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domingo, 5 de junho de 2016

GUERREIRO MAMBEMBE

     Rolos de filmes nas mãos e sonhos tantos que ali mentavam cabeças de milhares de crianças e adolescentes embevecidos como os golpes de Ka-ratê e a agilidade dos canatrões bandidos e mo-cinhos do velho oeste americano. Todos eram Kung fu e Búfalo Bill naquele mundo mambembe que po-voavam as nobres salas de cinema de São Gonçalo e Ipaumirim. Finais de semanas iluminados pela azulada luz de projetores e legendas parcialmente lidas por bocas semi-analfabeta.
   
     Este o universo do seu Otrope. De sobre-nome: Cinema, como cinema foi também sua vida, iniciada no antigo Cine Moderno de João Bichara, onde aprendeu a técnica de manusear os projetores. Sua oficina era a própria cozinha de sua casa, assistido apenas por dois gatos de olhos espertos. Ali ele selecionava os filmes a serem exibidos, confeccionavam os cartazes e fazia os bancos da bilheteria, cada vez mais deficitária nesses tempos de Globo e Roque Santeiro; ladrões da capacidade do sonhar.
     Conheci mais recentemente o seu Otrope, em matéria que fiz para A União no início deste ano. A vitalidade com que aquele velho de 60 anos me falava de cinema e de sua paixão pelos projetores e pelas abandonadas salas de exibição espalhadas pelas poeirentas cidadezinhas sertanejas era emocionante. Cinema cujo único conforto eram toscos bancos de madeira
   

     Como emo-cionante foi sua constata-ção de que a televisão esta-va engolindo o cinema. A tris-teza que vi na-queles olhos, já cansados da a-ventura quixotesca de guerrear contra moinhos de ventos montados pela Rede Globo e toda estrutura de comunicação de massa, que patroniza o homem, limitando o raio de criatividade e sonhos. Para seu Otrope as nossas crianças estavam sendo furtada de sua potencialidade de reinventar o mundo a partir dos dramas cinematográficos exibido nas pobres, sujas e rotas telas.
     Hoje, novos heróis da informática substituem a espada e revolver pelo raio laser. Cavalos e car-ruagens foram tragados pelas naves espaciais pelos veículos portentosos. Na velha torre do castelo não mais está a linda princesa atormentada pelo dragão, esperando a salvação de um Príncipe Valente. Sinhozinho Malta e Viúva Porcina são os novos efêmeros heróis nacionais, dividindo com He-Men as glórias e preferências.
    E coração do guerreiro parou. Na tela apenas os créditos em preto e branco. O sonho termina e vira-se uma página bonita que não mais será reeditada. Quantos cresceram no alimento de suas limitadas telas. Hoje o velho projetor de seu Otrope está silencioso. A luz apagou-se e o único brilho azulado são televisores em nossas salas de estar. O nosso mambembe menestrel fechou os olhos para nossos sonhos. Enterrados estão todos eles, como Chaplin, Hitckcock, Wells. 
Artigo escrito pela Jornalista Mariana Moreira e publicado no jornal "A União do dia 24 de novembro de 1985, Página 12 - Municípios.
Blog Cajazeiras de Amor

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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A voz do Brasil.



Zeilton ao centro

     Além da cultura, Cajazeiras também se destaca na radiofonia. sendo uma das cidades pioneiras do interior do Nordeste na instalação de rádios. A Rádio Difusora de Cajazeiras foi fundada 1938 como difusora e em de 1964 como estação de rádio, logo depois veio a Rádio Alto Piranhas. São histórias e estórias! E muitas!
    Um dos mais irrequietos dos radialistas de Cajazeiras era o famoso e lendário Zeilto Trajano, pombalense dirigiu por muito tempo a Rádio Alto Piranhas, cabeça fria queria ver o mundo pegar fogo para comer peixe assado. A Hora do Brasil é um programa radiofônico de transmissão obrigatória, Zeilto como diretor não poderia deixar de cumprir a séria obrigação, mas a seu modo. Os procedimentos eram, diria, um pouco trabalhosas para todo o universo, menos para Zeilto. Nada de linkar com nada, era só ligar um rádio na Rádio Difusora Cajazeiras junto ao microfone da Alto Piranhas e ia ao ar a Voz do Brasil na Alto Piranhas. Ao final da programa era só soltar os acordes da próprio rádio.