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domingo, 31 de janeiro de 2016

Zeilto Trajano, um expoente da comunicação


     Muitos radialistas não são cajazeirenses e sim cajazeirados, fizeram história na “Cidade que ensinou a Paraíba a ler” e um deles foi marcante na história da radiodifusão de Cajazeiras. Seu nome é Zeilto Trajano de Sousa, que nasceu em Pombal, Paraíba, em abril de 1944. 
 Zeilto casou-se com a senhora Francisca de Lima Sousa e era pai de quatro lindas meninas: Nadja, Alba, Kátia e Márcia. Era filho de Otacílio e Nely, e tinha como irmãos; Socorro, Zelita, Zita, Maria do Carmo e Otacílio Trajano, que também militou ou milita no rádio. 
Ele iniciou suas atividades em Pombal em microfone de serviços de alto falantes, no início da década de 60, em carro de som, que circulava nas ruas de Pombal, fazendo propaganda das Lojas Paulista. Aos sábados ele ficava nas portas da referida loja convocando as pessoas que por ali passavam a entrarem e comprar produtos mais baratos. 
Tempos depois ele foi trabalhar na Difusora Rádio Maringá, de propriedade do senhor Raimundo Lacerda, conhecido por Raimundo Sacristão). Em 1967, Zeilto recebeu convite para trabalhar na Rádio Alto Piranhas, de Cajazeiras, emissora da Paróquia, que era conhecida como a Rádio do Bispo e em pouco tempo que estava nessa emissora começou a exercer o cargo de diretor. Ele também era narrador esportivo da emissora. Zeilto veio a projetar-se na Rádio Alto Piranhas e conquistou audiência com programas criados por ele, a exemplo da “Discoteca Dinamite”, de cunho jornalístico, juntamente com o médico doutor Júlio Bandeira de Melo. Outro programa de Zeilto com grande audiência na região, era aos domingos, “Encontro com Nelson”, onde rolava músicas de Nelson Gonçalves e outros cantores. Ao completar 15 anos com esse programa, ele teve a oportunidade de entrevistar no seu programa o referido cantor. 
Zeilto Trajano teve a oportunidade de transmitir direto de sua cidade, Pombal, através dos microfones da Rádio Alto Piranhas, a Festa do Rosário, a mais conhecida festa religiosa da região. Transmitiu ainda uma festa direto do Pombal Ideal Clube, intitulada “A Paraíba em Uma Noite”. Fez também a cobertura da inauguração da rodovia federal BR 427, que liga Pombal ao Rio Grande do Norte, com a presença do então ministro dos Transportes, Mário Andreazza. 
Ele criou slogans para enaltecer Cajazeiras onde costumava dizer através dos microfones da Rádio Alto Piranhas, “Minha Linda Cajazeiras” e uma vinheta da emissora: “Rádio Alto Piranhas, a única emissora de Cajazeiras, na Paraíba, que o Nordeste conhece”. 
Zeilto também tinha na veia, uma outra habilidade: a música. Ele fundou uma orquestra em Cajazeiras, chamada de “Chaveron”. Tempos depois fundou mais duas orquestras com os nomes de “Chavereque” e “Oritimbó”, que animavam as matinês dos clubes na época dos carnavais de Cajazeiras. Ele compôs uma música carnavalesca intitulada “Maroaje”. 
Depois de 18 anos na Rádio Alto Piranhas, Zeilto foi trabalhar na Rádio Arapuã, de João Pessoa, assumindo a direção comercial dessa emissora e apresentava o programa “Café da Manhã”. Certo dia, foi para o Aeroporto Castro Pinto para fazer a cobertura da chegada do então Presidente da República, Ernesto Geisel, que foi para a Paraíba cumprir agenda de compromissos com o governo do estado. Ao finalizar a transmissão, se sentiu cansado, debruçou no volante do seu carro e começou a passar mal. A partir daí foi levado imediatamente para a Casa de Saúde São Vicente de Paula, de João Pessoa, aonde veio a falecer de aneurisma, em 25 de agosto de 1982. Seu sepultamento foi em Pombal onde teve um grande acompanhamento de pessoas de todas as classes sociais dessa cidade. 
 Eu tive um grande prazer em ter trabalhado com Zeilto Trajano, na Rádio Alto Piranhas, em 1971, e admirava muito o seu jeito de saber cativar as pessoas com sua simplicidade, seu caráter e dinamismo. Junto com Zeilto e demais colegas da emissora, viajei para São José de Piranhas (Jatobá), onde fomos jogar uma partida de futebol de salão, contra uma equipe local. Viajei ainda para Sousa juntamente com a equipe de esportes da Rádio Alto Piranhas, para fazer uma cobertura de um amistoso contra a Seleção de Sousa. Sou um profissional realizado, por ter trabalhado com radialistas de grande nível, a exemplo de Zeilto Trajano, Jota Gomes e Almair Furtado, colegas esses que já partiram para um outro mundo. 


