequeno aglomerado.
O nascimento de Padre Inácio de Sousa Rolim aconteceu no dia 22 de agosto de 1800, neste sítio, assim registra (PIRES, 1991). Não por mera coincidência, neste mesmo período foi fundado o Seminário de Olinda-PE (1800), pelo Bispo Azevedo Coutinho, com o propósito de formar gerações de párocos-exploradores. No entanto, esse período também foi marcado pela efervescência dos princípios liberais da revolução de l8l7.
Provavelmente, no ano de 1822, Padre Rolim obteve a sua formação no seminário do Crato-CE onde estudou durante o período de quatro a cinco anos, prosseguindo seus estudos no Seminário de Olinda-PE, onde obteve sua formação para o sacerdócio.
No ano de 1829, ao retornar para fazenda de seus pais, encontrou uma capela construída por sua mãe, no entanto, Padre Rolim tomou a iniciativa pioneira na cronologia dos estabelecimentos de ensino no sertão nordestino, proporcionando a abertura de uma escola na fazenda dos seus pais.
Em torno da escola e da igreja, foi se formando o povoado, com grande crescimento. A Fazenda das Cajazeiras passou de simples povoado à condição de Vila,
sede de comarca e depois cidade. Por isso Padre Rolim é considerado o fundador de Cajazeiras, pois a sua obra alavancou o surgimento da cidade. Tal fato levou a criação da frase por um famoso politico paraibano: “Cajazeiras, a cidade que ensinou a Paraíba a ler".
3 DESVELANDO O EDUCADOR/ SACERDOTE
Padre Inácio de Sousa Rolim era um homem simples, no entanto, douto no saber. Trazia nas veias o sangue de Jerônimo de Albuquerque, fidalgo português colonizador de Pernambuco, e do médico francês Isidoro Rolim, iluminista de Marselha.
Alguns historiadores registram que Padre Rolim passou a sua infância na primitiva Fazenda das Cajazeiras, ao lado dos irmãos mais velhos e os que vieram após ele. E que desde cedo, demonstrava grande interesse pelas Letras. Quando completou 16 anos de idade, falava fluentemente o Francês e dedicava-se ao estudo do Grego e do Latim, o que levou Ana e Vital, seus pais, a convite de Dona Bárbara de Alencar, a encaminharem o seu filho à cidade do Crato-CE, onde permaneceu, fazendo os estudos preparatórios.
Enquanto educador, uma de suas ações educativas ocorreu quando tinha 29 anos de idade, no ano de 1829, quando Padre Rolim deu inicio às atividades da escolinha da Serraria (local onde se serrava a madeira usada nas construções das casas), na fazenda de seus pais. Aquele espaço escolar era uma casa pequena que abrigava apenas meia dúzia de estudantes, o embrião do colégio.
Os seis primeiros alunos foram trazidos por Padre Rolim. A partir de alguns relatos dos historiados, conta-se que Padre Rolim saía montado em cima de um cavalo; trilhava as regiões circunvizinhas, e enfrentava um clima quente e ligeiramente úmido, de forma destemida, a procura de alunos para sua escola.
A descrição desta imagem remete ao regime diurno (DURAND, 2001), com seus símbolos ascensionais; tipificando o cavaleiro andante, com sua arma de combate na mão, que era o conhecimento que propusera passar para os filhos dos sertanejos.
Quando Padre Rolim encontrava um lugarejo, descia do seu cavalo vestido com sua indumentária sacerdotal de cor preta, constituída por um manto, que tinha o cumprimento até a cintura; por uma veste longa que tinha um comprimento até os pés; por um rosário sobre o pescoço e por um chapéu preto que protegia sua cabeça do sol ardente. Esta indumentária sacerdotal o revestia de uma austeridade que favorecia um diálogo com o sertanejo que o recebia com maior respeito em sua casa.
