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sábado, 26 de dezembro de 2015

Minhas lembranças de Cajazeiras

por Liduina Araujo de Oliveira
Quem não se lembra dos bons tempos do início da adolescência, meia menina, meia moça. As lembranças dos antigos cinemas trazem muitas saudades.

 Recordo quando saía do Colégio Nossa Senhora de Lourdes cantando toda orgulhosa no Coral e quando saía do colégio no início da Praça João Pessoavia logo o cartaz do Cine Éden encostado no primeiro poste da avenida.
Ah, como era bom! Ver a meninada na maioria gritaria e assovios que doíam os ouvidos, levantando e baixando de vez o assento da cadeira para aumentar o barulho, bom demais, jamais vou esquecer estes momentos.
Também tinha o Cine Pax e o Apolo no prédio da Rádio Alto Piranhas. Lá no Pax a meninada começando a namorar ficava nas cadeiras lá atrás para ninguém olhar. Quem chegasse primeiro guardava a cadeira para o outro, assim também no Apolo nas cadeiras do primeiro andar.
Pena que papai não deixava ir muito ao cinema. Outra coisa, eu nunca deixei algum namorado pagar minha entrada, eu achava feio, papai sempre me dava o dinheiro para pagar. 

 Ah, sim quem não se lembra na porta do Cine Éden, várias banquinhas vendendo juquinhas, pipocas, rolete de cana, a gente fazia a festa. Seu Tinino com a sua caroça, também vendendo. Seu Carlos Paulino bem na porta, sério acompanhando o movimento.
São tempos que não esqueco jamais!

domingo, 5 de maio de 2013

Depoimentos de Cajazeirenses: Orquestra Manaíra



E o clube 1º de maio ao som do conjunto de Bembem, que separado do Tênis clube apenas pela parede do Açude Grande tinha como resposta os famosos bailes da Orquestra Manaira”. 


 
 Os ensaios da Manaíra eram ali naquela salona que fica nos fundos do Círculo Operário, e eu e Ivaldo, meu irmão falecido, e mais alguns guris da Rua Pedro Américo, ficávamos sentados no chão da porta de entrada, no batente, ouvindo aqueles craques dos metais. Além da música eles ensaiavam coreografia. A orquestra disposta em filas, fazia com que, em determinado momento de uma nota musical, a primeira fila se levantava e logo a seguir se sentava para a segunda fila se levantar e depois sentar... Todos tocando. Parecia um balé musical, como os botões dos instrumentos apertados e soltos, baixados e levantados para emitirem notas musicais”...
“’Seu’ Esmerindo Cabrinha, também maestro, era vizinho à esquerda de minha casa, na Rua Pedro Américo, e era comum vê-lo, na calçada de sua casa, sentado numa cadeira de balanço, assobiando com uma pauta musical em mãos e balançando o dedo indicador como se estivesse regendo a orquestra. À direita, quatro casas a diante, residia Vicente de Joaninha, também saxofonista da orquestra. Mesmo da calçada de minha casa dava para ouvir seu ensaio caseiro com o saxofone...
Inesquecível ver e ouvir Mozart tocar sax, Milton no trompete, Rivaldo Santana no trombone de vara, Adelson na percussão e tantos outros que, de nome não mais lembro, mas lembro perfeitamente a sonoridade jazzística que marcou minha alma. Mais tarde descubro que a música de Glenn Miller era a música que eu ouvia da Orquestra Manaíra. Isso mesmo, a ordem era essa: Orquestra Manaíra e depois Glenn Miller, por razão infanto-sentimental.
Com certeza a Maníra foi o gérmen para outros grupos musicais, como a Orquestra Chaveron, de Zeilto Trajano, a Santa Cecília, de maestro Cabrinha, etc. e provavelmente a Manaíra tenha sido filhote da Orquestra Tabajara de Severino Araújo, fundada em 1934, em João Pessoa.
Quando vou pro meu trabalho, é inevitável ouvir no som do carro a Orquestra Manaíra. Tem cada música que dá vontade de parar o carro e sair dançando pelas ruas como Fred Astaire em Singin’ in the Rain (Cantando na Chuva, no Brasil)”