 PEREIRA FILHO É RADIALISTA EM BRASÍLIA/DF

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

LEMBRANÇAS DA RÁDIO ALTO PIRANHAS


LEMBRANÇAS DA RAP
As imagens povoam a cabeça e me deslocam para um outro tempo. Rádio Alto Piranhas, início da década de 1980. Meu primeiro emprego, após terminar o Curso de Comunicação Social. A cabeça cheia de planos e tantas e efêmeras convicções de que o mundo seria transformado com nossas revolucionárias idéias. A certeza de que faria, com as palavras, uma poderosa arma para mudar o mundo, transformar consciências, redimensionar práticas e costumes e erradicar todos os males sociais que, inocentemente, se resumiam as nossas vontades e desejos.
A Rádio funcionava no prédio do Cine Apolo XI. A redação ficava no primeiro andar onde algumas velhas máquinas de escrever Olivetti e Remington serviam como suporte para a produção de noticiários. Ao lado da Rádio, no mesmo prédio, a precária lanchonete de seu Chico servia fatias de bolo endurecidas pelos muitos dias de fabricados e pela baixa freqüência de consumo. No corredor, após a portaria, o relógio de ponto cobrando nossa assiduidade. Não raras vezes, alguns controlistas, que a modernidade chama de operadores de áudio, davam um solavancos no velho relógio que passava algumas semanas parado, para nosso deleite e real possibilidade de atrasar alguns minutos.
A discoteca, dominada por lps, ou seja, os velhos bolachões de vinil, também funcionava no primeiro andar, na direção oposta a redação e sobre o estúdio. Aí passava parte do tempo livre permitido pela redação ouvindo as músicas que Dalvirene Pinheiro selecionava para a grade de programação cultural da emissora. Músicas que eram definidas a partir das opções estabelecidas pelos apresentadores dos programas, ou pelo gosto musical dos ouvintes, expresso em cartas ou através de telefonemas. Tudo datilografado no roteiro que orientava a pilha de discos que, a cada programa, eram descidos para o estúdio e habilmente manuseados pelos controlistas.
Foi nesse ambiente que comecei minha vida profissional. Introduzida na redação da RAP recebi a incumbência de redigir noticias que eram captadas de rádio escuta ou trazidas a redação pelos nossos repórteres de rua que, munidos de gravadores e blocos de papel, percorriam delegacias, hospitais e outras fontes de notícia como prefeitura, representações de órgãos públicos. Tudo tinha que ser redigido, nada chegava pronto como hoje percebemos em nossas emissoras de rádio, onde o clique do computador permite o acesso a praticamente tudo.
Todas essas lembranças me voltam a memória quando, de repente, no Restaurante da Rodoviária, em Cajazeiras, encontro Ribamar Rodrigues que, há vários anos, se debandou pras bandas de Brasília e, atualmente, exerce importante função no Senado da República. Ribamar era um dos repórteres de rua da RAP quando comecei minha trajetória profissional. Portanto, faz parte de um trecho da minha história.
Mariana Moreira - altopiranhas@uol.com.br