No diálogo construído, Padre Rolim em posição de combate, de enfrentamento ao monstro devorador (DURAND, 2001), na postura da verticalidade, em pé, buscava combater o analfabetismo que se alastrava no Brasil, principalmente em Cajazeiras, pois a educação elementar neste período funcionava mais para elite brasileira,
(PAIVA, 1987).
(PAIVA, 1987).
É provável que um dos argumentos que Padre Rolim se utilizou, foi: “o homem que não sabe ler, não existe plenamente” (O sonho de Inacim, 2009), até convencer o fazendeiro de que lhe entregasse um filho, para estudar em regime de internato na sua escola, sob sua responsabilidade.
No início, a escola de Padre Rolim foi estruturada de forma modesta, com instalações precárias. Muitas vezes, ministrava aula debaixo das árvores, em pé, e seus alunos sentados em tijolos ao seu redor, dentro da sua fazenda.
A despeito disso, a escola foi crescendo em número de alunos dado o alto nível do ensino que habilitava seus discípulos a ingressar no curso superior. A precariedade das instalações da escola não era uma preocupação para o Padre Rolim, cujo único desejo era transmitir alguns conhecimentos a seus parentes e a outros jovens que por eles se interessassem.
No ano de 1836, Padre Rolim percebeu a repercussão que sua obra ia
alcançando em todo sertão e nordeste brasileiro, e se dispôs a transferi-la para um prédio de alvenaria que, embora de pequenas proporções, melhor se adaptasse às atividades a que se destinaria.
alcançando em todo sertão e nordeste brasileiro, e se dispôs a transferi-la para um prédio de alvenaria que, embora de pequenas proporções, melhor se adaptasse às atividades a que se destinaria.
O prédio aumentava à medida que novas matrículas eram realizadas, como relata o historiador (PIRES, 1991): “A sua casa de ensino se fazia à proporção que chegavam os novos discípulos. Cada aluno esperava por seu teto, embora já encontrasse o seu livro”.
A lei de “15 de outubro de 1827”, que dizia: “em todas as cidades, vilas, e lugares mais populosos haveria as escolas de primeiras letras que fossem necessárias”, (PAIVA, 1987, p.61), favoreceu a abertura da escola de Padre Rolim em 1829. No entanto, estas escolas, estariam fundamentadas segundo a legislação vigente e deveriam assistir meninos e meninas e adotar o método de ensino mútuo de Bell e o sistema disciplinar de Lancaster que consistia no ensino oral e no uso refinado e constante da repetição e da memorização, (NEVES, 2003). Identificamos que Padre Rolim adotou em sua prática educacional o método de Lancaster, através do qual formou vários discípulos; aplicava-lhes a disciplina quando necessária e, aos poucos, tornava seu ensino e sua escola conhecidos. No ano de 1843, a escola de Padre Rolim já repercutia em quase toda região sertaneja e nas províncias de Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco; expandira-se por todo o nordeste brasileiro, o que o levou a transformar seu estabelecimento de ensino em colégio de instrução secundária.
Na década de sessenta, o colégio atingiu a sua fase culminante. Em 1862, o colégio funcionava com três aulas (latim, francês e geografia), com a frequência de oitenta e cinco alunos.
Enquanto Sacerdote, no decorrer do seu curso no Seminário de Olinda-PE, Padre Rolim exerceu as atividades de censor e bedel, e integrou, posteriormente, o corpo docente do seminário, como professor de Grego. O exercício do magistério, no seminário de Olinda-PE, rendeu-lhe, alguns anos depois, o convite do Governador de Pernambuco para instalar a cadeira de Grego no Ginásio Pernambucano, quando teve oportunidade de realizar a edição da sua Gramática Grega, obra impressa no ano de 1856, em Paris.
Em 30 de julho de 1825, participou da primeira tonsura e, no dia 31 de julho, as ordens menores, em cerimônia realizada na Igreja da Congregação do Oratório do Recife. No dia 15 de agosto do mesmo ano, ele foi ordenado subdiácono, recebendo o diaconato a vinte e cinco de setembro, na Capela do Palácio Episcopal, em Olinda. No dia dois de outubro de 1825, foi consagrado Presbítero.
Em 30 de julho de 1825, participou da primeira tonsura e, no dia 31 de julho, as ordens menores, em cerimônia realizada na Igreja da Congregação do Oratório do Recife. No dia 15 de agosto do mesmo ano, ele foi ordenado subdiácono, recebendo o diaconato a vinte e cinco de setembro, na Capela do Palácio Episcopal, em Olinda. No dia dois de outubro de 1825, foi consagrado Presbítero. Ordenado sacerdote, não pôde voltar de imediato à sua terra natal. Por algum tempo, permaneceu em Olinda - PE como professor do seminário, atividade que exerceu paralelamente ao cargo de reitor.
Enquanto educador/sacerdote, observamos que a programação da escola de Padre Rolim era semanal, os alunos ajudavam na realização da missa antes da aula, todos os dias. No entanto, não encontramos nenhum registro que Padre Rolim treinava os jovens para assumir o sacerdócio, embora dentre seus alunos tenha sido formado alguns, como por exemplo, Padre Cícero Romão Batista.
Foram inúmeros os alunos que passaram pela escola do Padre Rolim, dentre eles, figuras ilustres como: Padre Cícero Romão Batista; Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, o Cardeal Arcoverde; José Peregrino de Araújo, Governador da Paraíba, Deputado Estadual/RN e Deputado Federal/PB; João Gualberto Gomes de Sá, Deputado Provincial e Juiz de Direito; Leonardo Salgado Guarita, advogado, promotor e Desembargador do Tribunal de Apelações do Rio Grande do Sul; Padre Manoel Mariano de Albuquerque, entre dezenas de outros alunos que se projetaram nos cenários políticos, cultural e social do país.
O reconhecimento oficial aos méritos do Padre Rolim aconteceu em quatorze de março de 1860 quando, por Decreto Imperial, foi condecorado por Dom Pedro II, com as insígnias da Ordem de Cristo, no grau de Comendador. Pouco depois, no mesmo grau de Comendador, foi mais uma vez condecorado pelo Imperador que o agraciou com a Ordem da Rosa, pelos relevantes serviços prestados à causa da educação. Relatórios e mensagens de presidentes da Província e diretores da instituição Pública, até 1877, fazem elogiosas referências ao colégio e ao trabalho do Padre Rolim.
No período de 1877-1879, denominado “período da grande seca” boa parte da população nordestina foi dizimada, sendo o estado do Ceará o mais atingido. Neste período, o colégio de Padre Rolim foi fechado e ele se dedicou aos estudos e pesquisas sobre a história natural,sobre cujo assunto escreveu um livro.
No final de sua vida, o educador/sacerdote, Inácio de Sousa Rolim, iniciou uma fase de decadência, triste por não poder manter seu colégio como antes. Padre Rolim veio a falecer no dia 16 de setembro de 1899, vitimado por uma astenia cardíaca senil.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Enquanto sacerdote, Inácio de Sousa Rolim teve sua vida toda modelada nas belezas morais do evangelho e na sagrada doutrina; cumpria as obrigações ministeriais, atuava no sacerdócio com dedicação e tinha um olhar atento aos menos favorecidos, realizava os atos sacerdotais e social na capela construída na fazenda de seus pais e, na escola, inseriu missa antes do início das aulas como também, cabia aos seus alunos, como parte das atividades, participarem e ajudarem na missa.
Enquanto educador, Inácio de Sousa Rolim compreendia a indeclinável necessidade de difundir a instrução como uma força poderosa para o levantamento moral do povo sertanejo, e para a construção de sua cultura. O propósito era o decombater o monstro devorador do analfabetismo, tanto é que esta foi uma das ações que mais desenvolveu em sua vida, quando se dedicou com esmero tanto ao ensino quanto à sua própria formação, pois na ciência, dedicara-se às línguas tornando-se um poliglota. Teceremos algumas compreensões sobre uma das práticas efetuada por Padre Rolim, vejamos:
Ele fazia “passeios com os alunos pelo campo”, achava interessante
entrar em contato direto com a natureza, como forma de aprender e
instruir-se, “obedecer ao curso da natureza e não contrariá-la era
princípio na formação do homem”. (PIRES, 1991).
Vale considerar, que junto ao colégio estava o sítio cultivado pelo padre educador que era um enamorado das árvores, ele gostava do cultivo da terra e estava voltado para a vida campestre, tanto é que desenvolvia estudos e experiências agrícolas. Na sua prática docente, ele permitia que seus alunos contemplassem a natureza e a respeitassem; consideramos que esta concepção de educação de Padre Rolim ultrapassava a dimensão da pura transmissão do conhecimento.
Entendemos segundo Ferreira-Santos (2008), que uma educação de sensibilidade inicia-se com a preocupação que se deve ter pelo outro. Instâncias mais profundas de nossa psique devem trazer a sensibilidade necessária para desenvolver o ato educativo, a relação entre “o eu e o outro”.
É desta herança sensível que os apontamentos de uma educação de
sensibilidade reafirmam a importância das estruturas de serem
possibilitadas pelos vários sentidos (visual, tátil, auditivo, olfativo,
gustativo, cenestésico, vibratório, sincrônico, etc...) como forma de
diálogo com instâncias mais primevas de nossa psique.
Ponderamos que Padre Rolim desenvolveu essa concepção de uma pedagogia sensível característica da utopia por ele vivenciada a partir de algumas atitudes, tais como: quando permitia que seus alunos fossem a campo observar, sentir e contemplar a natureza, quando ele era perceptível ao valor da região que habitava e buscava seu desenvolvimento, quando desenvolvia estudos e muitas leituras em revistas europeias sobre experiências agrícolas, quando reconhecia o valor das terras do Cariri caracterizando-as como uma terra boa para toda sorte de vegetação e quando aprofundava suas pesquisas sobre a história natural ao ponto de escrever um livro.
É possível também relacionar estas aulas-passeio que Padre Rolim efetuou com seus alunos por volta de 1836, às atividades idealizadas por Freinet em 1924, quando propõe que o professor deve conceber sua classe como um ambiente de ricas oportunidades e desenvolver atividades comuns, como as aulas-passeio e estudos de campo.
No entanto, embora tenha recebido o influxo da corrente contrária no seminário, desconfiamos e consideramos que Padre Rolim permaneceu na contramão, fiel à formação recebida, assumiu uma posição de pároco-explorador. Em meio a uma agitação política, apesar de seu perfil eremita, revelava os traços de intensa vida ativa. Desconfiamos que ele tenha assumido uma posição de liberdade pelo esclarecimento da consciência que possuía através das leituras, estudos e contatos que efetuava, entendendo a dimensão profética inerente à missão educativa que assumiu. Pois, ele sabia que política é educação, tanto é que para ele a educação foi a sua política.
Fechamos nossas considerações sugerindo que é possível perceber como Padre Inácio de Sousa Rolim compunha o equilíbrio do velho e do novo, do antigo e do moderno, da fé e da religiosidade, do social e do cultural, a polaridade que Durand nos revela própria do regime diurno das imagens. O ecletismo pedagógico deste padre revela como ele desenvolveu um discurso que expressa um imaginário de luta e de combate; buscava a humanização do homem, um imaginário heroico, uma coragem de postar-se, de ser, de integrar a razão e a imaginação e fazer a sua prática enquanto educador/sacerdote. O que reafirma as considerações sobre a imaginação ao perceber que Bachelard (1995), não hierarquiza as imaginações, mas afirma que são complementares. Uma complementaridade não harmônica, mas conflituosa.
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Recebido em Agosto de 2012
Aprovado em Novembro de 2012
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